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06/12/2015 07:51

Filho de pioneiros, ex-dono de serraria foi para o TO, mas voltou “para casa"

Helio de Freitas, de Dourados
Filho de pioneiros, ex-dono de serraria foi para o TO, mas voltou “para casa
Alkindar Mattos Rocha lembra do tempo em que jogava futebol na Praça Antonio João (Foto: Chico Leite)Alkindar Mattos Rocha lembra do tempo em que jogava futebol na Praça Antonio João (Foto: Chico Leite)

Dourados, que no dia 20 deste mês comemora 80 anos de emancipação, tem sua história marcada pelos pioneiros e pelos descentes desses primeiros habitantes da inóspita terra que se tornaria a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul.

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Alkindar Mattos Rocha, 82, é um desses douradenses que têm muito a contar da época em que carros atolavam na Avenida Marcelino Pires e a cidade tinha só duas ruas.

Filho dos pioneiros Joana Mattos e Antonio Alves Rocha, o “Nhonho” – um dos primeiro farmacêuticos da cidade – Alkindar nasceu em Dourados, mas morou em diversos locais do Estado e até no Tocantins. Mas sempre voltava para sua terra Natal, onde trabalhou em farmácia e teve é serraria.

Alkindar é sobrinho de Antônio de Carvalho, o ex-prefeito “Carvalhinho”, que veio a Dourados trabalhando com a equipe do projeto Rondon. Logo arrumou emprego para “Nhonho” no extinto SPI (Serviço de Proteção ao Índio). Alkindar e os irmãos nasceram nas imediações da Missão Evangélica Caiuá, onde morava o pai.

Antonio Rocha foi então promovido e seguiu para Campo Grande, depois Taunay, distrito de Aquidauana, e Miranda. “Naquela época, não tinha estrada de rodagem”, conta Alkindar. Depois desse período, o pai dele o trouxe junto com o irmão para estudar com Carvalinho. Chegou a Dourados de trem, em Itahum, e pegou um ônibus até a cidade.

O pai de Alkindar gostou de como encontrou Dourados e resolveu voltar de vez. Arrumou dois vagões de telha para vender. Após a comercialização, por volta de 1948, implantou uma das primeiras farmácias de Dourados, na área central da cidade.

“Tinha uma casinha e o papai abriu lá com a ajuda de parentes porque veio com poucos recursos”, conta Alkindar, que chegou a estudar na escola Erasmo Braga, mas quando começou a trabalhar na farmácia e dar certo, deixou os estudos e casou com Ruth. Na época, a Praça Antônio João era cercada de arame e os times se reuniam no local para jogar.

Times rivais – Alkindar conta que tinha muita rivalidade entre Ubiratan e Cruzeiro. Ruth era torcedora do Ubiratan e ele do Cruzeiro. Sim, Dourados teve um time chamado Cruzeiro. “Aí eu comecei a gostar dela, nós brigávamos lá, mas era bom”, conta ele. Alkindar ajudava o dono do time Airton Barbosa Martins, que trabalhava em órgãos do Judiciário e também na farmácia do pai de Alkindar. Por isso ele era um dos titulares do time. “Eu sempre fui bom de bola”, se caba ele.

Airton Martins era fã do Flamengo, então, quando montou o Cruzeiro, comprou como uniforme a camisa do time carioca. Para fortalecer o Cruzeiro, eles traziam craques de fora, que eram colocados para trabalhar na farmácia. “Meu pai não gostava muito”, conta Alkindar.

A prefeitura – Nas proximidades da Praça Antônio João ficava a prefeitura, uma casa de madeira. Alkindar lembra da gestão do prefeito Nelson de Araújo, um médico que veio através da Missão Caiuá, mas também trabalhava na cidade.

O pioneiro lembra que Nelson de Araújo – homenageado como nome de rua no centro de Dourados – enfrentou dificuldade como prefeito e teve de vender um terreno no final da gestão, para deixar tudo em ordem.

Cabeça chata – Sobre o Carvalinho, Alkindar lembra dele como uma pessoa especial, “cabeça chata e sem pescoço”. Ele conta que o tio tinha várias ferramentas e era chamado constantemente pelo pessoal do Banco do Brasil, para consertar as máquinas de somar e até para abrir cofres. “Tudo era ele. Tio Carvalho fez tudo o que uma pessoa podia fazer, era uma pessoa formidável”.

Por volta de 1960, Alkindar começou a “fazer a vida” e comprou uma serraria em Douradina. Ficou lá cinco anos e voltou para Dourados, para montar empreendimento no mesmo ramo.

Depois conta que começou a mexer com gado e teve várias propriedades em cidades da região. Chegou a se mudar para o Tocantins e deixou a casa alugada em Dourados. Um dia voltou e encontrou a casa, onde mora até hoje, abandonada. “A Ruth ficou brava”, conta ele. Depois disso decidiu voltar de vez para a cidade, onde comprou imóveis e de onde nunca mais saiu.




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