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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

28/12/2012 07:17

A professora foi além do be-a-bá e ajudou os alunos a terem um novo lar

Paula Maciulevicius
A professora foi além do be-a-bá e ajudou os alunos a terem um novo lar
2012 foi o ano em que uma professora foi além da tarefa de ensinar e mostrou a solidariedade da forma mais didática e humana possível. A ‘profe’ virou ‘mãe’ ao levar dois alunos que perderam o lar para casa. (Foto: Minamar Júnior)2012 foi o ano em que uma professora foi além da tarefa de ensinar e mostrou a solidariedade da forma mais didática e humana possível. A ‘profe’ virou ‘mãe’ ao levar dois alunos que perderam o lar para casa. (Foto: Minamar Júnior)

A lição da professora foi além da tarefa de casa. Do quadro negro e dos vistos no caderno ela passou a lecionar a solidariedade e em dose dupla. Alexandra Nazário da Cruz, 32 anos, não só explicou o significado da palavra e como escrevê-la. Na prática foi a mestre que ultrapassou o be-a-bá e da sala de aula levou dois alunos para dentro de casa, depois de vê-los dividindo um só cômodo de madeira com quatro irmãos e os pais, no terreno onde um dia fora a casa da família.

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Por decisão judicial, a casa no bairro Santa Emília foi demolida em abril. Os 30 dias seguintes desde que a professora encontrou os irmãos gêmeos, na época, com 9 anos, comendo arroz cru, foram de determinação em conseguir uma casa para a família.

Os braços que acolheram os meninos, Henrique e Eric, foram os mesmos que bateram de porta em porta, da Câmara Municipal à Prefeitura e Assistência Social, em busca de um teto para as crianças.

2012 foi o ano em que uma professora foi além da tarefa de ensinar e mostrou a solidariedade da forma mais didática e humana possível. A ‘profe’ virou ‘mãe’, lutou e deu à família uma casa para morar.

Casada, sem filhos biológicos, mas dois de todo coração. Eric e Henrique, nunca deixavam de ir à escola, mas quando já não apareciam há dois dias, a professora foi atrás. A casa onde moravam não existia mais. Os meninos não tinham onde comer e dormir.

Por um mês, entre o trabalho de ensinar, ela dividiu com dona Rose, a mãe das crianças, a responsabilidade de também criá-los. Ela os abrigou dentro de casa.

O esforço era além de ensinar na escola onde dava aulas e o resultado, seria alegria maior do que ver um aluno formando as palavras. Vê-los fazendo a tarefa de casa na própria casa.

Em maio, em pleno Dia das Mães, uma mãe renasceu e outra surgiu pela primeira vez. Alexandra se viu mãe. Dona Rose passou a data com a família num lar. Depois de abrigar os alunos por um mês, a ‘profemãe’ conseguiu, por meio de programas do Governo Federal, uma casa para os alunos no bairro Dom Antônio Barbosa.

Os meninos gêmeos, na época tinham 9 anos. Por um mês eles viveram com a professora até que ela conseguisse uma casa para a família, no Dom Antônio Barbosa. (Foto: João Garrigó)Os meninos gêmeos, na época tinham 9 anos. Por um mês eles viveram com a professora até que ela conseguisse uma casa para a família, no Dom Antônio Barbosa. (Foto: João Garrigó)
A foto é digna de porta-retrato de família. O casal que foi além dos quatro pratos a mais na mesa. Deu o conforto de um lar a uma família inteira. (Foto: Pedro Peralta)A foto é digna de porta-retrato de família. O casal que foi além dos quatro pratos a mais na mesa. Deu o conforto de um lar a uma família inteira. (Foto: Pedro Peralta)

No Jardim Azaléia, outra casa abriu a porta para a solidariedade. A mesa de jantar ganhou mais quatro pratos na hora das refeições e nos cômodos, o barulho de crianças correndo. Em junho, o Campo Grande News contou a história de Maria Neusa Guaresi, 46 anos, e Idalvan Alves Martins, 53, exemplos que o jornal gostaria de escrever com mais frequência.

O casal que já não tinha mais filhos em casa deu a volta por cima estendendo mais que a mão. Dando a uma família inteira o conforto de uma casa. Eles adotaram Simone Ferreira Neri, 31 anos e os três filhos dela, quando viram que a família estava prestes a ser posta na rua.

Ele sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e ela, violência doméstica por 20 anos. Quando se encontraram a solidariedade foi somada e quem ganhou com o resultado foi a família de Simone. Ela já trabalhava com Maria Neusa e ao se separar do marido, não tinha escolha a não ser deixar a casa onde morava.

Sem dinheiro para o aluguel, foi em um dia de faxina pelo bairro onde o casal mora que o sorriso da caçulinha, Jhulia, na época com 5 anos, tocou Neusinha, como é conhecida. Sabendo que as crianças não teriam onde ficar, ela pensou, mas o coração falou mais alto, por si só e pela própria razão.

Neusa e Idalvan levaram mãe e filhos para dentro de casa. No peito o sentimento do casal era de missão cumprida e nos olhos, a alegria de ver o lar completo.

Um chip de celular abriu as portas para a solidariedade. Vanessa da Silva, passou fome e frio e foi acolhida por uma família enquanto acompanhava o filho na Santa Casa. (Foto: Simão Nogueira)Um chip de celular abriu as portas para a solidariedade. Vanessa da Silva, passou fome e frio e foi acolhida por uma família enquanto acompanhava o filho na Santa Casa. (Foto: Simão Nogueira)

Tem situações em que os laços de afeto falam mais forte. Outras em que parece que as pessoas são colocadas na hora certa e no momento certo. Destino ou resposta às orações de um coração aflito. Foi dentro de um hospital, quando uma mãe pedia ajuda para colocar um chip no celular que a mão amiga veio por acaso e de uma total desconhecida.

Vanessa da Silva, 24 anos, chegou em junho a Campo Grande. Acompanhada do filho de 3 anos, ela veio de Bataguassu com R$ 20 na carteira, documentos, nenhuma roupa para si, poucas peças para o menino e um celular, que na pressa, veio sem chip. Os dois vieram de ambulância transferidos do hospital do município para a Santa Casa, depois que um portão caiu em cima do menino.

Ao pedir ajuda para instalar o chip recém-comprado no celular, ela acabou contando para outra mãe o drama que vivia. Fome, frio, sem roupa nem lugar para dormir, muito menos conhecidos que a pudessem ajudar.

A mulher que ouviu os relatos no hospital foi embora. Do outro lado, Vanessa nunca imaginou o que poderia acontecer. Em casa, a mulher contou à sogra, Rose Mara Pereira Decknes Limeiro, na época com 38 anos. A cabeleireira, manicure, depiladora e com a vocação natural para fazer o bem que voltou ao hospital e buscou Vanessa.

Enquanto o menino esteve internado, Vanessa teve a família que precisou emprestada de Rose Mara. A mulher, que levou a desconhecida vinda de fora para dentro de casa.

Três famílias abriram a casa para quem precisou. Escancararam portas, janelas, puseram pratos a mais na mesa, foram além do que se esperava. Abriram o coração para dar amor, para distribuir o bem e compartilharam suas histórias de vida com o Campo Grande News. Personagens de encher os olhos. Pequenos exemplos, que vemos, e escrevemos bem menos do que gostaríamos, mas que marcaram 2012. O ano em que a solidariedade veio das mãos de uma professora, uma cozinheira e uma cabeleireira. Gente que estende a mão sem nada em troca, que deu mais do que tinha a oferecer e não mediu esforços para fazer sorrisos em 2012.




Como é bom saber saber que existem ainda famílias com esse AMOR TÃO GRANDE....
Dª Margarida,Célia ,Moísés,Georgia são tantos que não posso enumerar ,fomos tão bem recebidos por essa família que jamais esqueceremos.......Obrigado por ter nos adotados...
Jabulani foi o primeiro a entrar na família née...rsrsrsrsrr.
 
VALQUIRIA COSTA em 28/12/2012 12:00:03
PARABENS, VOCÊ EXTRAPOLOU O VOSSO CONHECIMENTO, O DOM QUE DEUS TE DEU, ENSINAR, E ENSINAR, FICOU PARA PROFESSORES, NOME DIFÍCIL, QUE NINGUÉM SE INTERESSA SABER O QUE É, É SER PAI, ORIENTADOR, JUÍZ, GOVERNO, ABAIXO DE DEUS, O PROFESSOR, É RESPONSÁVEL, PELA DIREÇÃO DE UM PAÍS, POIS ELES QUE ENSINAM OS FUTUROS JUÍZES, GOVERNANTES, EMPRESÁRIOS E AUTÔNOMOS, PADRES, PASTORES, PROFISSIONAIS LIBERAIS, E DAÍ, SOUBE O QUE É SER PROFESSOR, É COISA AMPLA, SOU RESULTADO ALÉM DOS MEUS PAIS, DOS PROFESSORES QUE ENSINARAM-ME, A FACILIDADE DA VIDA, QUE DEUS ABENÇOE AOS PROFESSORES, QUE ELES SE EXTRAPOLEM, SE APEGUEM COM DEUS, QUE TEM TANTA COISA DENTRO DELES, O FUTURO DIVINO, SOCIAL EM GERAL, QUE DEUS ABENÇOE.
 
PEDRO BRAGA em 28/12/2012 11:38:06
Conheço a Professora Alexandra, uma grande profissional, tive a honra de lecionar com ela na mesma escola no ano de 2011. Fico muito orgulhosa de conhecer uma pessoa assim, serva de Deus que não mede esforços para ajudar ao próximo.
 
Silvana Ferreira Gomes em 28/12/2012 11:15:12
PARABENS Á REPORTAGEM, PARABENS A ESSAS E TANTAS OUTRAS FAMILIAS QUE DE UMA FORMA OU OUTRA AJUDAM SEUS SEMELHANTES, QUE DEUS DERRAME SUAS BENÇÃOS SOBRE TODOS, FELIZ ANO NOVO
 
Marlise Dall Agnol em 28/12/2012 07:48:03
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