A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

01/08/2018 13:37

Brasil em tempo de eleições

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

No século 20, o Brasil permaneceu estagnado até a tomada do poder por Getúlio Vargas. Açodado por movimentos socialistas, o poder foi absorvido pelos militares. Tendo caído no endividamento externo, entrou na espiral inflacionária, debelada com facilitação dos importados, sem que seus líderes, em disputa pelo poder, percebessem que o país estava perdendo as bases na indústria e na educação. Os demagogos no poder relaxaram as contas para fins eleitorais, e estamos de volta ao estágio de fornecedor de produtos primários para o mundo.

Para alcançar feitos duradouros, a governança não pode permanecer no imediatismo, desprezando a espiritualidade, pois sem ela todas as realizações são efêmeras. A humanidade ganhou tudo que a Internet oferece, mas perdeu a ancestralidade ao se tornar alienada sobre o significado da vida como se fosse composta por robôs. O desenvolvimento humano tem de ser contínuo; é a lei natural do movimento. A casta dirigente tem sido mesmo uma lástima, pois só pensa nos interesses próprios. Não examina o significado da vida; não se comove com o sofrimento da população; não busca soluções que promovam a melhora da qualidade humana e de vida. Em meio às más notícias, vão criando desesperança em relação ao futuro.

Há duzentos anos, as elites ocidentais vêm se impondo ao mundo, após duas trágicas guerras mundiais. Com o fim da guerra fria, com sua grande participação no PIB mundial e o triunfalismo financeiro em um mundo endividado, essas elites se julgaram donas da situação e acabaram perdendo a visão das tendências. A Ásia passou a modificar o estilo despótico de governança introduzindo, como alvo, a busca por resultado econômico e, dessa forma, sua população se agarrou à possibilidade de sair da secular situação de miséria.

Em 2001, o mundo compartilhou a dor americana na tragédia do WTC; nesse mesmo ano, a China passou a integrar oficialmente a Organização Internacional do Comércio, a OMC. Em seu livro A queda do Ocidente? Uma provocação, o professor Kishore Mahbubani, da Universidade de Singapura, diz que isso representou a entrada de quase um milhão de trabalhadores no sistema comercial global, o que resultaria numa destruição criativa maciça e na perda de muitos postos de trabalho no Ocidente, o que acarretaria declínio de salários reais, redução na participação no PIB e aumento da desigualdade. As elites não se deram conta desse processo transformador da Ásia.

No Brasil, enfrentamos algumas questões dramáticas: na educação das novas gerações, nas deficitárias contas internas e externas, na desindustrialização e desemprego em nível elevado. Agora vem a nova guerra econômica desencadeada pela política do presidente Trump e a complexa situação econômica de um país que em 2017 teve déficit comercial de 566 bilhões de dólares e que deve 21 trilhões, algo que deve estar pesando nas decisões, mesmo de um país emissor da moeda global. Todavia, esse é um problema que se vem arrastando há décadas e que afetava países dependentes como o Brasil, sempre de pires mão e joelhos vergados na procura de dólares no mercado financeiro.

Escondido até o ano de 1500, o Brasil permaneceu 500 anos como tributário aos poderosos interesses externos. É preciso pôr um fim na corrupção dos vendilhões da pátria. Chega de lixo e muros pichados. Necessitamos de ação integrada para o bem do Brasil. Falta o desenvolvimento dos atributos humanos: generosidade, lealdade, consideração, seriedade, bom senso, clareza no pensar. Falta acabar com o despotismo da casta governante.

O século 21 requer o empenho no preparo da população para levar a vida com toda a seriedade. Os países da América do Sul precisam ser governados com foco na melhora geral, como vem fazendo China, Índia e Filipinas. Enfrentamos problemas no preparo das novas gerações; no displicente controle das contas internas e externas; na estagnação na indústria e no nível de empregos que reduz consumo até de essenciais. O poder governamental deve ser entregue em mãos competentes que visem o bem, caso contrário o futuro será caótico para o Brasil que tinha tudo para viver evoluindo em paz sob a Luz da Verdade. É sobre essas questões vitais que gostaríamos de saber o que os candidatos têm a dizer.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. 

Médicos-veterinários e zootecnistas comprometidos com transparência e inovação
Vivemos tempos decisivos. Momento de escolher quem irá nos representar pelos próximos anos. No mês em que o processo democrático fervilha no país, mé...
Qualidade para antever o futuro da indústria
A qualidade na indústria acompanha as constantes mudanças disruptivas, orquestradas pelos avanços das tecnologias e inovações que movem o mercado. Ca...
Nobel sinaliza sobre fragilidade da economia frente às variáveis ambientais
Dois americanos foram os vencedores do Prêmio Nobel de Economia este ano. Ambos escolhidos por seus estudos estarem relacionados com interações entre...
Riscos fazem parte da evolução
Num mundo globalizado como o que vivemos, onde as informações surgem a cada instante e é possível realizar compartilhamentos de conteúdos e ideias, i...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions