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Campo Grande, Domingo, 24 de Junho de 2018

23/07/2017 08:27

Caminhos para a segurança de produtos de origem animal

Por Lucimara Chiari (*)

O setor pecuário é estratégico para o Brasil uma vez que é fornecedor de alimento de alto valor proteico para os mercados nacional e internacional. Com um rebanho bovino de mais de 209 milhões de cabeças, o país ocupa uma posição de destaque no cenário mundial sendo o maior produtor, segundo maior consumidor (38,6 kg/habitante/ano) e segundo maior exportador de carne bovina (1,9 milhões toneladas equivalente carcaça), tendo abatido mais de 39 milhões de cabeças em 2015.

A higidez sanitária dos rebanhos e a segurança dos produtos brasileiros são de relevância global, uma vez que os alimentos de origem animal são um dos responsáveis pela veiculação de patógenos para o homem, ocasionando as chamadas doenças transmitidas por alimentos (DTAs). Somente no Brasil, numa população de mais de 200 milhões de habitantes, foram notificados, de 2007 a 2016, 6.632 surtos de DTAs que resultaram em 109 óbitos.

As instituições de pesquisa brasileiras, como a Embrapa, vêm contribuindo de forma efetiva com agências de defesa sanitária na construção de uma sólida estrutura de prevenção e controle para as principais enfermidades que acometem os rebanhos. Tanto aquelas que determinam prejuízos em produtividade, quanto as que podem levar a riscos para a saúde dos consumidores.

Em 2001, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instituiu o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose. Com foco neste programa, a Embrapa vem atuando principalmente no desenvolvimento de vacinas e métodos de diagnósticos para essas e outras enfermidades de grande impacto à pecuária brasileira.

Em brucelose temos avançado em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) de vacinas de proteínas recombinantes e de DNA contra a brucelose, utilizando-se de adjuvantes modernos, visando além da eficácia vacinal, a segurança dos manipuladores e do próprio animal vacinado e, também, que seu uso não interfira nos testes diagnósticos oficiais. Em tuberculose temos desenvolvido sistemas avançados de detecção massal utilizando proteínas recombinantes com alto grau de precisão diagnóstica. Os resultados preliminares são promissores.

No âmbito da inspeção industrial de produtos de origem animal, a Embrapa e seus parceiros vêm desenvolvendo métodos de detecção e classificação de patógenos de alta relevância para a cadeia da pecuária bovina de corte, tais como Brucella, Mycobacterium, Salmonella e Escherichia coli O157 verotoxigênica, em produtos lácteos e cárneos. Como exemplo de tecnologias já geradas estão: o método de imunodiagnóstico de tuberculose bovina, baseado em ELISA que utiliza proteína quimérica capaz de discriminar bovinos positivos e negativos em rebanhos antes do teste oficial; dois métodos moleculares, um baseado em reação de polimerase em cadeia (PCR) e o outro em espectrometria de massas (MALDI-TOF), para detecção rápida e precisa em produtos cárneos e derivados de Escherichia coli O157 verotoxigênica e várias espécies de Salmonella, Brucella e Mycobacterium. Temos métodos de genotipagem e análise de susceptibilidade por sequenciamento e por MALDI-TOF para a encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como “mal da vaca louca”.

A vantagem desses métodos sobre os convencionais está na facilidade, rapidez e segurança nos resultados, uma vez que, os alimentos de origem animal geralmente possuem uma vida de prateleira curta e a identificação precisa e rápida de patógenos pode diminuir a perda econômica com alimentos retidos e recolhidos, além de implicar em uma melhor qualidade da carne bovina, reduzindo os riscos de infecções humanas por origem do alimento.

Com o Laboratório Multiusuário de Biossegurança para a Pecuária (BIOPEC), localizado na Embrapa Gado de Corte, pretende-se ampliar essas pesquisas incluindo patógenos de alto risco biológico, especialmente os exóticos e aqueles de fácil dispersão, que possam por em risco a saúde dos rebanhos e a saúde pública nacional. O BIOPEC também permitirá a manipulação de príons causadores de encefalopatias espongiformes (vaca-louca e scrapie), de acordo com novas normas de biossegurança, e com as normas técnicas atuais.

Com PD&I de ponta e instalações modernas trilhamos o bom caminho para colocar o Brasil em posição diferenciada na segurança dos alimentos e das cadeias produtivas pecuárias e, sobretudo para a garantia da soberania alimentar da nação.

(*) Lucimara Chiari é chefe de Pesquisa e Desenvolvimento e pesquisadora da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS)

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