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Como a inovação e a natureza podem caminhar juntas?

Por Marcella Zambardino (*) | 11/05/2021 08:30

É fato que o ser humano está destruindo o meio ambiente. Recentemente o documentário Seaspiracy, disponível na Netflix, abordou como a gente vem extinguindo populações de diversas espécies de peixes como os tubarões, e mostrou que se a gente continuar nesse ritmo, vamos acabar com a nossa própria espécie.

Pensando nesse cenário, eu acredito que a inovação é a chave para se conscientizar de que somos natureza e que a gente precisa usar os recursos que a natureza nos fornece de forma inteligente para manutenção da nossa espécie no planeta de uma forma saudável.

Eu não acredito que a gente consegue salvar o meio ambiente em sua totalidade, mas, acho que a gente tem que inovar para viver em harmonia com ele. Hoje vivemos um ciclo de comprar produtos nocivos para nossa saúde e depois ter que recorrer a remédios e a indústria farmacêutica. A inovação junto com a informação são a chave para ressignificar os produtos que consumimos e promover mais saúde para os seres humanos e para o planeta.

Para essa mudança a natureza deve ser, mais do que nunca, uma fonte de inspiração. Todas as indústrias seguem essa lógica desde o início da humanidade. A indústria farmacêutica, baseada na biomimética, por exemplo, tem remédios que têm princípios ativos que vem de plantas. Da mesma forma, o ser humano se inspira na natureza, entende como ela funciona e aprimora os recursos. O que nós precisamos agora é aprimorar cotidianamente o que a natureza nos ensina a fim de gerar mais saúde, não apenas lucro.

Um conceito que tem sido muito conversado dentro dessa temática é a economia circular. A lógica dessa ideia também vem da natureza, que funciona em ciclos. Tudo na natureza tem um propósito de existir. Cada planta tem um princípio ativo, uma necessidade e uma função, ao mesmo tempo que tem um ciclo de vida que se auto recicla. Nós conseguimos ter produtos que respeitam esse ciclo da natureza no nosso dia a dia.

Um exemplo de ciclo biológico que não deixa resíduo algum é a bucha vegetal. Essa é uma planta que vem de uma trepadeira, da mesma família do pepino e da abobrinha. Quando seca, a bucha tem várias funções; e seu uso pode ser na limpeza da louça, do nosso corpo, ou até mesmo para fins menos difundidos, como isolamento acústico. Quando deixamos de usar a bucha porque ela já está gasta, ela volta para o solo como nutriente para a terra.

Quando não podemos ter produtos vindos do ciclo biológico, podemos aplicar sustentabilidade no ciclo técnico, com materiais que já existem no meio ambiente. As redes de pesca, por exemplo, são um material ultra resistente, derivado do petróleo. No processo de fabricação, as redes passam por processos industriais cheio de agentes químicos para resistir a pesos significativos na pesca industrial.

Porém, quando as redes rasgam, os pescadores não são incentivados a recolher o material e a fazer o descarte correto. O que acaba fazendo com que várias dessas redes vão parar no fundo do mar. Sabe em média quantas toneladas desse material vão parar nos oceanos? 640 mil toneladas a cada ano. Nós transformamos esse resíduo em esfregões ecológicos que substituem escovas plásticas, e também em saquinhos que substituem os sacos plásticos convencionais na compra de legumes e verduras. Outras empresas transformam esses mesmos resíduos do fundo do mar em calçados.

Esse olhar circular deve sempre avaliar o ciclo de vida dos produtos e pensar como podemos reduzir os resíduos gerados diariamente no mundo. Eu espero que cada dia mais os líderes das empresas despertem esse olhar, afinal a natureza não vai conseguir esperar a nossa mudança no ritmo que seguimos hoje.

(*) Marcella Zambardino é co-CEO da Positiv.a

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