A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

17/06/2014 08:08

Missão Salesiana: muito antes da polêmica "do Sul"

Por Lúdio da Silva (*)

120 anos de história. Muito antes da polêmica “do Sul” quando o Mato Grosso era um só, os salesianos chegaram a uma região rica em florestas, minério, terras fartas e férteis e...índios em profusão. Qualquer bom historiador e jornalista não pode falar desses dois estados irmãos sem curvar-se ao trabalho e heroísmo de muitos salesianos que por aqui tornaram reais os sonhos de Dom Bosco.

Faço parte desta história desde 1977 quando entrei no pré-aspirantado do Patronato Santo Antônio em Coxipó da Ponte, Cuiabá-MT. Desde essa época convivo com os salesianos como pré-aspirante, aspirante, noviço, estudante de filosofia, professor e colaborador. Pude constatar na prática a santidade de muitos padres e irmãos consagrados que dedicaram e dedicam suas vidas ao “dai-me almas” de Dom Bosco.

Nas missões indígenas não podemos esquecer o trabalho incansável dos irmãos Luiz e Franz, mestres Paulinho e Euclides, que construíram estradas, pontes e mini usinas de energia para os Bororo e Xavante, deixando marcas de heroísmo pontuado pelo sangue de missionários como o padre Rodolpho Lunkenbein.

O gosto pela música tão próprio dos salesianos foi plantado por mestres como padre Francisco Czapla e mestre Bombled da banda “furiosa” do Patronato, passando pelo padre Osmar Bezutte, mestre Fernando e pela Banda Symbolum, liderada pelo padre Gildásio Mendes, atual Presidente da Missão Salesiana em Campo Grande, ainda na década de 90. Bandas de música, orquestras, corais e conjuntos musicais foram os responsáveis pela revelação de muitos artistas que ainda hoje despontam no cenário musical brasileiro.

E o teatro? Esse sempre teve um espaço de destaque na Educação Salesiana. Ainda com dez anos comecei a interpretar clássicos dirigidos pelo mestre Bombled e depois mestre Altair, nas salas de espetáculos no Patronato, Lagoa da Cruz e Colégio Dom Bosco. Do mega espetáculo “Jesus Cristo Superstar”, passando pelo musical “Morte e Vida Severina” ou ainda pela comédia “Sete Moleques Num Quintal”, encantavam plateias e serviam para espantar o medo de encarar o público e desenvolver a oratória.

O gosto pelo esporte foi trazido pelos padres italianos, espanhóis e alemães que, a exemplo de Dom Bosco, arregaçavam a batina para correr com os alunos nos oratórios, escolas e aldeias indígenas. As escolas sempre foram grandes praças esportivas com crianças, adolescentes e jovens correndo atrás de uma bola. S. João Bosco já dizia: “é no pátio que conhecemos quem verdadeiramente são os nossos alunos”. Ginásios, campos de futebol e quadras poliesportivas foram plantados em todos os lugares e se tornaram celeiros de craques nas várias modalidades.

Escolas, faculdades e universidade construídas pelos Salesianos foram responsáveis pela formação de dezenas de milhares de jovens que consolidaram o sonho da fronteira de desenvolvimento do extremo oeste brasileiro e também no interior do Estado de São Paulo. Os ex-alunos salesianos sempre estiveram presentes na administração pública em todos os níveis e na iniciativa privada levando em frente o mote salesiano de “formar bons cristãos e honestos cidadãos”. Na universidade os grandes mestres salesianos como padres Walter Bocchi – “Reizinho”, Félix Zavattaro – “papai” entre muitos ou ainda padres Marinoni e Martinez fizeram história e transformaram a desbravadora FUCMT na UCDB, uma das principais universidades da Região.

Que maravilha escutar as histórias do mestre José Veronese - “Mata Onça”, ouvi-lo cantar nos boas-noites da Chácara São Vicente e sofrer e sarar com suas receitas milagrosas como o “santo alho”. O gosto pela Língua Portuguesa começou com o padre Leal e foi purificado pela leitura, estudos e verdadeiras batalhas literárias proporcionadas pelo padre Afonso de Castro com nossos mestres Fernando Pessoa, Camões – “As armas e os barões assinalados” e Machado de Assis, entre outros. Utilizando a paisagem deslumbrante da Lagoa da Cruz gravamos dezenas de poesias dos grandes mestres da Língua Portuguesa ainda na década de 80: “vozes veladas, veludosas vozes”, “café com pão, café com pão, que é isso maquinista?”.

Com certeza São João Bosco, lá de cima, sorri de contentamento vendo as obras plantadas por seus filhos nesses 120 anos. A Missão Salesiana continuou unindo os dois estados que a política teimou em separar, trazendo junto todo o oeste de São Paulo, potencializando uma região que já não é mais um projeto, mas sim uma grande realidade no cenário nacional.

(*) Lúdio da Silva é formado em Filosofia e Jornalismo, com Mestrado em Educação – Trabalha no Colégio Salesiano Dom Bosco de Campo Grande – MS.

 

Inteligência espiritual
Parece-me que há alguns estudiosos de psicologia que costumam misturar ciência com religião, duas atividades mentais bem distintas, com metodologias ...
A regulamentação do Lobby no Bra
Desde 1989 o Projeto de Lei do Senado que propõe regular a atividade de Lobby no Congresso Nacional, PLS 203/89 de Marco Maciel (DEM- PE), está no Co...
Desarranjo planetário
Enfrentamos um desarranjo global na gestão pública. Os líderes se afastam da ideia de que são responsáveis por imprimir melhora geral na qualidade hu...
Tudo pelo cliente
Muitas pessoas me perguntam como é o meu dia a dia, como é administrar uma das marcas mais valiosas e admiradas do Brasil. Posso dizer, sem falsa mod...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions