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O machismo tóxico em nós

Por Bruno Mota (*) | 21/10/2020 13:20

A notícia da contratação do “craque” Robinho pelo Santos me deixou feliz pelo saudosismo em ter mais um “Menino da Vila” de volta aos gramados brasileiros. E depois da polêmica sobre os processos que ele responde na Itália, o que ocasionou na rejeição de patrocinadores e na desistência do Santos, fui pesquisar o que de fato ocorreu, pois a cultura enraizada em mim dizia: “não precisa nem ver... é mais um jogador, famoso e rico sendo acusado por alguma oportunista”.

Porém, há também um sentimento pulsando na direção de fazer com que eu deixe de ser ou ter qualquer pensamento machista tóxico. Afinal, essa “certeza” no meu interior também veio à tona no caso Neymar, por coincidência outro “Menino da Vila”, que, de fato, conseguiu provar que estava limpo. E aí o machismo entranhado grita: “Sabia... mais uma querendo minutos de fama e vantagem financeira”.

Mas no caso Robinho tem algo diferente. Até o momento, ele não conseguiu se defender das graves acusações de abuso sexual e, agora, vem a bomba. Nas transcrições do processo, reveladas pela imprensa, há nas conversas entre ele e amigos algo muito forte. Quando o amigo diz: “Eu te vi fazendo sexo oral” e Robinho responde: “Isso não significa transar”, nem o machista dentro de mim consegue defender.

Um jogador de futebol, por si só, já é um exemplo para tantos jovens e crianças. Em se tratando de um Robinho, essa notoriedade se multiplica e não podemos simplesmente ignorar o episódio. Aceitar que a cultura machista prevaleça diante desse tipo de coisa é inaceitável. Se for provado que ele estuprou ou participou do abuso, junto com outros amigos (diga-se de passagem), ele deve sim pagar pelo crime.

Não vou entrar no mérito da questão se o Santos deveria ou não tê-lo contratado. Afinal, o processo ainda está em curso e acredito que a Justiça deve ser feita da melhor maneira possível, seguindo seus trâmites e analisando os fatos. Condená-lo antes de ser julgado também é uma intolerância que deve ser evitada.

Enfim, o machista que tenho e a grande maioria das pessoas também possuem dentro de si, sejam homens ou mulheres, tem a tendência de se impor e passar a mensagem de que isso é normal, supondo que, provavelmente, a vítima não era tão inocente assim, mas isso é injustificável. Definitivamente, não é admissível acharmos esse tipo de atitude normal ou, pelo menos, não deveria ser visto dessa forma. Não é não e já sabemos disso. O respeito às mulheres deve ser inquestionável e independe de feminismo e, muito menos, do machismo tóxico dentro de cada um de nós.

(*) Bruno Mota é jornalista

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