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Campo Grande, Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

11/07/2018 07:15

Saborear a vida sem ilusões

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Quando as pessoas vivem de ilusões, a economia acaba indo junto. Os capitães da indústria perceberam o movimento de globalização da produção com ganhos de escala e venderam suas fábricas, mas faltou percepção do governo. A indústria foi minguando e as importações aumentando; assim, o Brasil retornou à condição de exportador de matérias-primas. Ao lado disso, o voluntarismo provocado pelo projeto de reeleição, dando-se ao direito de em vez de consertar, fazer mais besteiras ainda. Agora são muitas frentes de crises internas e externas, com o prenúncio de valorização do dólar que talvez seja benéfico para uma guinada.

As administrações das cidades do Brasil descuidaram de tudo. No final do século passado havia uma nascente indústria que perdeu o rumo. Com falta de emprego e de preparo, aumenta a violência. Não se trata apenas de queda na arrecadação. Tem muito dinheiro malgasto no Brasil. Em vez de ir para a indústria, os investimentos foram para os shoppings com estrutura cara. Com a queda nos empregos e tendência para precarização com o novo ciclo de importados baratos, juntou baixa renda com a necessidade de escoar produção de qualquer jeito, nas praças, feiras, lojinhas, outlets nas periferias, com meia nota, sem nota. Um novo problema a exigir governança apta e séria para segurar o país.

Possivelmente, o sucesso da China em se capitalizar através do acúmulo de dólares se deva ao modo relaxado como o Brasil e outros países têm sido governados, com indisciplina, ausência de prioridades e de seriedade no investimento do dinheiro público, desmazelo nas contas internas e externas, descaso com educação e saúde, infindável fome tributária para cobrir déficits intermináveis, descuido com o mercado externo. Tudo isso acarretou desastrosas medidas paliativas e chegamos próximos ao descalabro com a paralização dos serviços de transportes rodoviários. Passaram-se décadas de mau governo no Brasil. O processo para reverter essa situação é longo e penoso, mas tem de ser perseverado.

O modelo de desgoverno da Venezuela se reflete na questão dos imigrantes que fogem para o Brasil aos milhares e ficam pelas ruas de Roraima, sem moradia, sem trabalho. Acolhimento de imigrantes que chegam sem planejamento é um grande estorvo para cidades malcuidadas, sem recursos para atender aos seus próprios habitantes naturais.

O Estado passou a ser uma plataforma de interesses particulares internos e externos. O desequilíbrio fiscal se agravou com o mau uso do dinheiro e a corrupção. Com a globalização e a ausência de gestores fiéis ao desenvolvimento do país, o caos se tornou tendência natural. É preciso sanear o país internamente, fortalecer o preparo da população e promover intercâmbio sadio entre os povos.

O ser humano dispõe da percepção intuitiva e da percepção intelectiva, sendo esta facilmente manipulável de fora quando não permite que a intuição se manifeste. Saboreie a vida, o grande presente que cada um pediu; ela deve ser aproveitada integralmente com a percepção intuitiva para que, penetrando através do cérebro, alcance o eu interior, pois é através da existência terrena que o núcleo espiritual fortalece a autoconsciência e a sua individualidade, fazendo desabrochar as capacitações próprias.

Cada pessoa tem de vencer a si mesma na busca do caminho certo, pois já foi observado como a mania de grandeza e a teimosia desencaminham o ser humano. Com o impacto da aspereza do século 21, a espécie humana vai perdendo a consciência de sua missão de construir de forma a sempre beneficiar o planeta visando melhorar as condições gerais de vida. Em vez de tantas inutilidades, os estudantes deveriam aprender a história geral da civilização para observarem atentamente onde os seres humanos se deixaram levar por sentimentos menores, mostrando-lhes as figuras éticas e morais que propunham a elevação da espécie que por seu idealismo acabaram sendo depreciadas.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. 

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