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Campo Grande, Domingo, 19 de Novembro de 2017

07/01/2016 11:32

Tudo novo este ano, agora! Você está preparado?

Begèt De Lucena
Begét no palco (Foto: Priscila Mota)Begét no palco (Foto: Priscila Mota)

“Vai ou racha” isso não tem importância nenhuma, não é mesmo? Mas entra ano e sai ano e os otimistas de plantão refazem planos, encerram ciclos, batem o pé na areia da praia e idealizam o novo, tudo novo este ano, agora! Ou vai, ou racha... e vai alegria, porque mês que vem é fevereiro e já deram o primeiro grito lá na casa de Dona Valú: “A caravana vai passar”, e se Deus ajudar o “16 toneladas” vai ser menos pesado para o trabalhador brasileiro. Eu só quero que meu samba seja menos melancólico, mas nunca menos romântico, aliás este é um dos melhores elogios que um homem feito deveria gostar de receber, o de ser romântico, artesanal.

Tudo o que fiz nesse fim de ano foi tentar ver beleza no mundo, e nas coisas do mundo, só para ver se dava em poema depois. Talvez dê. Vi no noticiário que o ano começou por aqui, mas que o ano do Horóscopo Chinês só tem início no mês que vem, e esse vai ser o ano do macaco de fogo. O que isso significa, talvez a gente não busque saber, mas que o bicho é cheio de habilidade e motivação, isso é.

A questão é que motivação e vontade de mudança são sempre bem vindos, independente do macaco lá na China, independentemente da situação política no Brasil, ou do menino de pouco mais de 05 anos de idade que, já no ano “novo”, me pediu o que comer na entrada de um gourmet na paulista (centro econômico de São Paulo), o coração da cidade sem coração. Eu dei.

No momento que eu puxei a porta de entrada, ignorando a plaqueta que dizia para empurrar, era como se eu tivesse rompendo esse compromisso com as questões poéticas que envolvem as viradas de ano. Os mesmos medos, as velhas incertezas do último ano, e dos últimos 500 anos, estavam ali, brilhando feito faísca nos olhinhos do garoto.

Aquela fagulha de esperança de que de repente tudo vai incendiar debaixo da chuva rala. O fogo que reflete a esperança. Às vezes chove dentro da gente também, falta fogo, e agora começa a fazer mais diferença a descrição do macaco de fogo no horóscopo chinês.

No mesmo dia eu vi que a Prefeitura de São Paulo inaugurou o 1º edifício de moradia popular para artistas, e isso tem muita importância para quem vive de arte, mas não consegue teto. Fogo na selva de pedras. Do lado de cá, a notícia boa era que o Zé (Pretim) decidiu que não iria morrer e começou de novo, contra o vício. Enquanto eu pedia uma média na padaria, pensava em todo esse poder de regeneração que a gente investe nesse período, aqui ou acolá.

Foi assim no Réveillon de 1964, foi assim no ano 2000, e nem eu, nem você, que possa ser jovem, não estava nem aqui para ver que tudo mudou sim, que tudo acaba bem sempre. - Tudo acaba bem, sempre. Foi o que eu disse ontem mesmo ao telefone com um amigo, e a gente repete essas frases de impacto até para poder se apegar em algum ideal, e que esse ideal seja o mais otimista possível, claro.

Todo dia tem pôr do sol outra vez, independente da chuva. Todo ano tem nascimento, tem coisa boa, tem música nova surgindo para que a gente possa se distrair, tem música velha tocando, que é para a gente se apaixonar, e quando eu falo de paixão, eu não me refiro a interesse, nem admiração, falo de vida, de emoção profunda pela vida e pelo que nos ocorre diariamente, simplesmente. Como ler uma notícia boa por aqui, olhar despretensiosamente pela janela e ver o sol morrendo, alguém jogando o lixo no lixo. Sobre o sol morrer diariamente, essa é uma morte bonita de ver, sempre.

O último ano ímpar foi de muitas perdas, em todas as áreas. A gente vai perdendo gente que faz diferença no mundo, que faz diferença na gente, a gente vai perdendo, vai perdendo... Mas tem faísca no olho do menino, tem esperança no olho do bluesman, então a gente joga os braços para o alto e grita: tudo novo outra vez. E de repente a gente ganha.

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