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Cidades

Em MS, 40 mil pessoas se declaram homossexuais ou bissexuais, segundo o IBGE

Essa foi a primeira vez que o IBGE investigou o tema diretamente por meio de autodeclaração

Por Liana Feitosa | 25/05/2022 10:34
Parada Gay no Centro de Campo Grande. (Foto: Arquivo)
Parada Gay no Centro de Campo Grande. (Foto: Arquivo)

Levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que 92,5% da população de Mato Grosso do Sul com 18 anos ou mais, ou seja, cerca de 1,83 milhão de pessoas, se declaram heterossexuais e cerca de 40 mil pessoas (2% da população) se consideram homossexuais ou bissexuais. Ainda segundo o levantamento, 5,5%, ou 109 mil pessoas, não souberam ou se recusaram a responder à questão.

Essa foi a primeira vez que o IBGE investigou o tema diretamente com os informantes de 18 anos ou mais por meio de uma questão respondida por autodeclaração. Os dados fazem parte da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) feita em 2019, cujos resultados se tornaram públicos nesta quarta-feira (25). Naquele ano, em MS, havia cerca de 1,98 milhão de pessoas com 18 anos ou mais.

Na Capital - Em relação a Campo Grande, a pesquisa mostra que 3,7% dos entrevistados se consideraram homossexuais ou bissexuais, cerca de 25 mil pessoas. Em contrapartida, 90,9% de um total de 676 mil pessoas com 18 anos ou mais em 2019, 614 mil se declararam heterossexuais; 5,4% (37 mil pessoas) disseram não saber ou se recusaram a responder à questão.

Segundo o IBGE, a intenção do levantamento é contribuir para “análise dessa temática com estimativas do tamanho da população de homossexuais e bissexuais, total e segundo características socioeconômicas e níveis territoriais”.

Estigma - A pesquisa teve abrangência nacional, visitando cerca de 108 mil domicílios. Para o instituto, os resultados não tratam de todos os temas ligados à sexualidade e podem ser menores que a realidade. “Trata-se da autodeclaração da orientação sexual. O fato de uma pessoa se autoidentificar como heterossexual não impede que ela tenha atração por ou relação sexual com alguém do mesmo sexo”, pontuou Maria Lúcia Vieira, coordenadora da pesquisa.

O IBGE acredita que, uma vez que o tema é sensível e de cunho pessoal, além de gerar desconfiança em relação ao uso do dado e receio do estigma e discriminação, também está sujeito a subnotificação, conforme apontam relatórios internacionais.

Dados nacionais - No Brasil, em 2019, existiam 159,2 milhões de pessoas de 18 anos ou mais das quais 53,2% eram mulheres e 46,8% eram homens. Desse total, 94,8% se declararam heterossexuais; 1,2% homossexuais; 0,7% bissexuais; 1,1% não sabiam sua orientação sexual; 2,3% não quiseram responder; e 0,1% declararam outra orientação sexual, como assexual e pansexual, por exemplo. Isso significa que cerca de 2,9 milhões de pessoas se declararam homossexuais ou bissexuais em 2019, o que correspondia a 1,8% da população adulta da época. Segundo o levantamento, 1,7 milhão de pessoas não sabia sua orientação sexual e 3,6 milhões não quiseram responder.

Localização e sexo - Entre as pessoas que vivem na área urbana, o percentual daqueles que se declararam homossexuais ou bissexuais foi mais que o dobro das que vivem na zona rural dos municípios, totalizando 2,0% e 0,8%, respectivamente. Do total de 1,1 milhão que se declarou bissexual, 65,6% eram mulheres. Por outro lado, os homens eram maioria: 56,9%, do total de 1,8 milhão de pessoas que se autoidentificaram como homossexuais.

Renda - De acordo com a pesquisa, o percentual de pessoas que se declararam homossexuais ou bissexuais foi maior entre aquelas com maior nível de instrução e renda. No grupo de pessoas com nível superior, 3,2% se declararam dessa forma, percentual significativamente maior do que os sem instrução ou com nível fundamental incompleto (0,5%).

Os maiores percentuais de homossexuais ou bissexuais também foram observados nas duas classes de rendimento mais elevadas, sendo de 3,1% para os que moravam em domicílios cujo rendimento per capita era de mais de três a cinco salários mínimos, e de 3,5% naqueles com mais de cinco salários mínimos per capita. “Isso sugere que pessoas com maior nível de instrução e renda têm menor receio de declarar sua orientação sexual ou maior entendimento dos termos usados”, observou a coordenadora da pesquisa. “A proporção de pessoas que disseram não saber ou se recusaram a responder foi maior entre aquelas com menor nível de instrução e rendimento”, acrescentou.

Entre os mais jovens - Entre os jovens, foram identificados os maiores percentuais de pessoas que se autodeclaram homossexuais ou bissexuais, mas também dos que escolheram a opção “não sei”. Os resultados obtidos pela PNS 2019 mostram que os mais jovens (18 a 29 anos de idade) apresentaram, ao mesmo tempo, tanto o maior percentual de pessoas que se autoidentificam como homossexuais ou bissexuais, como também os maiores percentuais de respostas “não sabe” e de recusa em dar a informação.

O maior percentual de respostas “não sabe” para os mais jovens também pode estar associado ao fato de essas pessoas ainda não terem consolidado o processo de definição da própria sexualidade. De acordo com o IBGE, resultados semelhantes foram obtidos em outros países, como o Reino Unido, no caso da pesquisa APS (Annual Population Survey).

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