Estado demite ex-diretor do HR preso por desvios no hospital
Rehder dos Santos Batista foi detido em junho deste ano em Santa Catarina

O governo do Estado demitiu o ex-diretor administrativo e financeiro do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), Rehder dos Santos Batista, acusado de participar de desvios milionários de recursos da unidade. A demissão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (20), após processo administrativo.
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O governo de Mato Grosso do Sul demitiu o ex-diretor administrativo e financeiro do HRMS, Rehder dos Santos Batista, após processo administrativo, conforme o Diário Oficial desta terça-feira (20). Ele é acusado de participar de desvios de R$ 15,7 milhões por meio de 45 notas fiscais simuladas entre 2016 e 2019. Preso em Santa Catarina em junho, foi solto por decisão do STJ. O processo também destituiu Aldenir Barbosa do Nascimento de cargo em comissão e suspendeu Irineidy Silva da Costa por três meses.
Conforme a publicação, assinada pelo controlador-geral do Estado, Carlos Eduardo Girão de Arruda, com a penalidade, Rehder perde o cargo de Técnico de Serviços Hospitalares, lotado na Funsau (Fundação Serviços de Saúde).
O ex-diretor chegou a ser preso em junho deste ano em Santa Catarina. Ele estava vivendo em Itajaí, cidade distante 94 km da capital catarinense, Florianópolis, desde que foi denunciado por desvio de R$ 15,7 milhões, em abril. No último mês, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) mandou soltar o ex-diretor.
Na denúncia de improbidade administrativa, ele foi acusado de fraudar notas fiscais. Conforme a ação, no período de três anos, entre 1º de setembro de 2016 e 31 de outubro de 2019, a Cirumed Comércio Ltda., com aval de Rehder, “emitiu 45 notas fiscais simuladas, inserindo declarações inverídicas, aduzindo falsamente a venda de produtos hospitalares ao hospital".
O esquema funcionava com pedido de medicamentos ou insumos feito junto à empresa que prestava serviço ao hospital. Registrava-se isso no sistema interno, de forma virtual, mas os produtos nunca chegavam. Posteriormente, era dada baixa a esses itens, como se tivessem sido entregues ou emprestados de volta à Cirumed e, então, emitia-se nota fiscal, o que garantia o pagamento ao fornecedor.
Mais penalidades - O processo administrativo também determina a destituição de cargo em comissão do ex-servidor Aldenir Barbosa do Nascimento, que foi diretor gerencial e de assessoramento entre novembro de 2015 e abril de 2017.
Já a servidora aposentada e ex-gerente do laboratório do HRMS, Irineidy Silva da Costa, foi suspensa por três meses do cargo efetivo de Auxiliar Técnico de Serviços Hospitalares.
Histórico - As investigações apontam diferentes frentes de desvio de dinheiro destinado ao hospital. Em uma delas, acompanhada pelo Campo Grande News desde 2023, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) acusou Rehder e empresários da Cirumed Comércio de simular 45 vendas de medicamentos e insumos entre 2016 e 2019.
Os produtos eram registrados no sistema do HRMS, mas, segundo a acusação, não chegavam à unidade; depois, o estoque era baixado e os pagamentos eram liberados. O prejuízo apontado nessa ação chegou a R$ 12 milhões.
Em 2024, levantamento do Campo Grande News mostrou que duas ações de improbidade contra Rehder somavam R$ 15,7 milhões. Na época, ele também era apontado como ex-coordenador de Logística e Suprimentos do hospital e havia sido alvo da Operação Parasita, deflagrada em dezembro de 2022 para apurar fraudes em compras destinadas ao HRMS.
Uma dessas ações terminou, em julho de 2025, com a condenação de Rehder, do ex-diretor Aldenir Barbosa do Nascimento, de empresários e de uma fornecedora. O processo tratava da compra simulada de reagentes e outros insumos, com prejuízo atualizado estimado em R$ 1,8 milhão. O então diretor recebeu multas civis e teve determinada a perda da função pública na decisão de primeira instância.
O MPMS informou no ano passado que as investigações sobre as compras do Hospital Regional deram origem a cinco ações criminais e quatro processos por improbidade. Segundo o órgão, os casos apuram mais de R$ 20 milhões em recursos desviados entre 2016 e 2019 por meio de compras simuladas e documentos falsos.
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