Justiça manda soltar ex-diretor investigado por desvios no HR
Rehder Batista terá de comparecer em juízo e não poderá sair de Campo Grande sem autorização

STJ (Superior Tribunal de Justiça) mandou soltar o ex-diretor administrativo e financeiro do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) Rehder dos Santos Batista, acusado de participar de desvios milionários de recursos da unidade. A ordem foi comunicada à 5ª Vara Criminal de Campo Grande e publicada no Diário da Justiça desta sexta-feira (11). O juízo determinou a expedição do documento para colocá-lo em liberdade, caso não exista outra ordem de prisão contra ele.
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A corte, no entanto, impôs três restrições: Rehder deverá comparecer à Justiça sempre que for chamado, não poderá deixar Campo Grande sem autorização e está proibido de ocupar cargo público ou contratar com o Poder Público, inclusive por meio de terceiros ou empresas. A 5ª Vara acrescentou a obrigação de informar mensalmente um telefone para contato.
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A decisão publicada nesta sexta não informa qual ministro do STJ analisou o pedido nem apresenta os motivos que levaram à soltura. O processo que recebeu a comunicação corre em sigilo na 5ª Vara Criminal.
Rehder já foi alvo de outras ordens de prisão nas investigações sobre o Hospital Regional. Em junho de 2024, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) determinou a prisão do ex-diretor depois que ele deixou de ser localizado pela Justiça e por uma sindicância do Governo do Estado. Horas depois, ele foi encontrado em Itajaí (SC), onde estava morando, e levado ao presídio local.
Histórico - As investigações apontaram diferentes frentes de desvio de dinheiro destinado ao hospital. Em uma delas, acompanhada pelo Campo Grande News desde 2023, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) acusou Rehder e empresários da Cirumed Comércio de simular 45 vendas de medicamentos e insumos entre 2016 e 2019.
Os produtos eram registrados no sistema do HRMS, mas, segundo a acusação, não chegavam à unidade; depois, o estoque era baixado e os pagamentos eram liberados. O prejuízo apontado nessa ação chegou a R$ 12 milhões.
Em 2024, levantamento do Campo Grande News mostrou que duas ações de improbidade contra Rehder somavam R$ 15,7 milhões. Na época, ele também era apontado como ex-coordenador de Logística e Suprimentos do hospital e havia sido alvo da Operação Parasita, deflagrada em dezembro de 2022 para apurar fraudes em compras destinadas ao HRMS.
Uma dessas ações terminou, em julho de 2025, com a condenação de Rehder, do ex-diretor Aldenir Barbosa do Nascimento, de empresários e de uma fornecedora. O processo tratava da compra simulada de reagentes e outros insumos, com prejuízo atualizado estimado em R$ 1,8 milhão. Rehder recebeu multas civis e teve determinada a perda da função pública na decisão de primeira instância.
O MPMS informou no ano passado que as investigações sobre as compras do Hospital Regional deram origem a cinco ações criminais e quatro processos por improbidade. Segundo o órgão, os casos apuram mais de R$ 20 milhões em recursos desviados entre 2016 e 2019 por meio de compras simuladas e documentos falsos.

