MS registra 24 suspeitas de sarampo em 2026 e mantém uma sob investigação
Cobertura vacinal com a segunda dose está abaixo do esperado e preocupa, diante de surtos em outros países
Mato Grosso do Sul registrou 24 casos suspeitos de sarampo em 2026, dos quais 23 foram descartados e um permanece sob investigação. O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (23) pela SES (Secretaria Estadual de Saúde), em meio ao alerta provocado pelo avanço da doença em países vizinhos, especialmente na Bolívia, e pela cobertura vacinal abaixo da meta recomendada para impedir a circulação do vírus.
RESUMO
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Mato Grosso do Sul registrou 24 casos suspeitos de sarampo em 2026: 23 foram descartados e um segue em investigação. O alerta ocorre diante do avanço da doença na Bolívia e da cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, de 81,79%, abaixo da meta de 95%. A Secretaria Estadual de Saúde recomenda conferir e completar a vacinação, disponível gratuitamente pelo SUS. O Estado não registra casos confirmados desde 2020.
Reportagem desta quinta-feira do Campo Grande News alertou sobre a cobertura aquém do esperado, notadamente com a segunda dose, que precisa ser aplicada para completar a proteção. A Secretaria Estadual de Saúde, no material em que divulga o caso em investigação, alerta as famílias para a necessidade de completar o esquema vacinal, para evitar o ressurgimento da doença, que enfrenta surtos na Bolívia, vizinha a Mato Grosso do Sul, e em países de primeiro mundo, como os Estados Unidos.
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A secretaria não informou em qual município foram registradas as suspeitas deste ano, nem a idade do paciente ou a data da notificação.
Vacinar as crianças é importante para manter o Estado sem casos confirmados, o que não ocorre desde 2020, quando dez pessoas contraíram a doença em Campo Grande. No ano anterior, foram quatro confirmações, sendo duas na Capital e duas em Três Lagoas.
O alerta ocorre em um cenário de baixa cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Dados referentes às doses aplicadas até 1º de setembro apontam cobertura de 81,79% na segunda aplicação, distante da meta de 95% recomendada pelas autoridades de saúde.
Na primeira dose, o índice estadual chega a 97,10%.
A situação é ainda mais preocupante em municípios próximos à fronteira com a Bolívia, país que enfrenta um surto da doença. Em Corumbá, a cobertura da segunda dose chega a 75,33%, enquanto Ladário registra apenas 64,53%, segundo dados do Ministério da Saúde.
Outras cidades também apresentam índices baixos. Em Amambai, a cobertura é de 67,76%; em Itaquiraí, 59,06%; em Corguinho, 56,25%; e em Coronel Sapucaia, 65,81%. Na Capital, o percentual chega a 78,54%, também abaixo da meta nacional.
“É fundamental que pais e responsáveis verifiquem se as crianças receberam todas as doses recomendadas, mas essa atenção também deve se estender aos adolescentes e adultos. Quem não tem certeza sobre a situação vacinal deve procurar uma unidade de saúde para conferir os registros e receber a orientação necessária”, orienta a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger.
A sugestão é que a população confira os registros de vacinação, principalmente para identificar esquemas incompletos.
Avanço da doença – O aumento de casos nas Américas mantém as autoridades sanitárias em alerta. Até 3 de outubro, o continente havia registrado 55.792 casos de sarampo e 77 mortes em 17 países e territórios.
No Brasil, conforme o balanço divulgado nesta sexta-feira, são 61 casos importados ou relacionados à importação em 2026. O número supera os 52 registros contabilizados até 5 de outubro.
O País recuperou, em novembro de 2024, o reconhecimento de país livre da circulação endêmica do sarampo. Apesar disso, a entrada do vírus por pessoas infectadas em outros países continua representando risco, especialmente em regiões com baixa cobertura vacinal.
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas. A transmissão ocorre pelo ar, por meio da tosse, espirros, fala ou respiração de uma pessoa infectada.
Sintomas – Os primeiros sinais da doença costumam aparecer entre 7 e 14 dias depois do contato com o vírus. Os principais sinais são:
Febre alta;
Tosse persistente;
Coriza;
Conjuntivite (olhos vermelhos e irritados);
Mal-estar;
Pequenas manchas brancas na parte interna da boca;
Manchas vermelhas na pele, que começam no rosto e atrás das orelhas e se espalham pelo corpo.
As manchas vermelhas costumam aparecer entre três e cinco dias depois do início dos sintomas. Além de ser altamente contagioso, o sarampo pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro), além do risco de morte.
Pessoas com sintomas suspeitos devem procurar atendimento médico, informar possíveis viagens recentes ou contato com pessoas infectadas e evitar contato com outras pessoas para reduzir o risco de transmissão.
Vacinação – Para tentar ampliar a proteção da população, a SES realizou, em setembro, um treinamento sobre a doença com representantes dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
Em outubro, a campanha de multivacinação aplicou 84.439 doses de diferentes vacinas. Desse total, aproximadamente 4,2 mil foram da tríplice viral, considerando a primeira e a segunda aplicações.
Outra estratégia está prevista para ocorrer entre 3 e 13 de novembro. A campanha Aluno Imunizado levará a vacinação a escolas municipais, estaduais e particulares, além de oferecer a emissão da DVA (Declaração de Vacinação Atualizada).
Nos territórios indígenas, informou a SES, está em andamento a aplicação da chamada dose zero contra o sarampo em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias. A medida busca ampliar a proteção diante do risco de entrada do vírus e não substitui as doses previstas no calendário regular.
A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Pelo calendário nacional, crianças devem receber a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas de até 29 anos precisam comprovar duas doses, enquanto aquelas de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma aplicação registrada.
A orientação é procurar uma unidade de saúde mais próxima para conferir a situação vacinal.
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