MS segue abaixo da meta de vacinação contra sarampo em meio a surtos na Bolívia
Estado tem cobertura de 81,79% na 2ª dose da tríplice viral, abaixo dos 95% recomendados para conter o vírus

Mato Grosso do Sul está abaixo da meta de vacinação contra o sarampo, justamente quando o avanço da doença em países vizinhos aumenta o risco de reintrodução do vírus no Brasil. Dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde), referentes às doses aplicadas até 1º de setembro de 2026, mostram que a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral no Estado é de 81,79%, distante dos 95% recomendados para impedir a circulação sustentada da doença.
RESUMO
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O cenário preocupa principalmente pela situação da Bolívia, que faz fronteira com Mato Grosso do Sul e enfrenta um surto de sarampo. O Peru também registra milhares de casos. Embora o Estado não confirme novos casos desde 2020, quando foram registrados 10 pacientes infectados, a circulação do vírus nas Américas mantém o alerta das autoridades sanitárias.
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A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. De acordo com os dados apresentados pela SES, a cobertura da primeira dose em Mato Grosso do Sul chega a 97,10%, acima da meta recomendada. O problema está na segunda aplicação, necessária para completar o esquema de imunização e ampliar a proteção contra a doença.
No cenário nacional, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 95% de cobertura com as duas doses entre as crianças menores de 2 anos. A imunização completa no país permanece abaixo de 80%, segundo as informações divulgadas pela área da saúde.
O sarampo está entre as doenças infecciosas mais contagiosas. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de tosse, espirros, fala ou respiração de uma pessoa infectada. Quando a cobertura vacinal fica abaixo do nível recomendado, aumentam as chances de o vírus voltar a circular, especialmente em locais com pessoas não imunizadas.
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. Isso, porém, não elimina o risco de novos surtos provocados por casos importados. Em 2026, o país voltou a registrar infecções relacionadas à entrada do vírus, enquanto diferentes regiões das Américas enfrentam aumento de casos.
Fronteira concentra preocupação - Em Corumbá, município que faz fronteira com a Bolívia, a cobertura da segunda dose da tríplice viral é ainda menor que a média estadual, chegando a 75,33%. Em Ladário, cidade vizinha, o índice é de 64,53%, conforme os dados do Ministério da Saúde.
Em julho deste ano, diante do início do surto no país vizinho, representantes do Ministério da Saúde, do governo estadual e das prefeituras de Corumbá e Ladário se reuniram para discutir medidas de prevenção. Entre as estratégias debatidas estavam a intensificação da vacinação, o reforço da vigilância epidemiológica e o compartilhamento de informações entre as autoridades brasileiras e bolivianas.
A preocupação se estende a outras cidades sul-mato-grossenses. Amambai registra cobertura de 67,76% na segunda dose, enquanto Itaquiraí tem 59,06%, Corguinho, 56,25%, e Coronel Sapucaia, 65,81%. Os índices estão bem abaixo da meta de 95%.
Na Capital, a cobertura da segunda dose está em 78,54%, também distante do percentual recomendado. Campo Grande não registra casos confirmados desde 2020, mas a baixa imunização amplia a preocupação diante da circulação do vírus em outros países.
Por outro lado, alguns municípios já ultrapassaram a meta na segunda dose. É o caso de Douradina, com 130,23%; Figueirão, com 129,63%; Pedro Gomes, com 139,02%; e Vicentina, com 148,98%. Percentuais superiores a 100% podem ocorrer em levantamentos de cobertura vacinal, por diferenças entre a população estimada e as doses registradas.

Casos aumentam nas Américas - O avanço do sarampo no continente reforça o alerta das autoridades sanitárias. Até 3 de outubro de 2026, as Américas haviam registrado 55.792 casos da doença e 77 mortes em 17 países e territórios, segundo os dados apresentados pela área da saúde. O número representa o maior total anual em mais de 35 anos, conforme o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos).
Mais de 90% dos registros envolvem pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida. A maioria dos casos ocorre entre pessoas de até 19 anos. Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% das infecções confirmadas na região em 2026, de acordo com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
No Brasil, até 5 de outubro, haviam sido registrados 52 casos importados de sarampo neste ano: 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e um no Rio de Janeiro.
A primeira dose da vacina oferece proteção estimada entre 94% e 96% contra o sarampo. Com as duas doses, a proteção ultrapassa 97%. Por isso, completar o esquema vacinal é considerado essencial para reduzir o risco de infecção e dificultar a transmissão do vírus.
Estado reforça vacinação e prepara ações nas escolas - Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que vem desenvolvendo ações para ampliar a cobertura vacinal e fortalecer a vigilância epidemiológica nos municípios. Em setembro, promoveu um treinamento presencial sobre o sarampo em Campo Grande, com participação dos 79 municípios sul-mato-grossenses.
A capacitação abordou aspectos clínicos e epidemiológicos da doença e orientações para ampliar a vacinação.
Outra medida foi a campanha de multivacinação realizada em outubro, que intensificou a oferta das vacinas previstas no calendário de rotina em todo o Estado. Durante a mobilização, foram aplicadas 84.439 doses de diferentes imunizantes. Desse total, aproximadamente 4.262 foram da tríplice viral, considerando a primeira e a segunda doses.
Segundo a SES, os registros dessa campanha ainda estão em processo de migração e devem ser disponibilizados na RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde) nos próximos dias.
O governo estadual também prepara a estratégia Aluno Imunizado, prevista para ocorrer de 3 a 13 de novembro. A iniciativa será realizada em escolas municipais, estaduais e privadas, com oferta de vacinas e emissão da Declaração de Vacinação Atualizada. O objetivo é facilitar o acesso à imunização no ambiente escolar e contribuir para elevar e uniformizar as coberturas vacinais.
As ações incluem ainda os territórios indígenas. Conforme a nota, a estratégia de aplicação da chamada dose zero contra o sarampo em crianças indígenas de 6 a 11 meses e 29 dias está em andamento nas áreas atendidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul. Essa dose é uma medida adicional para grupos específicos e não substitui as doses previstas no calendário regular.
Quem deve se vacinar - A SES orienta que crianças, adolescentes e adultos procurem uma unidade de saúde para verificar a caderneta de vacinação e completar o esquema, caso necessário.
De acordo com as recomendações informadas pela secretaria:
- Crianças: devem receber a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, conforme o calendário vacinal.
- Pessoas de 1 a 29 anos: devem ter registro de duas doses da vacina contra o sarampo.
- Pessoas de 30 a 59 anos: devem receber uma dose caso não tenham comprovação de vacinação anterior.
- Pessoas com 60 anos ou mais: não têm indicação de vacinação de rotina pelo Programa Nacional de Imunizações, mas situações específicas podem ser avaliadas pelas autoridades de saúde.
A secretaria também alerta para o risco de exposição durante viagens internacionais e recomenda verificar a situação vacinal antes de viajar. A vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Pessoas que apresentarem febre acompanhada de manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza ou conjuntivite devem procurar imediatamente uma unidade de saúde. A orientação é importante diante do risco de introdução do vírus em regiões com cobertura vacinal insuficiente.


