Satélites e drones protegem 65 mil hectares de florestas na divisa de MS com SP
Nova torre em Brasilândia amplia rede que identifica riscos e acompanha focos de incêndio
RESUMO
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A CESP implantou um sistema tecnológico avançado para combater incêndios florestais no entorno da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, protegendo 65 mil hectares de Cerrado e Mata Atlântica. A estrutura inclui satélites, drones com sensores térmicos, câmeras e a tecnologia CYAN, que cruza dados climáticos para prever riscos. Cerca de 40 brigadistas atuam na área, com monitoramento 24 horas. A empresa alerta que o comportamento humano ainda é o principal fator de risco.
A tecnologia passou a ocupar uma posição estratégica no combate aos incêndios florestais no entorno do reservatório da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, na divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo. Satélites, dados meteorológicos, câmeras e drones com sensores de calor formam uma rede de vigilância destinada a proteger cerca de 65 mil hectares de vegetação nativa de Cerrado e Mata Atlântica.
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A CESP (Companhia Energética de São Paulo) incorporou ao sistema de prevenção o CYAN, tecnologia capaz de cruzar informações meteorológicas e imagens de satélite para identificar antecipadamente áreas com maior risco de incêndios e de ocorrência de raios.
A diferença está justamente na possibilidade de tentar chegar antes do fogo. Em vez de atuar somente quando um foco já foi identificado, o sistema aponta regiões onde temperatura, umidade e outras condições ambientais tornam a vegetação mais vulnerável às chamas.
Segundo o gerente de Sustentabilidade da companhia, Odemberg Veronez, as informações permitem direcionar equipes de campo para os pontos considerados mais críticos.
“O CYAN atua na etapa de prevenção, cruzando dados climáticos e de satélite para mapear onde as condições são mais propícias ao surgimento do fogo”, explica. De acordo com ele, a ferramenta complementa tecnologias que já detectam incêndios em andamento e amplia a capacidade de tomada de decisão.
Satélites vigiam focos 24 horas
O novo sistema passa a trabalhar em conjunto com outras duas ferramentas utilizadas pela companhia: Visiona e NASA FIRMS.
A parceria com a Visiona Espacial, empresa formada pela Embraer Defesa & Segurança e pela Telebras, foi renovada e ampliada para alcançar todos os ativos da companhia. Imagens de satélite são utilizadas para localizar focos de incêndio, com alertas que podem ser emitidos a partir de 15 minutos depois da detecção, dependendo da posição do satélite.
Para diminuir o intervalo entre o surgimento do fogo e a reação das equipes, a central de monitoramento também acompanha imagens públicas produzidas pelos satélites da NASA.
Em Mato Grosso do Sul, a estrutura de vigilância ganhará outro reforço. Uma nova torre está sendo instalada na RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Cisalpina, em Brasilândia. Conectada à central de monitoramento, ela terá câmeras para acompanhar continuamente a área.
Drones ajudam brigadistas e animais
A estratégia não está restrita à identificação dos incêndios. A estrutura de combate também recebeu novos equipamentos, entre eles bombas flutuantes e drones equipados com sensores térmicos.
Os equipamentos aéreos podem auxiliar tanto na localização de pontos de calor quanto na segurança das equipes que entram nas áreas atingidas e nas operações de resgate da fauna silvestre.
Atualmente, cerca de 40 brigadistas atuam na proteção das áreas, além de equipes itinerantes que percorrem regiões prioritárias inclusive nos fins de semana e feriados. O monitoramento por satélite funciona 24 horas por dia.
A companhia também mantém aeronaves disponíveis sob demanda para operações em locais de difícil acesso, quando o combate terrestre não é suficiente.
Prevenção depende também da população
Apesar do reforço tecnológico, a prevenção continua dependendo de um fator que nenhum satélite consegue controlar: o comportamento humano.
Veronez alerta que grande parte dos incêndios florestais está relacionada à ação humana, intencional ou acidental, e poderia ser evitada.
“Um incêndio de grandes proporções coloca em risco a vida de animais silvestres e pode afetar comunidades inteiras”, afirma.
Em períodos de estiagem e baixa umidade, quando a vegetação do Cerrado se torna especialmente vulnerável, uma pequena chama pode rapidamente ganhar grandes proporções. A combinação de tecnologia, vigilância permanente, brigadistas e conscientização passa, portanto, a funcionar como uma espécie de cinturão de proteção para milhares de hectares de vegetação nativa na região de Porto Primavera.


