Sem celular, morador “das antigas” vira referência de serviços no José Abrão
Há mais de 30 anos no bairro, Márcio mantém rotina simples e faz bicos para complementar a renda
Aos 63 anos, Márcio da Silva Santos é daqueles personagens que ajudam a contar a história do bairro onde vive. Morador do José Abrão desde 1994, quando se casou, ele acompanha as transformações da região com a memória de quem viu o lugar se desenvolver, mas mantém um modo de vida cada vez mais raro. Senhor Márcio não tem telefone celular. Quem precisa de seus serviços precisa ir até sua casa e “bater palma no portão”.
RESUMO
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Nascido em Campo Grande, no Bairro Amambaí, Márcio chegou ao José Abrão por causa da então namorada, hoje esposa. “Namorei, noivei e casei. Ela já morava aqui e me trouxe. Estou até hoje,” resume.
Quando chegou ao José Abrão, a paisagem era bem diferente. “Aqui neste gramado era peladão. Não tinha cerca, não tinha praça, não tinha grama. Quando entrei, nem asfalto tinha”, lembra ao apontar para a quadra de futebol da praça do bairro.
Márcio recorda da poeira constante das ruas sem pavimentação. Na época, ele tinha um fusca e sempre que passava pelas ruas chegava ao destino coberto de terra vermelha. “Mudou muito. Hoje está bem melhor,” afirma.
Desde então, construiu família e rotina na mesma rua, onde vive com a esposa, duas filhas e duas netas. A relação com o bairro é de pertencimento. “Aqui é uma delícia, um paraíso. É uma comunidade. Todo mundo conhece todo mundo e respeita todo mundo. Isso que é gostoso”, diz.
Boca a boca - Aposentado por invalidez há 17 anos, depois de sofrer um atropelamento que deixou sequelas na perna, Márcio encontrou nos pequenos serviços uma forma de complementar a renda e, principalmente, manter-se ativo.
Ele faz de tudo um pouco, cava fossa, realiza consertos, ajuda como pedreiro, instala caixa d’água e resolve demandas domésticas variadas. Sem celular, a contratação funciona no modelo mais tradicional possível.
“Não carrego celular no bolso. O pessoal vai lá em casa perguntar se estou fazendo serviço”, conta. A ausência do aparelho não é por resistência à tecnologia, mas por prioridade financeira. “Tenho que pegar um serviço bom pra comprar um”, brinca.
Figura conhecida - A presença constante nas ruas e a disposição para ajudar transformaram Márcio em personagem conhecido entre os moradores. Aos domingos, ele mantém outra “função”, assumida com humor, a de frequentador assíduo da banca da conhecida dona Denise, onde se reúne com amigos. Todos, assim como ele, vizinhos que se conhecem há anos.
“Falam que eu sou o gerente administrativo lá. Se eu não vou, o pessoal pergunta: ‘Cadê ele?’”, relata, rindo.
Bicicleta - Para circular pelo bairro e atender chamados, Márcio conta com uma bicicleta que também carrega história. O veículo, que foi pago em parcelas de R$ 100,00, passou por negociações improvisadas e acabou reformado por um conhecido até se tornar o principal meio de transporte.
“Vou pra todo lado com ela. Se chamam pra um serviço, já vou de bike,” diz.
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