Sob intervenção, Santa Casa receberá R$ 4 milhões para custeio emergencial
Aporte de Estado e Prefeitura será usado na compra de medicamentos e materiais médico-hospitalares
Em meio a problemas administrativos, equipe reduzida e relatos de pacientes que aguardam por semanas por cirurgias, a Santa Casa de Campo Grande receberá um aporte emergencial de R$ 4 milhões para compra de medicamentos e materiais médico-hospitalares.
RESUMO
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A Santa Casa de Campo Grande recebera um aporte financeiro emergencial de quatro milhões de reais para recompor estoques de medicamentos e materiais hospitalares. O recurso foi formalizado por meio de convenio entre a Prefeitura e o Governo Estadual diante de problemas administrativos e relatos de pacientes sobre demora em cirurgias. O hospital também enfrenta investigacoes por fraudes em contratos e discute no Ministerio Publico do Trabalho solucoes para desvios de funcao da enfermagem.
O recurso foi formalizado por meio de convênio firmado entre a Prefeitura de Campo Grande, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.
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Conforme publicado no Diário Oficial de Campo Grande, o Tesouro Municipal destinará R$ 1 milhão e o Tesouro Estadual R$ 3 milhões. O dinheiro deverá ser usado para recompor os estoques e a capacidade assistencial do hospital, que enfrenta dificuldades no atendimento e na organização dos serviços.
A prefeita Adriane Barbosa Nogueira Lopes (PP), o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, e o representante da Santa Casa, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, assinaram o documento.
A vigência do convênio é de 120 dias, contados a partir da última assinatura. O acordo envolve parecer do TCE (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul).
Diante do novo aporte financeiro, o Campo Grande News entrou em contato com a Santa Casa para questionar os motivos que levaram à necessidade do custeio emergencial e como os R$ 4 milhões serão aplicados na compra de medicamentos e materiais médico-hospitalares.
Até a publicação desta reportagem, o hospital não havia respondido aos questionamentos. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
O aporte ocorre em um momento em que a Santa Casa enfrenta reclamações relacionadas à demora para procedimentos cirúrgicos.
Conforme reportagens do Campo Grande News, recentemente pacientes relataram que aguardam por semanas por operações consideradas urgentes.
Nesta terça-feira (6), um dos casos relatados foi o de Izabel Cristina Ferreira, 60 anos. Professora, ela tem um tumor no cérebro e deu entrada na Santa Casa no dia 19 de setembro para realizar uma cirurgia. Segundo a família, o procedimento ainda não foi realizado.
A demora tem provocado apreensão entre os familiares. A nora de Izabel, Juliana Rodrigues Cramolish, relatou a angústia vivida pela família.
“Estamos vivendo uma situação muito angustiante. Minhas cunhadas foram na Ouvidoria e até agora nada”, afirmou.
Outro caso é o de Luís Fernando Floriano da Silva, que sofreu um acidente de moto no domingo (4) e fraturou o fêmur. Segundo a esposa, a cirurgia necessária para tratar a fratura já foi adiada mais de uma vez.
Falta de profissionais - Além dos relatos de pacientes, a falta de profissionais também é alvo de reclamações dentro do hospital. A Santa Casa terá 15 dias para discutir soluções para situações de acúmulo e desvio de funções denunciadas por trabalhadores da enfermagem.
O compromisso foi assumido durante uma mediação no MPT (Ministério Público do Trabalho), entre a Santa Casa e o Siems (Sindicato dos Trabalhadores da Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul).
Entre as reclamações estão casos de enfermeiros e técnicos de enfermagem que estariam sendo responsáveis por atividades que não correspondem às suas funções, como coleta de exames e transporte de pacientes.
Durante o período definido na mediação, representantes do Siems, do setor de Recursos Humanos e da gestão de enfermagem deverão identificar os setores mais críticos e discutir possíveis soluções.
Uma nova reunião de mediação está marcada para 19 de outubro. A falta de maqueiros deve ser um dos principais assuntos do encontro.
Segundo o sindicato, enfermeiros e técnicos estariam sendo obrigados a transportar pacientes, desempenhando funções de maqueiros. Há relatos, inclusive, de trabalhadores que teriam sido suspensos após se recusarem a realizar a atividade.
Intervenção judicial - A Santa Casa está sob intervenção judicial e teve a antiga presidente afastada após uma operação que investigou suspeitas de fraudes e desvios em contratos do hospital.
A presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e outras cinco pessoas foram presas durante a Operação Antidotum, deflagrada para investigar fraudes e desvios de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados ao maior hospital de Mato Grosso do Sul.
A operação também cumpriu 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Segundo a denúncia, Alir Terra Lima exerceria a chefia do esquema, controlando contratações, informações fornecidas à fiscalização e decisões consideradas centrais para o funcionamento da estrutura investigada.
O então vice-presidente, Jary Carvalho de Castro, segundo a denúncia, teria atuado na priorização de pagamentos à empresa Redvalue, inclusive colocando a contratada à frente de outras obrigações, mesmo sem a correspondente prestação dos serviços.


