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Cidades

Tonelada de "Monjauro paraguaio" segue em comboio para incineração na fronteira

Segundo órgãos de fiscalização, a carga reúne mais de 20 mil itens contrabandeados

Por Clara Farias e Geniffer Valeriano | 18/06/2026 09:46
Tonelada de "Monjauro paraguaio" segue em comboio para incineração na fronteira
Produtos sendo alocados dentro do baú de caminhão (Foto: Geniffer Valeriano)

Mais de uma tonelada de medicamentos irregulares apreendidos em Mato Grosso do Sul começou a ser levada para incineração nesta quinta-feira (18), em uma ação considerada inédita pela Vigilância Sanitária Estadual. O carregamento saiu de Campo Grande com destino a Dourados, escoltado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), e reúne produtos recolhidos entre fevereiro e junho durante a Operação Visa Protege.

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Mais de uma tonelada de medicamentos irregulares apreendidos no Mato Grosso do Sul começou a ser levada para incineração nesta quinta-feira (18). O carregamento saiu de Campo Grande com destino a Dourados, escoltado pela PRF, e reúne mais de 20 mil produtos recolhidos entre fevereiro e junho pela Operação Visa Protege, incluindo canetas emagrecedoras, anabolizantes e hormônios contrabandeados ou sem registro.

Entre os itens estão canetas emagrecedoras, anabolizantes, hormônios e outros medicamentos contrabandeados, sem registro ou comercializados de forma irregular. Segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde), mais de 20 mil produtos foram apreendidos ao longo da operação, volume que ultrapassa uma tonelada.

Representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da SES e da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) acompanham o comboio. A destruição ocorrerá em uma empresa licenciada para esse tipo de procedimento ambiental.

Gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo explica que a maior parte dos produtos apreendidos tem origem na região de fronteira e era destinada à venda clandestina, principalmente pela internet. "O grande problema sanitário hoje não está mais no comércio físico. O grande problema é o comércio clandestino, o que acontece atrás das telas, nas redes sociais e nos marketplaces", afirmou.

Tonelada de "Monjauro paraguaio" segue em comboio para incineração na fronteira
Matheus Pirolo, no pátio da SES, momento em que caminhão era carregado (Foto: Geniffer Valeriano)

Segundo ele, embora as canetas emagrecedoras tenham ganhado destaque recentemente, a preocupação vai além do emagrecimento rápido. O risco está na procedência desconhecida dos produtos, na falta de controle sobre armazenamento e transporte e no uso sem acompanhamento médico.

Representando a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), Serafim Branco afirmou que a entidade acompanha com preocupação o aumento da circulação de canetas emagrecedoras e outros medicamentos vendidos fora dos canais autorizados.

Segundo ele, um dos principais problemas está nos marketplaces não regulamentados, onde o consumidor não tem garantias sobre a origem, o armazenamento e o transporte dos produtos. "Você não sabe de onde esse produto veio, qual foi a acomodação dele e ele acaba chegando ao consumidor. Muitas vezes não produz o efeito esperado e pode até causar problemas à saúde", afirmou.

Tonelada de "Monjauro paraguaio" segue em comboio para incineração na fronteira
Serafim Branco, representante da Abrafarma, em entrevista (Foto: Geniffer Valeriano

Serafim destacou ainda que o crescimento desse mercado paralelo tem mobilizado discussões entre o varejo farmacêutico e a indústria para ampliar mecanismos de rastreabilidade dos medicamentos. A proposta, segundo ele, é permitir maior controle sobre a circulação dos produtos sem necessariamente adotar as mesmas regras aplicadas aos medicamentos sujeitos a controle especial.

A Vigilância Sanitária afirma que a operação tem intensificado a fiscalização de encomendas que chegam pelos centros de distribuição dos Correios. Para Pirolo, o volume de apreensões registrado em apenas quatro meses demonstra o tamanho do mercado ilegal de medicamentos no Estado.


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