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Cidades

Vacinas foram remanejadas sem aval dos indígenas, critica conselho

Saúde anunciou redistribuição de mais de 45 mil doses alegando recusa de aldeados em se vacinar, em MS

Por Tainá Jara | 25/03/2021 17:48
Indígena é vacinada na Aldeia Buriti, em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Conselho do Povo Terena)
Indígena é vacinada na Aldeia Buriti, em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Conselho do Povo Terena)

O remanejamento de doses de vacina contra a covid-19 será realizado sem consentimento dos indígenas, de acordo com o Conselho do Povo Terena de Mato Grosso do Sul. Considerado grupo prioritário, os aldeados não foram 100% imunizados, mas perderam mais de 45 mil doses destinadas para imunização dos povos de Mato Grosso do Sul, conforme anúncio feito ontem pelo secretário de estado de Saúde, Geraldo Resende.

A redistribuição seria feita por recusa de indígenas em se vacinar. Na avaliação de Alberto Terena, coordenador do Conselho e membro da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), fakenews, falta de planejamento e gestão autoritária dos distritos sanitários são alguns fatores que desestimularam a vacinação nas aldeias.

De acordo com o coordenador, a disseminação de notícias falsas sobre a aplicação do imunizante e a falta de plano de mobilização do Governo Federal para atender as aldeias durante pandemia dificultaram a imunização de 100% das comunidades. São cerca de 80 mil indígenas no Estado, é a segunda maior população do País.

“Creio que se fizessem planejamento bem feito, com campanha dentro das comunidades, estes indígenas seriam vacinados. Onde conseguimos fazer o trabalho de conscientização, falamos da necessidade da vacina, tem acontecido a aplicação tanto da primeira dose quanto da segunda. Só mesmo onde não temos alcançado é que está ficando sem imunizar”, explicou.

Conforme levantamento do governo do Estado, existe 55.432 indígenas aldeados para serem vacinados. Do grupo, considerado prioritário na fase inaugural da vacinação, 76,12% receberam a primeira dose, enquanto 23.797 recebeu também a segunda.

Os indígenas atribuem a perda das doses aos coordenadores nomeados pela Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), no Estado. “Temos uma coordenação do Dsei totalmente autoritária. Impondo medidas sem diálogo com nosso povo, o que tem dificultado muito também a questão da vacinação”, queixou-se.

Indígenas urbanos – Houve decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) favorável a pedido de vacinação prioritária dos indígenas em contexto urbano.

A medida cautelar ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental)  709, que trata da homologação parcial do Plano Geral de Enfrentamento da Covid -19, determina que os povos indígenas em áreas urbanas e terras não homologadas deverão ser vacinados de forma prioritária.

A decisão, no entanto, ainda não foi cumprida. “Nós somos indígenas em qualquer lugar. Nós estamos perdendo vidas como os demais em todo lugar”, defendeu Alberto.

Diante da decisão do governo, de remanejar doses, os coordenador espera que o imunizante seja destinado às comunidades. Segundo ele, apenas em Campo Grande são mais de 10 mil indígenas vivendo em aldeias urbanas.

De acordo com a Sesai (Secretaria Nacional de Saúde Indígena), o distrito sanitário de Mato Grosso do Sul foi o que mais registrou morte de indígenas por covid-19 no País. Foram 85 desde o início da pandemia, no ano passado. As contaminações chegaram a marca de 4.279.

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