“Ela mente muito”, diz filha ao negar abandono de idosa acamada
Mulher afirma que mãe tem pensões e imóveis e que família tenta encontrar instituição para acolhimento

A filha da idosa de 80 anos encontrada acamada em uma casa no Jardim Centenário, em Campo Grande, negou que a mãe viva em situação de abandono. Em conversa com o Campo Grande News, ela afirmou que a idosa tem renda própria, recebe duas pensões e possui imóveis de aluguel, o que afastaria a hipótese de vulnerabilidade financeira.
RESUMO
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Uma idosa de 80 anos, encontrada acamada em Campo Grande, está no centro de uma polêmica familiar. A filha contesta denúncias de abandono, afirmando que a mãe possui renda de duas pensões e três imóveis para aluguel, além de residência própria. A situação veio à tona após amigos relatarem que a idosa estaria sozinha após fraturar o fêmur. A filha alega que tanto ela quanto o irmão, que mora em Portugal, tentam prestar assistência, mas enfrentam resistência da mãe. Segundo ela, um processo anterior no Ministério Público foi arquivado por não constatar vulnerabilidade.
“Minha mãe não é abandonada e nem necessitada. Ela tem rendas, recebe duas pensões e possui três casas para aluguel, além da casa onde mora. Não precisa estar ganhando coisas dos outros”, afirmou.
A mulher também contestou os relatos de amigos que procuraram o Campo Grande News por meio do canal Direto das Ruas nesta semana e acusou a mãe de distorcer os fatos. “O que parece não corresponde com a realidade. Ela mente e mente muito, convence todo mundo, mas todo mundo vai saber a verdade”, disse.
Segundo a filha, a idosa aparenta lucidez, mas apresenta sinais de que não está bem. “Ela não está lúcida. Parece lúcida, mas há algo errado”, declarou.
A filha afirmou ainda que possui documentos que comprovariam os cuidados prestados à mãe e disse que a repercussão do caso tem causado prejuízos pessoais. “Tenho inúmeros documentos que comprovam todos os cuidados que venho tendo, que sempre estive lá. Mas ela me xinga, ameaça de morte e expulsa a gente da casa dela”, relatou. “Não aguentamos mais essa situação. Vou tomar providências”, completou.
Ela também rebateu a afirmação da idosa de que teria pago sua formação acadêmica. “Ela nunca pagou um centavo da minha faculdade. Tenho testemunha viva de quem realmente me auxiliou”, disse.
De acordo com a filha, a relação familiar é marcada por conflitos antigos. Ela afirmou que tanto ela quanto o irmão, que mora em Portugal, tentam manter contato com a mãe, mas enfrentam resistência. “Nós dois sempre tentamos estar próximos a ela, mas ela sempre nos escorraça”, afirmou.
Na avaliação da mulher, a mãe age com desconfiança em relação aos filhos. “Ela tem amor ao dinheiro e nos trata mal por paranoia de que queremos algo dela, roubá-la. Somos decentes, adultos, autônomos e independentes há anos. Não queremos nada”, disse.
A filha também citou um procedimento anterior no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Segundo ela, há dois anos a idosa denunciou os filhos, mas, após apuração e avaliação por equipe de saúde, o caso foi arquivado sem constatação de vulnerabilidade financeira, alimentar ou de outra natureza.
A mulher relatou ainda que acompanhava a mãe desde dezembro e que a queda que resultou na fratura do fêmur ocorreu no fim do ano passado. Segundo ela, a idosa recebeu atendimento médico e chegou a contar com cuidadora particular. “Eu saía de Sidrolândia, cancelava compromisso de trabalho para assisti-la”, afirmou.
Ameaças e busca por acolhimento - A filha detalhou um episódio ocorrido, segundo ela, na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, quando precisou intervir após a mãe expulsar a cuidadora da residência. Ao tentar entender o que havia acontecido, afirmou ter sido insultada, ameaçada e expulsa novamente da casa.
De acordo com o relato, a idosa teria dito que não precisava da ajuda da filha porque seria cuidada por amigos. A filha afirmou ter alertado que essas pessoas trabalhavam em empregos fixos e não poderiam prestar assistência integral, mas, ainda assim, a mãe teria recusado ajuda e se negado a fornecer contato deles.
A mulher declarou também que foi ameaçada de morte durante a discussão e disse que esse tipo de comportamento é antigo, com episódios de agressões físicas, verbais e psicológicas. Segundo ela, esse histórico motivou o rompimento e o afastamento que decidiu manter desde 2006.
Após o episódio, a filha disse que procurou posto de saúde, assistência social, Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), promotoria e delegacia, em busca de medida emergencial.
Ainda conforme o relato, no dia seguinte, ela recebeu uma foto que mostraria a chegada de um carro à casa da mãe com bolsas e sacolas. A filha afirmou que pessoas próximas passaram a frequentar o imóvel e teriam ficado com a chave da residência.
Segundo a mulher, em uma das visitas da assistência social, a equipe não conseguiu entrar na casa porque a pessoa que estaria acompanhando a idosa não estava no local naquele momento. De acordo com ela, os servidores foram então até a casa da cuidadora, que teria relatado a situação.
A filha afirmou ainda que, paralelamente, fez levantamento de instituições para acolhimento da idosa. Segundo ela, a mãe tem condições de custear os próprios cuidados, mas resiste à possibilidade de ser encaminhada para uma instituição. “Tenho lutado para encontrar um lugar bom para ela. Fui até a Casa São João Bosco e, na promotoria, fui informada que ela não atende aos critérios de inclusão porque tem renda superior e imóveis particulares”, afirmou.
Ela disse que continua buscando alternativas junto com o irmão. “Eu e meu irmão, mesmo ele estando em Portugal, estamos fazendo esforços conjuntos para colocá-la em um bom lugar”, declarou.
Segundo a filha, o impasse também envolve a forma de custeio. “Ela quer de graça, mesmo tendo condição para pagar. Já solicitei medidas emergenciais e não consegui”, disse.
No relato complementar, a mulher afirmou que a mãe rejeitava anteriormente a possibilidade de ir para uma instituição e dizia que os filhos teriam obrigação de arcar com os custos por terem sido criados por ela.
A filha também relatou ter sido procurada por um amigo da mãe, que teria estranhado a conduta da idosa durante uma visita. Segundo esse homem, ela se recusou a tomar banho, trocar a fralda, substituir o lençol sujo e permitir a limpeza do quarto e a retirada de restos de comida. A mulher afirmou ter testemunhas e conversas gravadas que poderiam confirmar ameaças e recusas de ajuda.
Caso veio à tona após denúncia de abandono - A situação da idosa ganhou repercussão após amigos relatarem que ela estaria sozinha e acamada na casa onde mora, no Jardim Centenário, em Campo Grande.
De acordo com esses relatos, a mulher sofreu uma queda, fraturou o fêmur e foi levada pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), à Santa Casa, onde passou por cirurgia. Após a alta hospitalar, ela retornou para casa e teria sido orientada a permanecer três meses sem apoiar o pé no chão.
Segundo amigos, cinco pessoas se revezam para ajudá-la com alimentação, troca de fraldas e outras necessidades básicas. Uma diarista relatou que a idosa costuma ligar durante a madrugada pedindo socorro.
Ainda conforme esse grupo, equipes da assistência social visitaram o local e a polícia foi acionada em algumas ocasiões para verificar a situação.
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