A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

18/09/2013 12:10

“Maior dor do mundo”, diz mãe de bebê morto por falta de pediatra

Aliny Mary Dias
Karen e Alex perderam a primeira filha com 13 dias (Foto: Marcos Ermínio)Karen e Alex perderam a primeira filha com 13 dias (Foto: Marcos Ermínio)

Na casa onde a bebê Bianca Gavilan viveu durante 13 dias antes de sofrer uma parada cardíaca e morrer por falta de médico pediatra em dois hospitais, o clima é de tristeza e revolta. Karen Gavilan Correa tem 20 anos e ainda se recupera da perda da primeira filha esperada por toda a família.

“Eu só espero que outros bebês de outras mães não morram como a minha. Só queremos Justiça porque é a maior dor do mundo”, conta emocionada a mãe de Bianca.

A rotina e os planos de toda a família mudaram há 9 meses, quando Karen descobriu que estava grávida. Ela e o marido Alex de Souza, de 25 anos, moravam em Campo Grande e levavam a vida de um casal jovem como tantos outros.

A gravidez e a preocupação por um futuro seguro para a primeira filha levou o casal a se mudar de cidade. “A gente queria um local tranquilo e sem violência para criar nossa filha, por isso, nos mudamos para Amambai”, a cidade localizada no sul do Estado e distante 360 quilômetros da Capital foi o lar da família durante os nove meses de gravidez.

Diante da falta de estrutura médica da cidade, o casal resolveu, então, voltar para Campo Grande apenas para ter Bianca. O objetivo era esperar Karen se recuperar da cesária e a família voltaria para Amambai.

O emprego de padeiro do marido impediu que ele viesse para Campo Grande, a decisão do casal foi a de Karen vir para Campo Grande e ficar na casa da mãe, Edna Gavilan Rodrigues, de 39 anos.

Grávida, Karen chegou na Capital no dia 22 de agosto. No dia seguinte, a jovem, que teve todo o pré-natal e o parto realizado na rede privada de saúde, foi até o consultório do médico Alfeu Duarte Souza, diretor da maternidade Cândido Mariano, para a primeira consulta preparatória para o parto.

Bianca nasceu no dia 3 de setembro (Foto: Arquivo Pessoal)Bianca nasceu no dia 3 de setembro (Foto: Arquivo Pessoal)

Todos os exames, consultas e ultrasons feitos dias antes do parto atestavam que Bianca era um bebê saudável e que não teria problemas após nascer. A cesariana ocorreu no fim da manhã do dia 3 de setembro e foi um sucesso, mas a avó de Bianca precisou acompanhar todos os “passos” de Bianca a pedido da mãe.

“A minha filha já tinha um pressentimento de ficar sem a Bianca. Ela tinha muito medo que roubassem a bebê, então eu fiquei na sala de parto, no berçário e em todos os lugares que ela ia eu ficava junto”, desabafa a avó Edna.

Durante os 13 dias de vida, Bianca foi um bebê normal, segundo a família. Os problemas começaram na noite do último domingo (15) quando a criança apresentou uma dificuldade em respirar. “Eu vi que ela só respirava pela boca e estava com o olho fundo. Corri até minha mãe e resolvemos levá-la para o hospital”, conta Karen.

A decisão de chamar um táxi e levar a criança até a maternidade Cândido Mariano, orientação dada à mãe após a alta, é motivo de arrependimento da família. Chegando no local, por volta da 1 hora da manhã, o segurança da maternidade disse que não havia médico.

A segunda tentativa foi o Hospital El Kadri, mas a resposta foi a mesma. “O guarda disse que não tinha médico e que a gente tinha que ir pra Santa Casa”, explica. Desesperada, a avó de Bianca ligou para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para saber o posto de saúde mais próximo.

Bebê nasceu bem de saúde e família não entende morte repentina (Foto: Arquivo Pessoal)Bebê nasceu bem de saúde e família não entende morte repentina (Foto: Arquivo Pessoal)

A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Coronel Antonino foi a indicação dos socorristas seguida à risca pela família. Na unidade, Bianca foi atendida em 2 minutos e o diagnóstico foi breve. “Minha filha estava em parada cardíaca e a enfermeira correu para chamar os médicos da ambulância do Samu”, diz a mãe.

Os médicos tentaram todos os procedimentos de reanimação, mas as tentativas foram em vão e Bianca morreu com 13 dias de vida. Na certidão de óbito, a causa da morte é indeterminada, o que causa mais revolta à família.

Consulta rápida – Além da falta de médicos e demora de mais 1 hora pelo atendimento, outra situação que indigna a família e levanta suspeitas quanto a saúde de Bianca foi uma consulta realizada antes da mãe e do bebê terem alta.

A família explica que a médica pediatra que avaliava Bianca ainda na maternidade recebeu uma ligação durante a consulta e ficou abalada. Ao telefone, a médica havia descoberto que o sobrinho tinha morrido. A partir daí, a consulta não foi bem feita, segundo a família.

“A gente até entende que a médica tenha ficado nervosa, mas ela tinha que ser profissional e chamar outro pediatra para avaliar minha filha. Quem sabe se tivessem descoberto algum problema antes ela estivesse viva com a gente agora”, desabafa o pai.

Na tarde desta quarta-feira (18), a família irá se encontrar com o médico Alfeu Duarte, diretor da maternidade, e promete cobrar respostas. “Nós queremos uma explicação, se constatar que houve erro, vamos entrar na Justiça para que não aconteça com outras pessoas”, completa Karen.

O exame que irá atestar a causa da morte de Bianca deve ficar pronto em até três meses. 

Família diz querer Justiça e espera respostas (Foto: Marcos Ermínio)Família diz querer Justiça e espera respostas (Foto: Marcos Ermínio)


Tenho uma filha que nasceu com uma cardiopatia muito grave. que so foi diagnosticada ao nascer. Durante o meu pre-natal foi realizado todos os exames como o Ultrassom de todos os tipos, e todos foram feitos particulares, mais mesmo assim so foi detectado ao nascer. No quarto o pediatra tb não percebeu nada de errado com ela. Só momentos depois que minha bebe começou a ficar rochinha e respirar com dificuldade ai o pediatra a levaram e fizeram o Eco - cardiograma que foi mostrado que ela tinha o Coraçãozinho todo mau formado e logo foi encaminhada para a Sta Casa passando por cirurgia. Enfim o único exame que, não sei por que mais os médicos não pedem para nós MÃES é deveria ser o mais importante o ECO - FETAL. Deveria ser obrigatório, principalmente nas Redes Publicas
 
viviane freitas em 19/09/2013 16:52:16
Eu estou com o Alvaro nao podemos deixar essa morte passar em vão, vamos pras ruas já que é so dessa forma q somos ouvidos, e achei engraçado os comentários do Marcos e da Patricia com certeza não tem filhos ou tem condições de pegar um avião e ir tratar em outro lugar como podem julgar a atitude dessa mãe desesperada e mesmo q ela tenha ido em "LUGARES ERRADOS" do que adiantava ir nos outros que como podemos ver nos comentários na primeira reportagem q tem pais que foram no "HOSPITAL DA CRIANÇA", "HOSPITAL SAO LUCAS" e nao conseguiram também atendimento e aí?????? Karen vc nao foi culpada, não deixe ninguém colocar isso na sua cabeça, peço a Deus que te dê força e sabedoria pra buscar justiça pela sua Bianca tão lindinha!!!
 
katiuscia bueno em 19/09/2013 08:37:56
Que Deus e Maria Santíssima que é a mãe de todas as mães conforte o coração dessa mãe e de toda família. Que venham os médicos estrangeiros, pois os nossos não querem trabalhar. A rede pública de saúde e a rede privada está um caos. Que os nossos governantes (prefeito e governador) pensem REALMENTE no povo que um dia votou neles. Enquanto isso não acontece. Confiemos na justiça de Deus, pois essa não falha.
 
Lia Rodrigues da Silva em 18/09/2013 22:28:38
Lágrimas rolaram do meu rosto ao tomar conhecimento dessa tragédia. Também sou pai e imagino quanto o jovem casal e o resto da família estão sofrendo com a morte da Bianca que, tudo indica estaria esbanjando saúde, caso tivesse recebido assistência médica, em tempo hábil. Alguém precisa dar um basta em tamanha monstruosidade que já está se tornando rotineira na nossa querida e hospitaleira Capital. À família enlutada meus sinceros pêsames.
 
oscar mendes em 18/09/2013 22:03:30
Então quer dizer que a "pediatra" soube que o sobrinho morreu e não fez o trabalho direito? nem filho dela era, oras!!
E se for constatado que houve erro médico, vão pedir desculpas?! Vocês do Campo Grande News poderiam fazer uma matéria orientando a população em como agir no casos de emergência. Essa avó deveria ter feito o que primeiro? Ligado para o SAMU? Ido direto até a UPA? Além disso, a Maternidade é ou não a primeira opção para esses casos? Quando devemos procurar cada local desses?
Quem sabe assim poderemos orientar a população para que outros não sofram como essa família. Acho que em qualquer emergência, ligar para os Bombeiros ou SAMU é uma saída, e assim ser orientado corretamente.
 
Fernanda Marques em 18/09/2013 19:48:21
Não foi por falta de pediatra e sim por procurar em locais em que não há serviço de pronto atendimento infantil. Não existe pronto socorro onde ela foi. Na maternidade só nascem bebes, existe sim o pediatra que fica fazendo sala de parto internamente no centro cirúrgico ou sala de parto apenas. Não tem estrutura para atendimentos. NO El kadri também não existe pronto atendimento infantil. Ela deveria sim ter ido a direto a um 24 horas, um upa e foi infeliz na sua busca. lamentável. Agora a mídia e o povo devem parar de sacrificar essas instituições sendo que o erro foi dela.
 
marcos almeida junior em 18/09/2013 15:18:30
Para começar a reportagem deu entender que a mãe da criança falecida realizou os exames de pré-natal apenas 10 dias antes do parto, o que por si só já é uma negligencia da mãe quanto aos cuidados com o bebe; segundo, os hospitais que ela procurou para socorrer a criança não possuem serviço de pronto-socorro de pediatria. Tudo isso é muito triste, porém a familia tem que buscar um culpado para se confortar, e esse culpado sempre tem que ser o médico!
Esse é um dos motivos da saúde no Brasil estar tão ruim.... é gostoso bater sempre no médico!!!!
PS: não estou falando que em algumas situações isso ocorra sim.
 
Patricia Ferrreira em 18/09/2013 15:04:21
Li a noticia e estou triste e ao mesmo
tempo revoltado com a falta de responsabilidade
dos nossos governantes,onde ja se viu uma criança de 13 dias de vida
morrer pq não tinha pediatra em uma maternidade?
se a enfermeira conseguiu ver que o anjinho estava em parada cadiaca
será que outro médico tbm não conseguia ver isso,mais não deixaram a criança morrer,vamos acordar pq hj foi vitima foi esse mãe,amanha pode ser eu ou vc.
 
Alex Dourado em 18/09/2013 12:39:32
Sou pai e uma coisa dessas com minha filha J A M A I A S ficaria sem justiça. Do homens, de DEUS ou minha, mas alguem iria pagar, a ia!
 
Alex andré de souza em 18/09/2013 12:35:09
Mais de sessenta advogados assinaram um manifesto para que a justiça desse um HC para um traficante e consumidor de drogas, que se diz artista e ativista. Agora quero ver quantos irão se solidarizar com esta família, humilde, que perderam uma vida por falta de estrutura em nossa rede hospitalar. Procurar culpados não adianta mais. Temos sim, que tomarmos providências, punindo os principais culpados(Os políticos). Vamos para as ruas. Vamos começar um protesto silencioso que culminará nas eleições do ano que vem. Diga não mas eleições.
 
Alvaro Roberto em 18/09/2013 12:34:02
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions