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Capital

Casas à venda e móveis na rua mostram drama de alagamentos no Otávio Pécora

Alguns reforçaram os portões para impedir a passagem da água, outros construíram pequenos muros ou degraus

Por Izabela Cavalcanti e Mileny Barros | 11/03/2026 09:07
Casas à venda e móveis na rua mostram drama de alagamentos no Otávio Pécora
Móveis e colchões deixados na frente de casa no Otávio Pécora; imóvel ao lado já está à venda (Foto: Osmar Veiga)

A cada nova chuva, o cenário se repete no Conjunto Residencial Otávio Pécora, em Campo Grande: água invadindo ruas, barro espalhado pelo asfalto e moradores tentando salvar o que conseguem dentro de casa. Para alguns, a única saída tem sido abandonar o imóvel e deixar móveis destruídos para trás.

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Moradores do Conjunto Residencial Otávio Pécora, em Campo Grande, enfrentam graves problemas com alagamentos frequentes. Na Rua Jaburu, uma das mais afetadas, famílias abandonam suas casas, deixando móveis destruídos para trás, enquanto outras tentam se proteger construindo degraus e reforçando portões. A Prefeitura reconhece que o sistema de drenagem da região é antiquado e insuficiente para o volume das chuvas. Um projeto de R$ 80 milhões está previsto para solucionar o problema, incluindo obras de drenagem, pavimentação da Rua Corguinho e construção de barragens de contenção.

Na Rua Jaburu, uma das mais afetadas pelas enxurradas, a equipe de reportagem encontrou uma casa que retrata bem o drama vivido pelos moradores. Na frente do imóvel estavam espalhados os restos de sofá, colchão e armários. A família já havia até se mudado, estavam apenas um pedreiro e algumas pessoas que ajudavam a terminar a mudança.

Casas à venda e móveis na rua mostram drama de alagamentos no Otávio Pécora
Móveis estragados pela chuva foram colocados em frente à residência e casa ao lado já está à venda (Foto: Osmar Veiga)

Segundo vizinhos, os estragos não são consequência apenas da chuva de ontem (10), mas também do temporal que atingiu a região no dia 24 de fevereiro, quando a água tomou conta de várias casas. Nesse dia, até as paredes de outra residência ficaram destruídas pela força da água.

Placas de “vende-se” e de “aluga-se” já começam a tomar conta da rua. Quem ainda não conseguiu ir embora tenta encontrar maneiras de sobreviver às chuvas. Alguns reforçaram os portões para impedir a passagem da água, outros construíram pequenos muros ou degraus na entrada das casas para barrar a enxurrada.

A dona de casa Ana Cecília Figueiredo, de 66 anos, vive no bairro há mais de 30 anos e mora com os filhos. Ela conta que teve que construir um degrau para impedir a entrada da água para dentro de casa.

Casas à venda e móveis na rua mostram drama de alagamentos no Otávio Pécora
Ana Cecília parada em frente à casa de um vizinho (Foto: Osmar Veiga)

“Eles [prefeitura] vieram, limparam bueiro, jogaram uma água e foram embora. Depois disso, nunca mais. A rua continua cheia de barro e toda vez que chove fica suja assim. Sábado, a vizinha ligou lá e perguntou se iam voltar, falaram que não. Aí fica assim, abandonado”, relata.

A dona de casa Maria Aparecida Garoni, de 70 anos, também enfrenta o problema. Na casa dela, a água costuma chegar até a varanda e deixar tudo sujo, mas não entra dentro do imóvel porque ela também construiu um degrau na entrada.

Casas à venda e móveis na rua mostram drama de alagamentos no Otávio Pécora
Maria Aparecida conversando com a equipe de reportagem sobre os alagamentos no bairro Otávio Pécora (Foto: Osmar Veiga)

Mesmo assim, ela convive com o medo constante. “É muito triste, muita gente perde tudo aqui. A rua está vazia. A mais complicada é aqui, porque vem tudo para cá, a água desce. A vizinha teve que pagar um carro para tirar as coisas que estragaram na casa dela. Ela perdeu tudo”, contou.

Ela mora sozinha e diz que cada chuva traz apreensão. “A chuva dessa madrugada foi tranquila, mas toda vez que chove é um medo, porque eu moro sozinha.”

Casas à venda e móveis na rua mostram drama de alagamentos no Otávio Pécora
Na  Rua Jaburu, o portão de uma casa está reforçado com placa de aço (Foto: Osmar Veiga)

A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou ao Campo Grande News que o sistema de drenagem da região é antigo e não comporta o volume de água das chuvas concentradas, quando chove muito em curto período de tempo.

Entre as medidas apontadas pelo município está o projeto de drenagem e pavimentação da Rua Corguinho, além da construção de barragens para retenção da água. Conforme já informado pela Prefeitura, o projeto está orçado em R$ 80 milhões.

Casas à venda e móveis na rua mostram drama de alagamentos no Otávio Pécora
Uma das casas do Otávio Pécura tem uma parte mais alta logo na entrada, com a construção de um muro (Foto: Osmar Veiga)

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