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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

29/06/2012 12:17

Para sobreviver, Rádio Clube pode ter que vender parte do patrimônio

Nadyenka Castro e Gabriel Neris

Débito do clube mais tradicional da cidade chega perto de R$ 16 milhões, maior montante para o INSS

Caso sócios optem pela venda da Unidade I, sede Campo irá concentrar todas as atividades do Rádio Clube. (Foto: Minamar Júnior)Caso sócios optem pela venda da Unidade I, sede Campo irá concentrar todas as atividades do Rádio Clube. (Foto: Minamar Júnior)

Tradicional em Campo Grande, o Rádio Clube pode ser colocado à venda. O motivo: o clube está lotado de dívidas. O montante chega perto de R$ 16 milhões.

A principal dívida é com o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). São aproximadamente R$ 14 milhões que foram refinanciados. Há duas parcelas em atraso e se três ficarem em aberto, o refinanciamento é cancelado.

“O clube está nas mãos dos sócios”, resume Milton Borges, integrante do Conselho Deliberativo do Rádio Clube, ao explicar que o futuro de 87 anos de história depende de decisão dos associados que será tomada em Assembleia Geral a ser realizada em julho.

De acordo com Borges, os problemas financeiros do Rádio Clube começaram no início da década de 80. Desde 1981 o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) da Unidade II, na avenida Interlagos, não é pago. Desde 1996, deixaram de ser feitos pagamentos do imposto da Unidade I e ao INSS.

O INSS e o IPTU são as principais dívidas. Só de IPTU são cerca de R$ 3,9 milhões. Mas há também débitos com plano de saúde, companhia de gás, Enersul, diversos fornecedores e empréstimos bancários: tudo isso chega a R$ 15,9 milhões.

Para quitar a dívida com a União, em setembro de 2009 o Rádio Clube fez o refinanciamento em 180 meses. “Prazo máximo”, lembra Milton. O montante de R$ 14 milhões reduziu para R$ 11 milhões.

Para pagar em dia as parcelas, além da taxa de manutenção, os 1,6 mil sócios passaram a contribuir com R$ 50 a mais. Esta quantia era exclusiva para o pagamento do refinanciamento.

Em outubro o Rádio Clube já tinha 400 sócios a menos e aquele ano fechou com apenas 900 títulos. E aí os problemas aumentaram. O Clube fez campanhas para atrair mais sócios, lançou novas modalidades de títulos e até mês passado eram 1.465.

Estes 1.465 sócios geraram receita média mensal, nos primeiros cinco meses deste ano, de R$ 210 mil. Além do dinheiro com a manutenção, o Clube tenta gerir as despesas com locações de espaços, que de janeiro a maio deste ano renderam, mensalmente, média de R$ 41 mil.

De janeiro a maio deste ano, o clube recebeu R$ 1.719.854 e pagou R$ 1.795,029. Situação que gerou déficit de R$ 75.375. Além deste déficit, outro montante que deixa o Clube no vermelho são R$ 476 mil em compromissos que não foram cumpridos, não incluídos aí a dívida com o IPTU.

INSS - Conforme Milton, o contrato de refinanciamento prevê o cancelamento do acordo caso não haja o pagamento de três parcelas – consecutivas ou não-. Se houver cancelamento, a dívida retorna aos R$ 14 milhões.

Sede Cidade do Rádio Clube - Unidade I. Vários espaços da unidade estão destinados para locações. (Foto: Ângela Kempfer)Sede Cidade do Rádio Clube - Unidade I. Vários espaços da unidade estão destinados para locações. (Foto: Ângela Kempfer)

O parcelamento também pode ser cancelado caso, no fim, haja algum boleto em atraso.

Além do débito com refinanciamento, o Clube tem dívida também com o repasse mensal do INSS dos funcionários.

Por conta da falta de pagamento, as duas unidades do Rádio Clube estão penhoradas na Justiça. “Há várias ações de execução fiscal na Justiça”, fala Milton.

O que fazer? - De acordo com Borges, vão ser apresentadas aos sócrios duas alternativas para quitação das dívidas: reajustes das taxas de manutenção e da contribuição para o refinanciamento, “em mais de 50%”, lembra Borges, ou a venda de um dos imóveis.

Conforme o presidente do Conselho Deliberativo do Rádio Clube, Delcindo Vilela, “as despesas da sede cidade superam três vezes mais as despesas da sede campo. Não tem condições de manter esse clube no centro da cidade, não tem estacionamento, não tem como fazer investimento. O que queremos fazer, se houver a venda vamos levar tudo pra lá”, disse.

A decisão sobre o que será feito deve ser tomada em assembleia geral, em julho.

Para o presidente do Clube, Omar Ayoub, caso os sócios optem pela venda da Unidade I (Centro), o projeto é concentrar todas as atividades do Rádio na Unidade II. “Será o melhor clube do Centro-Oeste”, disse. “Teremos a melhor academia da cidade, faremos um novo salão de festas, um grande restaurante”, afirma.

Ayoub lembra que “com as duas sedes a manutenção é muito alta”, que a possibilidade de venda “é só um estudo”, que “não tem ninguém interessado nos imóveis” e são os sócios quem irão decidir o futuro do Clube.

A Unidade I tem 6,7 mil metros quadrados e a Unidade II 141,4 metros quadrados. Para Milton, as duas unidades juntas devem somar, pelo menos, R$ 50 milhões.

Tradição-Em jogo, está o patrimônio de um estabelecimento que, por ser o mais antigo sempre foi considerado o clube da elite, onde, durante décadas foi realizada a principal festa de carnaval da cidade, as festas de formatura e casamentos.

O Rádio Clube também tem tradição no esporte, com a revelação de talentos da natação, por exemplo.

O clube nasceu em 1924, da união entre aficionados pelo rádio, que era uma novidade da época. O Rádio Clube completará 88 anos no dia 27 de dezembro.

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Culpar a carga tributaria pela quebra do clube é muita falta de conhecimento. Impostos e contribuições não quebram nimguém, e os clubes são em sua maioria os que menos pagam impostos. O que o que ocorreu foi sim MÁ ADMINISTRAÇÃO. Se em vez de colocarem na administração politicos e almofadinhas, tivessem colocados administradores, certamente o clube estaria com suas finanças em dia.
 
MARCO COSTA em 30/06/2012 08:53:03
Antes de se fazer venda de patrimonio tem que haver profissionalizacao da administracao, para que tehamos exito futuro!
 
Marcos R Gimenez em 30/06/2012 08:47:37
Fui socio do radio, e concordo com a venda da unidade do centro, e centralizar tudo na unidade II (campo), se isso acontecer voltarei a ser sócio!.
 
walter Luiz Queiroz Nunes em 30/06/2012 07:33:53
Não Adianta vender Patrimonio e Continuar com os mesmos problemas, o que os Clubes precisam é profissionalizar sua gestão, tratar o clube como uma empresa, que precisa gerir recursos para sua manutenção, e oferecer cada vez mais opções de lazer aos seus associados, trazer o associado para dentro do clube..
 
José da Silva em 30/06/2012 07:21:07
estamos mudando Brasil. Onde hà anos era considerado lugar de granfino, vai ser fechado. é dificil manter fachada, um dia a mascara de ostentação de riqueza cai.
 
Gilberto DIAS em 30/06/2012 04:13:12
Está na hora de colocar um cara decente pra dirigir esse clube.
Villasanti na cabeça!
 
manoel dias em 30/06/2012 03:00:43
Durante muitos anos frequentei o Radio Clube quando ai residi.No dia 7 deste mes passei em frente e senti saudade. Nao vamos permitir que se perca essa joia rara da nossa querida cidade morena. Helio Cuiaba mt
 
HELIO MANOEL EHRET em 29/06/2012 12:38:39
A adm. Rádio Clube deveria chamar os grandes tributaristas desta cidade e buscar uma solução, sou sócio do clube há vários anos, e nunca ouvi, nas reuniões, buscarem apoio com tributaristas como Ayres Gonçalves ou Alexandre Bastos - que certamente apontariam um caminho menos traumático. Um telemarketing consultaria os mil associados e definiria a venda. Se for sede centro será o fim da história.
 
nilson da silva feitosa em 29/06/2012 11:24:25
Com os condôminios virando clubes, quem precisa de clubes.
 
Pedro Silvério Silva em 29/06/2012 10:45:21
Desde 1981 sem pagar IPTU......caso uma família ficar 5 anos em Campo Grande sem pagar vai para rua...cidade eletista....onde a Lei é para poucos.
 
Juarez de Souza em 29/06/2012 10:44:13
Lamentavel. Incompetencia administrativa . Uma vergonha onde chegou o nosso querido Radio Clube. Falta de dirigentes com competencia . Essa historia da venda da unidade 1 para pagamento de divida esta mal contada. Uma boa justificativa para encobrir a intencao por tras da venda . Muito interesse em jogo. E' bom a imprensa ficar atenta sobre essa questao. Vai rolar um volume de dinheiro grande.
 
Rufino C. Freitas em 29/06/2012 09:31:41
..transforma em templo evangélico, rapidinho paga-se a conta...!!
 
Sergio Correa em 29/06/2012 07:56:56
Dá vontade de chorar...Minha infância e juventude foi frequentando o Rádio Clube, com diretorias de homens capazes e honestos, incluíndo meu primo Walmor, Gabura, Ercy Barcelos...etc. Tantos anos sem problemas e de repente, conseguiram afundar o nosso patrimônio...
 
NILZA FLORES DA ROCHA CARUSO em 29/06/2012 07:44:07
Para mim a má administração e a corrupção é que gerou todos os problemas, já que os sócios é quem pagam o "pato", pois quando foi refinanciado em 180 meses este vem sendo cobrado nas mensalidades dos sócios e mesmo assim não pagaram o INSS. Então o que esta ocorrendo, cadê uma prestação de contas clara.
 
Ines Paludo em 29/06/2012 07:28:44
Sou socio do clube,sou a favor da venda da unidade 1,para que o radio viva mais 87 amos,e a tradiçao so vai mudar de endereço, sera ma av.interlagos.VIVA O RAIO CLUBE.
 
bianor jorge monteiro netto em 29/06/2012 05:13:19
(continuação) ...consideravelmente suas receitas. O poder público tem uma parcela de culpa nisso tudo, com exigências descabidas para o funcionamento dos clubes.
Precisamos de uma frente de discussão pra debater o papel dos CLUBES SOCIAIS de C.Gde sob pena de vermos a grande maioria fechar suas portas ou como quer o Radio vender seu patrimônio ...lamentável.
 
Jonas de Paula em 29/06/2012 04:11:46
Infelizmente essa não é uma situação isolada do Radio Clube, a maioria dos clubes sociais sofrem do mesmo mal.
Nos últimos anos foi se deteriorando as finanças dos clubes e consequentemente houve também uma debandada dos associados.
Falta atividades sociais, esportivas e recreativas para se tornarem atrativos novamente, além do que impostos como ISS, IPTU, INSS sobrecarregam ...(continua) ..
 
Jonas de Paula em 29/06/2012 04:09:27
CHAMEM O GABURA!
 
FERNANDO NOVAES em 29/06/2012 03:38:11
Òtima idéia , vender a unidade central e concentrar somente na unidade campo!
 
idevan rodrigues de souza em 29/06/2012 03:22:46
Sou socio do radio, e concordo com a venda da unidade do centro (sauna), e centralizar tudo na unidade II (campo).
 
Emilio Carlos Silva em 29/06/2012 02:39:07
Sem fazer comparações mais já comparando, este clube está indo para o mesmo caminho que um certo clube de futebol da Bandeirantes foi. Sem uma administração competente faz-se o que é mais fácil: VENDE O PATRIMÔNIO e acaba com tudo e sorte de quem meteu a mão grande na época das vacas gordas, só que agora paga-se um preço muito mais doloroso que é vender um pedaço da história de Campo Grande.
 
Daniel Nicolas em 29/06/2012 02:24:38
O clube não precisaria ser fechado ou vendido, se tivesse administradores de qualidade e competencia e não pessoas que so querem lucrar com o dinheiro alheio.
 
Marta Joventina em 29/06/2012 01:41:00
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