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Capital

Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes

Perícia descobriu que pistola apreendida por porte ilegal foi usada em três homicídios

Por Aline dos Santos | 02/04/2026 13:29
Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes
Microcomparador custou R$ 1,7 milhão e amplia imagem em 243 vezes. (Foto: Juliano Almeida)

Passar pela porta do Núcleo de Balística Forense, que se abre somente para quem tem a senha numérica da fechadura, é conhecer um universo em que cada arma, bala e cápsula conta sua história. Para decodificar os vestígios, somam-se equipamentos milionários, que se conectam ao Sinab (Sistema Nacional de Análise Balística) e são capazes de aumentar uma imagem em 243 vezes, e a expertise dos peritos criminais.

RESUMO

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O Núcleo de Balística Forense de Mato Grosso do Sul utiliza equipamentos milionários, como um microcomparador de R$ 1,7 milhão, para conectar armas a crimes por meio do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). Ativo desde julho de 2023, o estado registrou 1.926 inserções e 124 correspondências no banco de dados, incluindo casos que ligaram uma pistola a três homicídios e crimes em estados vizinhos.

Como cada arma tem a sua identidade, o levantamento mostra por quantos locais de crime uma pistola, um revólver ou um fuzil passaram. Um caso emblemático de “hit”, quando há ligação entre mesmos elementos de munição em ocorrências criminais distintas, tem uma pistola como protagonista.

Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes
Núcleo de Balística Forense é responsável por laudo de armas. (Foto: Juliano Almeida)

A arma foi apreendida por porte ilegal e, ao passar pelo banco de dados, a equipe do núcleo descobriu que a pistola foi usada em três homicídios. Em outro caso, a conexão foi com crime no Mato Grosso. A arma, apreendida no interior de Mato Grosso do Sul, esteve num assassinato também no estado vizinho.

“A gente está gerando dados através do Sinab para a investigação. Antes, só fazíamos caso fechado de confronto balístico. Hoje é completamente diferente. Por meio do Sinab, a gente consegue ligar crimes sem necessariamente ter uma requisição. É uma inteligência pericial”, afirma o chefe do Núcleo de Balística Forense, perito criminal Jucelino José de Souza Filho.

Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes
O perito criminal Jucelino José de Souza Filho é chefe do Núcleo de Balística Forense. (Foto: Juliano Almeida)

No chamado caso fechado de confronto balístico, a arma era encaminhada para perícia sob suspeita de ter sido usada em determinado homicídio. Em Mato Grosso do Sul, o Sinab está ativo desde julho de 2023 e contabiliza 1.926 inserções no banco nacional. No período, foram 124 “hits”. O Estado está à frente de Goiás, que detém a tecnologia há mais tempo.

Tudo começa com um tiro – A exemplo do crime, o confronto balístico começa com um disparo. Mas, na Coordenadoria-Geral de Perícias, em Campo Grande, o tiro é na câmara de recuperação de projéteis, que utiliza um gel cujo galão custa R$ 20 mil. O espaço tem isolamento acústico, exaustor e máscaras por conta dos gases, além de luvas para o manuseio da arma.

Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes
Pistola no Núcleo de Balística Forense, em Campo Grande. (Foto: Juliano Almeida)

Ao passar pelo cano da arma, os projéteis são “gravados” pelos microestriamentos, também chamados de microranhuras e que não são visíveis a olho nu.  O cano da arma tem raias para dar direcionamento e precisão ao projétil.

“É como se cada arma tivesse um DNA próprio, uma identidade específica. As microranhuras são referentes somente àquela arma. Podes ser o mesmo modelo, o mesmo fabricante, mas as microrahuras sempre serão diferentes. No caso da pistola, quando o percurtor acerta o estojo, também deixa marcações que são próprias somente daquela arma. Na soma desses elementos, a arma fica com uma identidade só”, diz o perito criminal.

Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes
O cano da arma tem raias para dar direcionamento e precisão ao projétil. (Foto: Juliano Almeida)

A estrela de R$ 1,7 milhão - Na sequência, bala e cápsula vão para equipamentos que registram o padrão dos elementos de munição no Sinab. Nesse escaneamento, cada um vai apresentar suas marcas. Na primeira fase, o aparelho faz o trabalho entre 10 e 20 minutos. A imagem vai para o sistema, o que permite que todo o Brasil tenha acesso ao dado.

O cadastro inclui o número do Boletim de Ocorrência e o tipo de crime. O mesmo escaneamento é feito na munição recolhida pela perícia no local do fato ou extraída das vítimas.

Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes
Detalhe mostra a bala inserida no microcomparador. (Foto: Juliano Almeida)

O próximo passo é a central do match point, quando os dados serão comparados com duas listas já disponíveis no banco, uma estadual e a outra nacional.

Conforme o chefe do Núcleo de Balística Forense, o sistema mostra as melhores possibilidades, mas o perito é quem faz a análise e verifica se aquele caso é um hit positivo.

Com aparelho de R$ 1,7 milhão, perícia revela DNA de arma e ligação entre crimes
Peritos Jucelino (à esquerda) e Breno Queiroz no Núcleo de Balística Forense. (Foto: Juliano Almeida)

O profissional abre as duas imagens para verificar se têm equivalência: a do caso de referência e a do elemento coletado em local de crime ou retirado da vítima. Quando “dá hit”, a perícia liga a arma a um local e crime.

No último estágio, bala e estojo são inseridos num microcomparador que custou R$ 1,7 milhão e chegou a Campo Grande há um ano. Com luzes, lentes e câmeras, ele aumenta a imagem em mais de 240 vezes e proporciona uma visão em três dimensões.

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Imagem ampliada de cápsula durante perícia. (Foto: Juliano Almeida)

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