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Capital

Contratadas por convênios negam ser fantasmas e pedem concurso

Maioria dos trabalhadores é recreador e merendeira nas creches do município

Por Mayara Bueno e Guilherme Henri | 17/05/2016 08:35
Contratados via Omep e Seleta estão na Praça do Rádio para mostrar que não são fantasmas. (Foto: Marcos Ermínio)
Contratados via Omep e Seleta estão na Praça do Rádio para mostrar que não são fantasmas. (Foto: Marcos Ermínio)
Funcionários levaram cartazes e intenção é ir à Prefeitura. (Foto: Marcos Ermínio)
Funcionários levaram cartazes e intenção é ir à Prefeitura. (Foto: Marcos Ermínio)

Pelo menos 200 contratados na Prefeitura via Omep (Organização Mundial pela Educação Pré-Escolar) e Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária estão na Praça do Rádio, em Campo Grande, nesta terça-feira (17). O protesto é para mostrar que eles não são funcionários fantasmas e não recebem salários exorbitantes, a despeito das irregularidades apontadas pelo MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul).

O inquérito que apurou as irregularidades resultou na determinação, por parte da Justiça, de demissão dos 4,3 mil funcionários.

A ideia é se reunir na Praça e de lá seguir para a Prefeitura de Campo Grande, onde tentarão chamar a atenção do prefeito Alcides Bernal (PP). Segundo a presidente do Senalba (Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social e Formação Profissional), Maria Joana, se hoje a manifestação for tímida será em virtude de que muitas funcionárias estão sendo coagidas pelas diretoras. A maioria dos trabalhadores atua nos Ceinfs (Centro de Educação Infantil). 15 das 99 creches estariam com os setores de merenda e recreação paralisados.

A intenção da manifestação, diz, é chamar atenção dos órgãos públicos envolvidos no impasse e pedir por um novo concurso público, para que os demitidos possam ter uma chance de se colocar no mercado novamente. “Queremos mostrar que não somos fantasmas, que nós existimos e trabalhamos”, afirma. O último concurso aconteceu em 2013. Ao Executivo Municipal, os manifestantes pedem bonificação para os servidores de carreira.

Há quatro anos trabalhando como recreadora, Jéssica Mendes, 29 anos, também demonstrou preocupação se a Prefeitura conseguirá pagar a rescisão de todos os funcionários. A primeira lista com 500 nomes que serão cortados foi entregue as duas entidades, na semana passada. Ambas farão um levantamento de quanto isto custará aos cofres públicos.

Para Rita de Cássia, recreadora há 10 anos, o movimento é para pedir mudanças e sensibilizar o MPE e Prefeitura. “Muitas pessoas vão pagar pelo erro de algumas”. Ela acredita que, para ser justo, o certo seria desligar somente as pessoas que se enquadram nas situações irregulares.

Irregularidades - A suspeita do MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), que impetrou com uma ação na Justiça, é de que os contratos estão recheados de irregularidades, como salários diferentes de pessoas que exercem a mesma função e até gente contratada, recebendo salário, mas sem trabalhar.

Nos autos do processo, a Justiça já identificou preso há mais de dois anos, mas que foi contratado como vigia da Seleta, por exemplo. Também há moradora e trabalhadora de outro município admitida como coordenadora de cursos. Na própria decisão, o magistrado diz que estes são apenas alguns dos casos ilegais. O Ministério Público, por sua vez, promete seguir com as investigações e pedido de punição dos possíveis envolvidos.