ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
AGOSTO, SEXTA  14    CAMPO GRANDE 21º

Capital

De adolescente a imigrante, cursos unem histórias em busca de oportunidades

Depois do certificado, desafio é transformar o que foi aprendido em clientes, emprego e renda

Por José Cândido | 14/08/2026 14:19
De adolescente a imigrante, cursos unem histórias em busca de oportunidades
Cursos gratuitos aproximam qualificação dos bairros e ajudam mulheres a buscar emprego, empreender e conquistar renda própria. (Foto divulgação)

Para algumas, o curso representa a possibilidade de abrir o próprio negócio. Para outras, é uma oportunidade de entrar no mercado de trabalho, melhorar a comunicação ou simplesmente descobrir uma habilidade. Por trás das 340 mulheres que passaram pela Escola de Capacitação da Secretaria Executiva da Mulher (Semu), em Campo Grande, estão histórias diferentes, mas ligadas pelo mesmo objetivo: conquistar conhecimento para ampliar a própria autonomia.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Escola de Capacitação da Secretaria Executiva da Mulher de Campo Grande já formou 340 mulheres em cursos como design de sobrancelhas, oratória e assistente administrativo. O programa atende principalmente moradoras da Região do Anhanduizinho e prevê expansão para as sete regiões da cidade, com novos cursos voltados à Rota Bioceânica, como camareira e recepcionista de hotel.

As capacitações chegaram principalmente a mulheres da Região Urbana do Anhanduizinho e bairros próximos. A proposta é simples e prática: levar para perto de casa conhecimentos que possam ser usados tanto na procura por emprego quanto na geração imediata de renda.

O cardápio de cursos ajuda a explicar a diversidade das participantes. Há formação em Assistente Administrativo e Oratória, mas também Design de Sobrancelhas, Manicure e Pedicure, Crochê, Bordado, Cerimonial, Protocolo e Organização de Eventos.

É nesse universo que está Kellen Carolin Duarte Orozco, moradora do Aero Rancho. Ela escolheu a área da beleza e já passou por capacitações em maquiagem, design de sobrancelhas e cílios. O certificado, para Kellen, não representa o ponto final do aprendizado. É parte de um projeto.

“Gosto muito da área e, futuramente, quero abrir meu empreendimento nesse ramo. Então, já tenho um norte de como vou poder trabalhar nessa área”, conta.

De adolescente a imigrante, cursos unem histórias em busca de oportunidades
Kellen Carolin aposta na área da beleza e pretende transformar a capacitação em oportunidade para abrir o próprio negócio. (Foto divulgação)

A história dela também revela um aspecto importante do programa: a descentralização. Quando o curso chega ao bairro, elimina parte das dificuldades enfrentadas por quem precisaria atravessar Campo Grande para buscar qualificação.

“Os cursos vindo para o bairro são muito importantes para nós, mulheres”, resume Kellen.

Do Jardim Tijuca, uma jovem aprende a usar a voz

Se Kellen pensa em transformar conhecimento em negócio, Kiara dos Santos Ogata, de apenas 16 anos, encontrou no curso uma ferramenta para o futuro.

Moradora do Jardim Tijuca, ela escolheu Oratória. Soube da oportunidade por intermédio de uma amiga da escola e decidiu participar para melhorar uma habilidade que será útil independentemente da profissão que escolher.

“Foi muito bom para mim conseguir adquirir algumas dicas e aprimorar mais meu conhecimento”, diz.

A experiência despertou o interesse por novas capacitações. No caso de Kiara, portanto, o ganho não está necessariamente associado à renda imediata. Está na preparação de uma adolescente para falar melhor, apresentar ideias, enfrentar entrevistas e se comunicar com segurança na vida profissional.

Venezuelana encontra no aprendizado uma forma de avançar

Entre as centenas de histórias está também a da venezuelana Leida Yolimar Morocoima. Ela vive em Campo Grande há sete anos e chegou aos cursos depois de receber uma mensagem encaminhada por uma profissional do Mais Social.

Leida tem uma característica que deixa evidente ao falar sobre a experiência: gosta de aprender.

“Eu amo aprender. Gosto muito do conhecimento, e a professora é muito dedicada. Ela gosta de ensinar seus alunos”, afirma.

A capacitação coincide com uma nova etapa de sua vida profissional. Leida começou recentemente a trabalhar com uma empresa de produtos e pretende continuar buscando conhecimento.

Sua trajetória acrescenta outra dimensão ao projeto: a qualificação também pode funcionar como instrumento de integração para mulheres que chegaram de outros países e precisam reconstruir redes pessoais e profissionais em Campo Grande.

Curso precisa virar oportunidade

O desafio começa justamente depois da sala de aula. Ensinar uma profissão é apenas a primeira parte do caminho. Para que a capacitação produza resultado concreto, o conhecimento precisa encontrar mercado, clientes ou oportunidade de emprego.

Por isso, a estrutura da Semu inclui iniciativas como a Sala da Mulher Empreendedora e o Emprega Mulher. A proposta é aproximar quem aprendeu uma atividade das ferramentas necessárias para começar a trabalhar.

Responsável pela Sala da Mulher Empreendedora, Waleska Veiga explica que o atendimento alcança desde procedimentos básicos, como a criação de um e-mail, até a orientação de mulheres que pretendem iniciar um negócio.

O público inclui também mulheres que passaram por situações de vulnerabilidade e procuram uma nova fonte de renda.

“Estamos à disposição delas, daquelas mulheres que querem dar um recomeço em suas vidas”, afirma Waleska.

Próxima aposta mira oportunidades da Rota Bioceânica

A estratégia de capacitação começa agora a olhar também para as transformações econômicas esperadas em Campo Grande. Uma das próximas frentes anunciadas pela Semu pretende preparar mulheres para atividades que podem ganhar demanda com a consolidação da Rota Bioceânica.

A previsão é levar cursos a cinco CRAS, com formação para funções como camareira e recepcionista de hotel, além de atividades em lanchonetes e capacitação para cuidadoras de idosos.

Segundo a secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, a intenção é expandir gradualmente as ações para as sete regiões de Campo Grande.

A aposta na hotelaria chama atenção porque aproxima a política de qualificação das mudanças econômicas esperadas para a Capital. Com a Rota Bioceânica ampliando a circulação de pessoas, mercadorias e serviços, atividades ligadas a hospedagem, alimentação e atendimento tendem a ganhar importância.

Para as mulheres que estão começando, porém, as grandes transformações econômicas têm uma tradução muito mais simples: conseguir o primeiro cliente, encontrar um emprego ou transformar uma habilidade aprendida em dinheiro dentro de casa.

É nessa escala que histórias como as de Kellen, Kiara e Leida mostram o verdadeiro resultado de um curso. O certificado registra a conclusão de algumas horas de aprendizado. O que realmente importa começa depois dele.