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Capital

De março a junho, 1,7 mil precisaram de UTI, aumento de 36% na demanda

Comparativo com mesmo período de 2019, na Santa Casa, mostra que mais gente precisou com urgência de uma UTI durante a pandemia

Por Izabela Sanchez | 10/07/2020 13:38
Corredor da unidade do trauma na Santa Casa, chamada de retaguarda da covid (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Corredor da unidade do trauma na Santa Casa, chamada de retaguarda da covid (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

De março a junho deste ano, 1761 pessoas deram entrada em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Campo Grande com quadros considerados “graves” em saúde. O número representa acréscimo de 36% sobre a demanda do maior hospital de Mato Grosso do Sul em relação ao mesmo período em 2019.

Esse número se refere aos pacientes que entraram no hospital durante os meses de março, abril, maio e junho, ou seja, é dinâmico, mas mês a mês, no mesmo comparativo com o ano passado, o aumento foi sempre significativo. Em 2019, de março a junho, 1295 pessoas precisaram de um leito de UTI da Santa Casa.

São os chamados leitos gerais para adultos. Os casos, este ano, envolvem desde ferimentos graves por acidente de trânsito até quadros de cirrose. Para a equipe médica da Santa Casa, a alta demanda na pandemia de covid-19 tem vários fatores: da inauguração de novos leitos de UTI na unidade do trauma à falta de quarentena rígida em Mato Grosso do Sul.

Chama a atenção que o mês com maior aumento foi junho, quando a curva de transmissão do novo coronavírus começou a acelerar. Em relação a 2019, nesse mês, a Santa Casa internou 57% mais pacientes com estado de saúde grave. Foram 482 pessoas.

Aumento ocorreu em todos os meses em que pacientes foram admitidos em UTIs (Imagem: Santa Casa)
Aumento ocorreu em todos os meses em que pacientes foram admitidos em UTIs (Imagem: Santa Casa)

Médica intensivista da Santa Casa, Patrícia Berg acompanha os números no “batidão do dia-a-dia” e vê nesse aumento uma série de razões. Mesmo com os novos leitos do trauma, ela comenta que a “vida normal” do campo-grandense preocupa as equipes de saúde.

Nesta semana a Santa Casa chegou a registrar lotação de todos os leitos de UTI geral, com taxa de ocupação de 99,9%. Na unidade do trauma, foi de 100%.

“Quando a Santa Casa abre mais 20 leitos de UTI geral, sabendo que o hospital é referência, acaba recebendo mais pacientes graves, acabam entrando mais nesses leitos, isso é um fator. Ocuparam-se mais rapidamente, mais soma também o fato do Regional estar voltado à covid”, comenta Patrícia.

O que a médica explica é que a pandemia fez o Hospital Regional Rosa Pedrossian ser direcionado aos casos da infecção causada pelo novo coronavírus. Tratamentos de pacientes da oncologia ou quadros de cirrose, por exemplo, passaram a entrar na Santa Casa.

A unidade do trauma, recém inaugurada, opera agora como retaguarda da covid, recebendo esses pacientes que antes iam ao Regional. “A santa casa é referência para cirúrgicos, neurológicos, politraumatizados, mas passou a receber alguns pacientes cirúrgicos que eram atendidos no Regional, como a cirurgia abdominal, referência do hospital", disse a médica.

Por outro lado, os politraumatizados do trânsito não pararam de chegar já que sair de casa também não parou. “Não dá pra dizer que reduziram, continuamos recebendo os pacientes, atendendo ortopédicos, neurológicos, de urgência e emergência. Por isso a gente faz um apelo para tentar ficar em casa, para que a gente tente não ter essa quantidade de pacientes de acidentes”, comenta a médica.

Em maio, homem atropelado foi com urgência para a Santa Casa (Foto: Marcos Maluf)
Em maio, homem atropelado foi com urgência para a Santa Casa (Foto: Marcos Maluf)

Quadros se agravam mais – Por último, outro aspecto que contribuiu para o aumento na opinião da médica, e que preocupa equipes médicas hospitalares, é que a pandemia inibiu a continuidade dos tratamentos ou a busca de unidades de saúde. Com isso, mais gente evolui para um quadro grave e precisa de internação.

“A gente tem uma percepção de que alguns quadros, eu pelo menos vi, alguns quadros cirúrgicos, de cirurgias eletivas que foram suspensas, uma pedra na vesícula, o paciente acaba ficando em casa, aguenta um pouco de dor e já chega com quadro mais avançado”, diz ela.

Patrícia cita que a pandemia fez a medicina colocar em suspensão “o foco na prevenção para evitar piorar”. A médica acredita que o reflexo, nesses quadros graves, serão mais vistos no final da pandemia.

“No final da pandemia, os que não estão fazendo acompanhamento de forma adequada, os cardiopatas, por exemplo, ou esses pacientes que tiveram cirurgias eletivas desmarcadas, eles vão se tornar urgentes, são pacientes renais, que precisava acompanhar com medicação. Isso tudo a gente tem uma previsão de que isso pode ocorrer”, finaliza.