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Capital

"Descontrolado", médico avança em aposentada e confusão vira caso de polícia

Mulher diz ter sido encurralada em sala por médico e enfermeira

Por Adriano Fernandes e Karine Alencar | 06/05/2022 21:39
Fachada do posto de saúde do Bairro Tiradentes. (Foto: Paulo Francis)
Fachada do posto de saúde do Bairro Tiradentes. (Foto: Paulo Francis)

"Um misto de humilhação e vergonha" define a professora aposentada Olenir Antonia da Silva Cunha, de 56 anos, sobre o atendimento no CRS (Centro Regional de Saúde) do Bairro Tiradentes, nesta sexta-feira (6). Depois de questionar um médico sobre por que ele deu alta para a mãe dela, de 92 anos, que aguardava transferência desde ontem (05), a professora diz ter sido ofendida diante de toda a unidade médica, enquanto o homem partia para cima dela. A confusão virou caso de polícia.

Olenir diz que a mãe precisou ser internada na manhã desta quinta-feira (05), depois de passar mal em casa. "Fui primeiro no posto perto de casa e, em seguida, eles me mandaram levá-la urgentemente para o posto. Lá, os médicos disseram que ela teve uma isquemia cerebral e, desde então, nós estávamos aguardando a transferência dela para o hospital", conta.

Nesta tarde, no entanto, um enfermeiro foi até ela e informou que o médico de plantão havia acabado de dar alta para a sua mãe. Segundo a aposentada, a justificativa dada inicialmente pelo médico era de que a idosa estava apenas desidratada, mesmo depois dela ter passado a noite inteira tomando soro.

"Todos os outros médicos haviam apontado o diagnóstico de isquemia da minha mãe. Eu pedi para o enfermeiro chamar ele para ele me explicar o porquê estava dando alta para ela, mas o médico mandou que eu fosse até a sala dele", completa.

Quando Olenir chegou na sala do médico e questionou o profissional, ele teria se exaltado. "Porque quem manda aqui sou eu. Os outros médicos não sabem de nada", teria repetido o profissional aos gritos. "Ele bateu as duas mãos na mesa, derrubou tudo no chão e pediu para enfermeira trancar a porta. Em seguida, ele colocou as duas mãos para trás e veio jogando o corpo para cima de mim, me encurralando contra a parede", relata.

A professora aposentada conta que, em determinado momento, conseguiu abrir a porta, mas as ofensas continuaram. O médico teria ido atrás dela pelos corredores do posto de saúde. "Eu comecei a gritar perguntando se eles iam deixar ele me bater. Foi quando dois guardas e alguns enfermeiros conseguiram segurar o médico", completa.

O médico ainda teria partido para cima do esposo da aposentada, que foi até o local no meio da confusão. A Polícia Militar também foi acionada pelo próprio médico e encaminhou os envolvidos para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento) do Cepol. Ao chegar na delegacia, entretanto, o médico foi embora por orientação de um advogado, sem prestar queixa.

Olenir conta que teve de levar a mãe de volta para casa e teme que o quadro clínico da idosa, se agrave. A situação deixou a aposentada traumatizada. "Nunca passei por um constrangimento tão grande quanto esse. Me senti com muita vergonha, todo mundo ficou olhando", diz aos prantos.

Sesau - Procurada pela reportagem, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) não confirma a agressão do médico, mas informou que vai procurar a unidade de saúde e abrir um procedimento administrativo e sindicância para apurar a conduta do profissional quanto ao atendimento. "Essa situação vai ser verificada para proceder com eventual punição", informou o órgão, via assessoria de imprensa.

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