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Capital

Engenheiro passa 3h de “desespero” rodando a cidade com bandidos

“Pensei que ia morrer”, conta vítima após conseguir se livrar de assaltantes

Por Anahi Zurutuza e Bruna Marques | 14/06/2021 07:42
Vítima foi à Depac do Cepol para registrar boletim de ocorrência (Foto: Henrique Kawaminami)
Vítima foi à Depac do Cepol para registrar boletim de ocorrência (Foto: Henrique Kawaminami)

Um engenheiro civil, de 28 anos, passou três horas “de desespero” rondando ruas de Campo Grande com dupla de criminosos após ser sequestrado em frente à casa da irmã, no Residencial Oiti, por volta das 3h desta segunda-feira (14). Os bandidos conseguiram fazer com que ele sacasse R$ 300 em caixa eletrônico e o abandonaram em rua próxima à Avenida Zahran, trancado em porta-malas.

“Pensei que ia morrer”, disse o rapaz ao Campo Grande News em frente à delegacia onde foi registrar boletim de ocorrência.

A vítima mora em São José do Rio Preto (SP) e conta que passou o fim de semana em Campo Grande com a namorada. Por volta das 3h, saiu da casa dela, em condomínio no Bairro Tiradentes, pegaria a irmã para que os dois voltassem à cidade do interior de São Paulo. Mas, antes que pudesse avisar a jovem que havia chegado para buscá-la, foi abordado por dois bandidos.

A dupla entrou no veículo e obrigou o rapaz a dirigir. “Falavam que estavam armados, mas não cheguei a ver”, narra o engenheiro.

Em frente à delegacia, sombra do rapaz, que pediu para ter o nome preservado e contou detalhes das horas de terror à reportagem (Foto: Henrique Kawaminami)
Em frente à delegacia, sombra do rapaz, que pediu para ter o nome preservado e contou detalhes das horas de terror à reportagem (Foto: Henrique Kawaminami)

O rapaz tem o costume de compartilhar via WhatsApp a localização em tempo real com a namorada. Por sorte, os bandidos demoraram a desligar o celular dele. O casal havia combinado que ele voltaria à casa da moça para lhe entregar uma bolsa e ela desconfiou quando o namorado começou a fazer caminho completamente estranho.

Ela ligou para a irmã do engenheiro e soube que ele não havia buscado a jovem ainda. Foi quando a família desconfiou e avisou a Polícia Militar. “Eu tremia, não conseguia ficar em pé, achei que ele seria morto. Foram umas 3 horas de desespero”, relata a namorada.

Nesse meio tempo, segundo a vítima, os bandidos passaram por vários locais onde poderiam haver caixas eletrônicos – ruas Dom Aquino e 13 de Maio, avenidas Mato Grosso e Eduardo Elias Zahran. “Quando a gente passava por algum posto de combustíveis me mandavam diminuir para ver se achavam um caixa 24 horas. Em outros momentos me mandavam correr. Cheguei a dirigir a 120, 140 km por hora. Falavam o tempo todo que iam me matar, que iam levar meu carro [um Hyundai HB20] para vender em Ponta Porã”.

O engenheiro se lembra de ter passado ao lado de uma viatura da Polícia Militar, mas não esboçou reação. “Disseram: ‘se você fizer algum sinal, a gente vai te estourar’”.

O sufoco só terminou depois que os bandidos conseguiram fazer o rapaz sacar R$ 300 em caixa de supermercado na Mato Grosso, brigaram entre si e decidiram abandonar a vítima com o carro. A dupla mandou o engenheiro entrar no porta-malas do veículo. Ele segurou a chave e os bandidos o trancaram para dentro sem tem como abrir o carro depois. Foi quando fugiram a pé com o dinheiro, celular e relógio da vítima.

Segundo o rapaz, os dois criminosos beberam pinga e usaram drogas o tempo todo. Talvez por isso não tenham percebido “o detalhe”. Com a chave, o rapaz esperou algum tempo, destravou o carro por dentro e mesmo sem o GPS, conseguiu encontrar o caminho de volta para a casa a namorada.

O sequestro “relâmpago” foi comunicado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada).

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