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Campo Grande, Quinta-feira, 18 de Abril de 2019

07/01/2019 11:10

Ex-genro que matou mulher esganada é indiciado por feminicídio

Com as investigações encerradas, o inquérito deve ser enviado a justiça ainda nesta segunda-feira

Geisy Garnes e Bruna Pasche
Wantuir se entregou na Deam no dia 28 de dezembro (Foto: Paulo Francis)Wantuir se entregou na Deam no dia 28 de dezembro (Foto: Paulo Francis)

As investigações sobre a morte de Alzai Bernardo Lopes, de 59 anos, encerram neste segunda-feira (7) com Wantuir Sonchini da Silva, de 41 anos, ex-genro da mulher, indiciado por homicídio com quatro qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Segundo a delegada Sueili Araújo Lima Rocha, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), com as investigações encerradas, o inquérito deve ser enviado a justiça ainda nesta segunda-feira.

Para a polícia, Wantuir Sonchini da Silva deve ser julgado por homicídio quadruplamente qualificado, pois cometeu o crime com os agravantes de feminicídio - quando o crime é baseado no gênero - motivo torpe, meio cruel - já que Alzai foi esganada até a morte - e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Em depoimento, no entanto, ele continua afirmando não se lembrar de ter matado a ex-sogra. Com detalhes, o suspeito contou que no dia do crime resolveu ir a casa de Alzai procurar a mulher e a filha. Para isso, pulou o muro do vizinho e entrou pela porta das fundos, que sabia sempre ficar aberta.

Ele alega que já entrou na casa gritando pela mulher e que a sogra, que já estava deitada, levantou para ver o que estava acontecendo. Os dois discutiram e, segundo Wantuir, entraram em luta. “O que é impossível. Não acreditamos que uma senhora de 60 anos tenha entrado em vias de fato com um homem”, defendeu a delegada.

Outro detalhe que contradiz a versão do assassino, conforme Sueili, são as lesões encontradas no antebraço dele. “Mostram que ele estava em cima da vítima, que causou os ferimentos tentando se defender”.

Bêbado e sob efeito de drogas, o homem afirma não se lembrar do que aconteceu depois. Conta que a sogra caiu, que pensou que ela estava desmaiada e por isso voltou a procurar a mulher pela casa. Ao ver que não estava, fugiu. Wantuir alega ainda ter “perambulado” pelas ruas até chegar a Ribas do Rio Pardo - a mais de 100 quilômetros da Capital.

“Ele é frio, dissimulado e bem articulado, porque fica quieto ou fala que não lembra, quando não quer se comprometer”, revelou a delegada. Se for condenado pelas quatro qualificadoras, Wantuir pode pegar mais de 30 anos de prisão, isso porque ele tem o agravante de já ter medida protetiva contra ele.

Ainda conforme a delegada, no caso de Alzai as denúncias feitas pela filha dela contra o ex-marido foram essenciais para esclarecer o crime. “É muito importante que as mulheres vítimas de agressão procurem a delegacia. Estamos a disposição”.



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