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Capital

Família critica descuido que transformou pedalada de criança em acidente grave

Acidente ocorre em meio a um problema antigo: a presença de fios soltos, baixos ou abandonados pela cidade

Por Geniffer Valeriano | 10/06/2026 17:57
Família critica descuido que transformou pedalada de criança em acidente grave
Jovem ficou caído na pista da Avenida Oceania. (Foto: Direto das Ruas)

Avó presenciou o acidente que deixou um menino, de 13 anos, com a sétima vértebra da coluna quebrada, na tarde desta terça-feira (9). Segundo o pai do adolescente, Emerson Oliveira, de 46 anos, o garoto havia acabado de sair da escola e seguia para casa quando atingiu um fio e foi arremessado ao chão.

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Um adolescente de 13 anos fraturou a sétima vértebra da coluna ao ser atingido por um fio telefônico enquanto andava de bicicleta em Campo Grande. O menino saía da escola quando o cabo, esticado sem sinalização por um funcionário, pegou em seu pescoço e o arremessou ao chão. Ele segue internado com colar cervical e suspeita de segunda lesão. A empresa reconheceu o erro.

Ao Campo Grande News, Emerson explicou que o filho bateu em um fio telefônico esticado a quatro quadras de casa e a uma da escola. “Ele [o funcionário] passou o fio no poste, atravessou o canteiro da avenida para chegar ao outro poste. Na hora em que foi puxar esse fio, sem nenhum tipo de sinalização, meu filho vinha de bicicleta”, relatou.

Por ser final de tarde, o pai acredita que o adolescente não conseguiu enxergar o fio por causa da espessura. “Não tinha como ele ver. O fio pegou no pescoço e jogou ele para trás. Foi aí que ele bateu as costas e fraturou a vértebra”, disse.

A avó do menino foi a primeira pessoa da família a saber do acidente. No momento em que o adolescente atingiu o fio, ela seguia em direção à escola para buscar o neto mais novo. Foi ela quem avisou Emerson.

“O que mais me indignou foi que não tinha nenhum tipo de sinalização. O profissional que estava fazendo o serviço não sinalizou. Ele reconheceu o erro, chamou o supervisor, e o supervisor também admitiu que estava errado”, afirmou.

Os primeiros atendimentos foram realizados em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde um raio-x constatou a fratura. Em seguida, o menino foi transferido para a Santa Casa para a realização de ultrassonografia, devido à suspeita de uma segunda lesão na coluna.

O adolescente é o segundo de três filhos e, segundo o pai, nunca havia sofrido um acidente semelhante. “A gente não dormiu a noite inteira. Tivemos que trabalhar no outro dia. Estou aqui no serviço agora e daqui a pouco vamos voltar para o hospital, sem saber exatamente o que está acontecendo. Bem não estamos. É complicado, bem difícil”, desabafou.

De acordo com Emerson, o menino segue internado, com o pescoço imobilizado por um colar cervical. O que traz algum alívio à família é o fato de ele ainda sentir dores e formigamentos nos braços e nas pernas.

“Ele sentiu formigamento e dores até o tornozelo. Isso está no relatório do pedido de transferência. Isso nos tranquiliza um pouco, porque, se não estivesse sentindo, ficaríamos ainda mais preocupados”, completou.

Problema antigo - O acidente ocorre em meio a um problema antigo em Campo Grande: a presença de fios soltos, baixos ou abandonados em vias públicas. Apesar de existir desde 2019 uma legislação municipal que obriga empresas de energia, telefonia, internet e TV a cabo a organizar e retirar cabeamentos inutilizados, a norma nunca foi regulamentada pelo Executivo, segundo vereadores da Capital.

No més passado, parlamentares voltaram a cobrar da Prefeitura a regulamentação da Lei Complementar 348/2019, que prevê punições para empresas responsáveis por fiações irregulares. Durante sessão na Câmara Municipal, vereadores afirmaram que a falta de regulamentação impede uma fiscalização mais efetiva e a aplicação prática das multas previstas na legislação.

O tema ganhou destaque após representantes do Projeto Rede Limpa apresentarem registros de acidentes e situações de risco provocadas por fios caídos ou pendurados em ruas e avenidas da cidade. Segundo os vereadores, mesmo após sete anos da sanção da lei, o problema continua presente tanto na região central quanto nos bairros.

No fim de 2025, a Prefeitura, a Agems, a Energisa e empresas credenciadas iniciaram a Operação Limpa Fios, que retirou cerca de 15 mil metros de cabos irregulares em uma área do Centro e tinha previsão de continuidade ao longo de 2026, com fiscalização dos mais de 2,1 mil postes da Capital e ampliação dos trabalhos para os bairros. À época, a administração municipal afirmou que o objetivo era dar sequência à chamada "faxina" na rede aérea da cidade. No entanto, a iniciativa não teve o avanço esperado e os problemas relacionados à fiação irregular continuam sendo alvo de reclamações e debates entre autoridades e moradores.

Além da cobrança pela regulamentação da norma em vigor, tramita na Câmara um novo projeto que amplia as exigências para concessionárias e empresas de telefonia e internet, prevendo identificação obrigatória dos cabos, retirada de fios excedentes e multas maiores em casos de irregularidades.

O caso do adolescente de 13 anos, que teve a sétima vértebra da coluna fraturada após atingir um fio esticado sem sinalização enquanto voltava de bicicleta para casa, reforça o debate sobre a necessidade de fiscalização e cumprimento das normas relacionadas ao cabeamento urbano na Capital.

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