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Capital

“Ficamos 1 ano procurando por ele”, lembra irmão de vítima de serial killer

Ele foi uma das testemunhas ouvidas na audiência de instrução de julgamento na 1ª Vara do Tribunal do Júri

Por Geisy Garnes | 27/10/2021 18:32
Cleber durante audiência registrada nesta tarde. (Foto: Reprodução)
Cleber durante audiência registrada nesta tarde. (Foto: Reprodução)

“Dia e noite, ficamos um ano procurando por ele. Não conseguimos encontrar”. Foi assim que o irmão de Claudionor Longo Xavier, uma das sete vítimas de Cleber de Souza Carvalho, descreveu meses de espera por notícias, que só terminaram após a prisão do homem que ficou conhecido como “Pedreiro Assassino”. Ele foi uma das testemunhas ouvidas na audiência de instrução de julgamento na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, realizada na tarde desta quarta-feira (27).

Cleber Longo Xavier, policiais envolvidos na investigação e uma vizinha com quem Claudionor manteve um breve relacionamento prestaram depoimento nesta tarde para o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, o promotor José Arturo Iunes Bobadilla Garcia e os advogados Dhyego Fernandes Alfonso e José Vinicius Teixeira de Andrade.

Ao falar do irmão, Cleber Longo lembrou ter almoçado com ele no dia 16 de abril de 2019. Foi a última vez que o viu pessoalmente. No dia 18, chegou a conversar com ele por telefone, mas depois disso, nunca mais teve notícias de Claudionor.

Nesta tarde, ele relembrou a saga da família por informação. “Tinha contato todos os dias com a gente, depois que ele desapareceu começamos a procurar ele. Registramos o boletim de ocorrência, procuramos incessantemente”.

As buscas, afirmou Cleber, o levaram à DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) da Capital várias vezes seguidas. “Eu quase morei na delegacia, de tanto que ia lá”.

A família visitou os amigos que conheciam, os patrões, os vizinhos. Descobriram que Claudionor sumiu após receber uma ligação e, segundo Cleber, tentaram a quebra do sigilo telefônico, mas não conseguiram. Meses depois, assistindo televisão, descobriram sobre a prisão do “Pedreiro Assassino” e reconheceram o nome.

“Eles trabalharam juntos em uma chácara que meu irmão cuidava, falava dele. Esse Cleber foi trabalhar como pedreiro. Mas não passou no nossa cabeça procurar ele. A gente só descobriu quando a polícia prendeu ele. Imaginou que fosse ele que tivesse matado meu irmão”, relembrou.

A confirmação, afirmou Cleber, veio em uma madrugada de maio, com um telefonema da delegacia, após mais de um ano de buscas.

Claudionor desapareceu em abril de 2019 e foi uma das sete vítimas de serial killer. (Foto: Arquivo Familiar)
Claudionor desapareceu em abril de 2019 e foi uma das sete vítimas de serial killer. (Foto: Arquivo Familiar)

Crimes em série - O assassinato foi descoberto durante as investigações da DEH sobre a morte de José Leonel Ferreira dos Santos. Na delegacia, Cleber confessou o homicídio de outras seis pessoas, entre elas, Claudionor. Relatou ainda ter premeditado o crime e cavado cova da vítima antes mesmo de matá-la.

O motivo, afirmou em depoimento policial, foi a briga por um terreno invadido por eles. O corpo de Claudionor foi encontrado no terreno localizado na Travessa Meninos Jesus, no Jardim Nova Jerusalém. Depois do crime, ele ainda pegou a motocicleta da vítima e revendeu para um primo. Hoje, o serial killer preferiu permanecer em silêncio.

Na denúncia, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul pediu que Cleber fosse levado a júri por homicídio qualificado por motivo fútil, mas nesta quarta-feira (27), após ouvir testemunhas do caso, o promotor José Arturo pediu para incluir recurso que dificultou a defesa da vítima por entender que o réu pegou um cabo de chibanca (instrumento semelhante a picareta) e atingiu Claudionor quando ele estava de costa.

Os advogados Dhyego Fernandes e José Vinicius defenderam o afastamento das duas qualificadoras. Em sustentação oral, a defesa afirmou que no caso concreto não há motivo fútil, mas sim motivo injusto, já que os dois vinham de desentendendo por conta do terreno que mantinham. Aplicou o mesmo princípio a qualificadora de surpresa, já que em nos depoimentos foram relatadas brigas entre autor e vítima. Além disso, destacou que o policial que prestou depoimento, ao contrário do reforçado pelo Ministério Público, foi taxativo ao falar que não sabia como Cleber havia matado Claudionor, pois não estava lá.

Agora cabe ao juiz decidir se Cleber vai a júri popular pelo assassinato e por quais qualificadoras responderá.

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