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Capital

Focos do Aedes aegypti são encontrados em 684 imóveis em uma semana na Capital

Com a proximidade das chuvas, Sesau prepara mutirões para conter a proliferação do mosquito

Por Jhefferson Gamarra | 13/10/2026 18:55
Focos do Aedes aegypti são encontrados em 684 imóveis em uma semana na Capital
Agente de endemias durante vistoria em imóvel da Capital (Foto: Divulgação)

Mesmo com a redução das notificações de dengue em Campo Grande, o mosquito Aedes aegypti continua circulando e sendo encontrado dentro de imóveis da Capital. Na última semana avaliada pelas equipes de controle de vetores, foram identificados focos do mosquito em 684 dos 20.364 imóveis visitados. O resultado reforça a preocupação das autoridades de saúde com a aproximação do período de chuvas, quando a combinação de calor e água acumulada pode favorecer a reprodução do inseto transmissor da dengue, da zika e da chikungunya.

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Mesmo com a queda nas notificações de dengue, Campo Grande ainda registra o Aedes aegypti: na última semana avaliada, foram encontrados focos em 684 dos 20.364 imóveis visitados. Oito bairros têm risco muito alto, entre eles Centro e Santo Amaro. A cidade soma 1.614 notificações em 2026, contra 4.603 em 2025. Com a chegada das chuvas, a Sesau prepara mutirões e ações educativas, e lembra que cerca de 80% dos focos estão em residências.

Diante desse cenário, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) está organizando ações preventivas para ampliar o combate ao vetor, com mutirões, mobilização dos moradores e atividades educativas. O planejamento foi discutido nesta terça-feira (13), durante a 5ª Reunião Ordinária do Comitê Municipal de Enfrentamento às Arboviroses, realizada no auditório do CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul).

O encontro reuniu representantes da saúde, de órgãos governamentais e da sociedade civil para avaliar os indicadores epidemiológicos do município e estabelecer prioridades para as próximas ações. Um dos objetivos é identificar as regiões que precisam receber mutirões e ampliar a participação de diferentes setores no trabalho, incluindo secretarias municipais, Exército, associações de moradores e iniciativa privada.

A preocupação com os imóveis tem relação direta com a reprodução do mosquito. Segundo a Sesau, cerca de 80% dos focos do Aedes aegypti estão nas residências. Por isso, além das vistorias realizadas pelas equipes de saúde, a eliminação de recipientes que acumulam água depende da participação dos moradores.

Oito bairros apresentam risco muito alto - Apesar da redução dos registros de dengue em comparação com o ano passado, o levantamento de índices do Aedes aegypti identificou risco muito alto em oito bairros de Campo Grande: Centro, Chácara dos Poderes, Santo Amaro, Carvalho, Noroeste, Nova Lima, Carlota e Santo Antônio.

De acordo com a superintendente de Vigilância em Saúde, Veruska Lahdo, o cenário exige a continuidade das medidas de prevenção, mesmo com a diminuição dos casos notificados.

“O panorama mostra que a cidade está em momento de controle, mas não de descanso. O levantamento de índices do Aedes aegypti identificou risco muito alto nos bairros Centro, Chácara dos Poderes, Santo Amaro, Carvalho, Noroeste, Nova Lima, Carlota e Santo Antônio”, explicou.

A avaliação foi apresentada em meio à preparação das equipes para o período chuvoso, quando a água acumulada em recipientes, calhas e outros pontos pode criar condições favoráveis à reprodução do mosquito. A identificação das áreas de maior risco deve ajudar a direcionar as ações de campo e a mobilização dos moradores.

Notificações de dengue caem em relação a 2025 - Conforme o Informe da Sala de Situação das Arboviroses nº 227, de 24 de setembro, Campo Grande registrou 1.614 notificações de dengue em 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 4.603 notificações.

O município também registrou 43 casos confirmados de chikungunya e um de zika. Até o levantamento divulgado, não havia registro de mortes por arboviroses em 2026.

A superintendente de Vigilância em Saúde também destacou os números divulgados pelo Ministério da Saúde sobre os casos prováveis de dengue. Segundo os dados mencionados por Veruska, Campo Grande contabilizou 57 casos prováveis em 2026, sem mortes. Em 2025, foram 534 casos, incluindo um óbito.

“A redução é positiva, mas não significa que o município possa diminuir a vigilância”, afirmou.

A diferença entre os indicadores reforça a importância de observar os critérios de cada levantamento: as notificações registram suspeitas comunicadas aos serviços de saúde, enquanto os dados de casos prováveis seguem a classificação utilizada pelo Ministério da Saúde.

Comitê prepara mutirões e ações educativas - Criado pela Resolução Sesau nº 963, de março de 2026, o Comitê Municipal de Enfrentamento às Arboviroses tem como objetivo integrar iniciativas de educação em saúde e mobilização social para combater doenças transmitidas por mosquitos.

Durante a reunião desta terça-feira, as entidades participantes apresentaram propostas e discutiram as ações já realizadas pelas equipes de campo. Também foram abordadas a campanha educativa “Juntos contra as Arboviroses” e a disponibilidade de insumos utilizados no controle do vetor.

A estratégia prevê a definição de regiões prioritárias para os mutirões e o envolvimento de diferentes instituições, com o objetivo de ampliar o alcance das medidas preventivas. A participação de associações de moradores e de outros setores também deve contribuir para orientar a população sobre os cuidados necessários dentro dos imóveis.

Limpeza dos imóveis é fundamental para evitar novos focos - Com a aproximação das chuvas, a orientação da Sesau é que os moradores façam vistorias frequentes nos imóveis, sem esperar o aparecimento de casos de dengue ou de outras arboviroses para adotar medidas preventivas.

Quintais, calhas, caixas-d’água, vasos de plantas, ralos e outros recipientes devem ser verificados regularmente. Qualquer ponto que possa acumular água precisa receber atenção, já que pequenas quantidades podem favorecer a reprodução do mosquito.

A recomendação é eliminar a água acumulada, manter os reservatórios devidamente fechados e evitar que objetos expostos ao tempo se transformem em criadouros. A limpeza dos ambientes deve ser acompanhada da verificação de locais menos visíveis, onde a água pode ficar acumulada.

Os dados das vistorias mostram que o combate ao Aedes aegypti não depende apenas das ações realizadas pelos agentes de saúde. Com focos encontrados em 684 imóveis durante uma semana de trabalho, a Sesau reforça que a colaboração dos moradores é parte essencial da prevenção, especialmente diante da chegada de condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito.