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Fuga de presos é reflexo de caos e guerra entre facções em presídios

Presos "jurados de morte" relatam medo de serem "capturados" e mortos por rivais, mesmo estando em celas isoladas de presídios

Por Luana Rodrigues | 12/12/2016 15:20
Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, no Bairro Noroeste (Foto: Alcides Neto)
Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, no Bairro Noroeste (Foto: Alcides Neto)

Cinquenta mil reais, "a cabeça”. É isso que vale a morte de um inimigo para facções que atuam dentro de presídios de Mato Grosso do Sul. E a recompensa valiosa tem gerado um verdadeiro caos em penitenciárias do Estado, já que presos de facções rivais estão tendo acesso a área de isolamento daqueles que estão “jurados de morte”.

A informação é da esposa de um detento do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. Segundo a mulher de 42 anos, que por medo, prefere não se identificar, o marido dela está preso há oito anos, por tráfico de drogas.

Há alguns meses ele teria sido transferido para o regime conhecido como RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), dividido em cinco celas, onde estão presos isolados por questão de segurança – jurados de morte. “De uns dias para cá ele está desesperado, porque o pessoal do CV (Comando Vermelho) está tendo acesso a essa área. Disseram que vão matar todo mundo lá”, conta a mulher.

Em áudio de conversa gravada pela esposa, o preso relata com tom de desespero a situação dentro do presídio. “O baguio tá loco aqui, a cadeia ta louca, já veio diretor, já veio tudo, já ta no jornal, nas reportagem. Se nós fica aqui vai morrer todo mundo, capaz de arrancarem até minha cabeça aqui”, disse o preso. (sic)

Ouça áudio completo: 

A esposa diz que tem tentado transferir o marido, mas a operação vem sendo negada pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). “Eles não autorizam e eu estou desesperada e sei que se não fizerem nada, logo vai explodir”, diz a mulher.

A Agepen reconhece o 'período conturbado' dentro de alguns presídios, mas diz que a questão é um problema nacional e que tem buscado soluções para que a situação não se transforme em caos.

“Existe uma orquestração em nível de Brasil e estamos trabalhando com todas as nossas possibilidades para evitar que elas se concretizem. Nós temos uma gerência de inteligência que detecta as situações e estamos tomando as providências pontuais e de forma geral para evitar qualquer ação”, disse.

Mortes - Na segunda-feira (5), Adonias da Silveira Felipe, 33 anos, foi achado morto na penitenciária. A principio, a cena da morte parecia um suicídio, no entanto, agora a suspeita da polícia é de que tenha sido assassinato.

No mês passado, Leandro Barbosa Pereira, 23 anos, foi encontrado morto enforcado, por volta das 6h do dia 21, também na Máxima. Ele era de Nova Andradina e um dia antes havia sido transferido para o presídio da Capital.

O rapaz chegou a relatar para o oficial do dia, servidor plantonista, que foi membro do PCC (Primeiro Comando da Capital) e estava jurado de morte, porque não havia cumprido uma missão para o grupo criminoso.

Desespero - Na noite deste domingo (11), dois presos tentaram fugir do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, que fica na Rua Indianópolis, no Jardim Noroeste, em Campo Grande.

Ao serem surpreendidos, Fernando Costa Sucker e Carlos Eduardo de Oliveira da Silva, ambos de 28 anos, disseram que queriam escapar porque foram ameaçados de morte por outros detentos.

A fuga teria sido um ato de desespero, já que os presos já haviam pedido para serem transferidos, por terem sido "jurados de morte". Os dois foram encaminhados para uma cela disciplinar.

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