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Campo Grande, Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

22/12/2016 16:46

Fundadora da Omep quer intervenção e diz que entidade é empresa familiar

Professora Ângela Costa trouxe organização a Campo Grande em uma época em que "ninguém sabia aqui e no Brasil" como trabalhar com crianças na pré-escola

Richelieu de Carlo
Ângela Costa fundou a Omep em Campo Grande em 1976. (Foto: Divulgação/Facebook)Ângela Costa fundou a Omep em Campo Grande em 1976. (Foto: Divulgação/Facebook)

“Foi desvirtuado totalmente o seu sentido e sua missão”, afirma a professora Ângela Costa, fundadora da Omep-MS (Organização Mundial para Educação Pré-Escolar de Mato Grosso do Sul) sobre os escândalos envolvendo a entidade, alvo de operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Para ela, é necessária agora uma “auditoria muito séria” na diretoria da instituição. “Virou uma empresa familiar. Sou a favor de uma intervenção, pois está totalmente descaracterizada. Tem de ser destituída toda essa diretoria. Estão crucificando essa Cida (Maria Aparecida Salmaze), mas toda a diretoria deve ser responsabilizada, ou participaram ou foram omissos. Não podem crucificar uma só pessoa”, analisa Ângela Costa.

Maria Aparecida Salmaze, a Cida, é a atual presidente da Omep em Campo Grande e foi presa no dia 13 de dezembro, durante operação Urutau, pela força-tarefa comandada pelo Gaeco , que apura crimes de improbidade administrativa, peculato (desvio de dinheiro público), associação criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ela já está em liberdade.

Carioca, Ângela mora em Campo Grande desde 1970, onde, após se formar em Pedagogia, fundou uma escola que se tornou a primeira sede da Omep sul-mato-grossense. O interesse em trazer a organização surgiu após participar do 1º Congresso Nacional Brasileiro, no Rio de Janeiro, em 1976.

“Eu trouxe a Omep em 76. Não se sabia o que fazer com a pré-escola, aqui nem no Brasil, como trabalhar com crianças dessa faixa etária. No congresso, encontrei diversos professores de todo país. Conheci como funciona o sistema da Omep, uma organização presente em todo o mundo e decidi trazer para Campo Grande”, explica Ângela.

Segundo a professora, por ainda não ser uma Capital, não foi possível fundar uma filial aqui. A alternativa foi criar a Associação Campo Grandense de Educação Pré-escolar, ligada diretamente ao Comitê Nacional Brasileiro da Omep.

Em 79, com a divisão do Estado, Campo Grande torna-se a Capital de Mato Grosso do Sul, e com isso surge a Omep/Brasil-MS. Com Ângela Costa na presidência, a intenção era de que os interessados em ajudar a instituição trabalhassem voluntariamente, sem receber nenhum salário por isso.

“Nunca recebi um centavo enquanto fui presidente. O trabalho da Omep em todo o mundo é baseado em voluntários. Tivemos cursos para pessoas que atendiam creches, encontros estaduais e a criação das creches domiciliares no bairro Tiradentes, onde foi doado o terreno e está lá até hoje”, declara Ângela, orgulhosa.

O panorama começou a mudar após alguns anos, até que a fundadora da organização na Capital decidiu deixar a presidência em 1984. “Entreguei a Omep a minha vice-presidente, Marisa Serrano, - atual conselheira do Tribunal de Contas e ex-senadora - ao ver que apenas eu e minha irmã, continuávamos a servir a instituição voluntariamente, lotada de ex-diretoras cedidas pela nova gestão de Juvêncio” - Juvêncio César da Fonseca, prefeito entre 1993/1996.

“A situação começou a piorar com a assinatura do convênio na gestão de Cecília da Motta [então secretária municipal de Educação], com o André Puccinelli [prefeito] em 1997”, complementa Ângela.

Segundo a fundadora, Campo Grande virou vergonha nacional nesse quesito. "Esse é um caso isolado aqui, não existe nada igual no Brasil inteiro”.

Maria Aparecida deixa a sede da Omep ao ser presa durante a operação Urutau. (Foto: Marcos Ermínio)Maria Aparecida deixa a sede da Omep ao ser presa durante a operação Urutau. (Foto: Marcos Ermínio)
Funcionários da Omep e Seleta protestam contra decisão que os impede de trabalhar. (Foto: Marcos Hermínio)Funcionários da Omep e Seleta protestam contra decisão que os impede de trabalhar. (Foto: Marcos Hermínio)

Funcionários – Na tarde de sexta-feira (16), a Prefeitura de Campo Grande publicou no Diário Oficial do Município o anúncio do rompimento imediato dos convênios com a Omep e com a Seleta, entidades que terceirizavam mão de obra e serviços para a administração municipal, mas que se afundaram em denúncias relacionadas à contratação de “fantasmas” e desvios de dinheiros dos cofres municipais.

Por meio do comunicado oficial, o Executivo municipal também proíbe que os terceirizados tenham “acesso a toda e qualquer repartição pública, onde desempenhavam suas funções”.

A pedido do MPE (Ministério Público Estadual), o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou na quinta-feira (15) o rompimento dos contratos.

A decisão foi tomada três dias depois da Operação Urutau que prendeu três pessoas. Também foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e sete de condução coercitiva.

Para substituir os 4 mil demitidos, o MPE recomendou que a prefeitura faça contratos temporários com trabalhadores que ocupem cargos em unidades que oferecem serviços essenciais. O prefeito eleito Marquinhos Trad (PSD) estuda a alternativa.

Desde segunda-feira tentamos contato com Maria Cecília da Motta, atual secretária estadual de Educação, mas ela não respondeu as nossas solicitações de entrevista.

 



Aos repórteres que têm uma veia literária, vão ganhar um bom dinheiro, e de quebra vou dar uma dica para o título do livro: "Nos braços da máfia" - Era uma vez uma cidade, seus cidadãos e os mafiosos, a saga de Big Field.
 
TIJUANO em 23/12/2016 07:59:29
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