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Capital

Há 14 anos no papel, Cidade dos Ônibus tem retomada de áreas e futuro indefinido

Câmara revoga doações de terrenos a 9 empresas nesta terça (13); Prefeitura segue sem prazo para novo projeto

Por Mylena Fraiha | 13/10/2026 13:25
Há 14 anos no papel, Cidade dos Ônibus tem retomada de áreas e futuro indefinido
Área tomada por mato, onde seria instalada a "Cidade dos Ônibus"; registro foi feito em setembro do ano passado (Foto: Arquivo/Campo Grande News).

Há 14 anos no papel, a Cidade dos Ônibus segue sem previsão para implantação de um novo projeto na região das Moreninhas, às margens do Anel Rodoviário da BR-163, em Campo Grande. Nesta terça-feira (13), a Câmara Municipal aprovou a revogação de leis que concediam incentivos a nove empresas vinculadas a áreas do Polo Empresarial Sul, onde o empreendimento seria instalado.

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A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, nesta terça-feira (13), a revogação de nove leis que concediam incentivos a empresas de transporte no Polo Empresarial Sul, onde seria instalada a Cidade dos Ônibus, projeto anunciado em 2012. A Prefeitura alega que as empresas não concluíram as etapas exigidas pelo Prodes em mais de dez anos e pretende retomar os terrenos. Não há prazo para um novo projeto, e o futuro da área depende da reorganização do transporte coletivo. A falta de acesso adequado pela BR-163 também é um obstáculo.

O Projeto de Lei nº 12.538/26, encaminhado pela Prefeitura, revoga nove leis relacionadas aos benefícios. Na justificativa, o Executivo afirma que as empresas deixaram de concluir, ao longo de mais de dez anos, as etapas necessárias à formalização definitiva dos incentivos concedidos pelo Prodes (Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande).

A Prefeitura sustenta que a medida atende ao interesse público e à necessidade de reorganizar a gestão do patrimônio municipal, diante da ausência de implantação efetiva dos empreendimentos previstos.

As leis beneficiavam Expresso Mato Grosso, Viação Nova Integração, Otimix Brasil Indústria de Pré-Fabricados, Viação Umuarama, Viação Motta, Empresa de Transportes Andorinha, Expresso Queiroz, Viação São Luiz e Aucatur Agência União Cascavel de Turismo.

O secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, afirmou que a intenção é retomar os terrenos que não receberam as construções previstas. “Na verdade, a gente está pedindo para revogar as leis que autorizavam a doação de áreas para a Cidade do Ônibus. Então, aqueles terrenos que não foram construídos, não foram edificados, o município está retomando.”

No entanto, o secretário não apresentou prazo para a retomada do projeto e vinculou a discussão à reconfiguração do transporte público da Capital. Ele citou a intervenção municipal no consórcio e as negociações entre empresas para a venda da operação, que passam pela análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do Município.

“Depois dessa modelagem toda, a gente discute como vai ser e se isso vai permanecer como Cidade do Ônibus ou não. Mas hoje os terrenos que tinham sido doados anteriormente para que as empresas pudessem fazer investimentos estão sendo retomados pelo município”, declarou.

Acesso pela rodovia – O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), apontou a falta de acesso adequado pela BR-163 como um dos obstáculos à utilização da área.

Segundo ele, o polo precisa de uma faixa de desaceleração para permitir a entrada de veículos com segurança. “Ele precisa de uma obra de engenharia para se tornar viável e permitir que as empresas utilizem o espaço, porque fica junto à rodovia, na saída para São Paulo”, afirmou.

Papy disse que, conforme informações do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ademar Silva Júnior, a retomada das áreas permitirá refazer o projeto e incluir uma solução para o acesso. O vereador também sugeriu que a entrada e a saída fossem feitas por dentro das Moreninhas, como alternativa aos procedimentos necessários para uma intervenção na rodovia federal. “Essa poderia ser uma possibilidade para evitar os trâmites com o governo federal”, explicou.

Para o presidente da Câmara, a revogação é necessária porque as empresas não utilizaram os terrenos conforme as condições dos incentivos. “É preciso revogar as doações para que esse patrimônio seja devolvido ao município, já que os critérios do Prodes não foram cumpridos.”

Adiamentos – A Cidade dos Ônibus foi concebida para reunir garagens e serviços de empresas de transporte rodoviário no Polo Empresarial Sul, conhecido como Wilmar Lewandowski. As obras foram anunciadas em março de 2012, na gestão do então prefeito Nelson Trad Filho, com a promessa de reduzir a circulação de ônibus na região central de Campo Grande.

O empreendimento previa garagens, alojamentos, refeitório, posto bancário e estrutura de abastecimento. Em 2014, o investimento anunciado era de R$ 50 milhões por parte das empresas, com previsão de dois anos para conclusão.

Há 14 anos no papel, Cidade dos Ônibus tem retomada de áreas e futuro indefinido
Placa que ficava em frente ao terreno da “Cidade dos Ônibus”, na BR-163, em Campo Grande, fotografada pela reportagem em setembro de 2013 (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A implantação, porém, enfrentou sucessivos obstáculos. Em 2013, a reportagem apontou uma pendência na liberação da escritura do terreno. No ano seguinte, divergências na Câmara sobre as doações de áreas e a concessão de incentivos levaram à retirada dos projetos.

Em setembro de 2025, o Campo Grande News encontrou a área destinada à Cidade dos Ônibus sem uso e tomada pelo mato. No terreno, permanecia a estrutura do outdoor instalado para anunciar o empreendimento, lançado 13 anos antes. As garagens, oficinas e demais instalações previstas não haviam saído do papel.

Já em maio deste ano, a Prefeitura voltou a anunciar a intenção de direcionar o Polo Empresarial Sul para atividades de transporte e logística. A reformulação foi discutida pelo Codecon (Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico), junto à proposta de revogar os benefícios vinculados às áreas da antiga Cidade dos Ônibus.

Na ocasião, o secretário Ademar Silva Júnior relacionou o aproveitamento do espaço às demandas da rota da celulose e da Rota Bioceânica. A publicação municipal, porém, não apresentou cronograma de obras ou prazo para implantação do novo polo.

A reportagem procurou a Semades para saber se há planos de reativação do Polo Empresarial Sul e previsão para implantação de um novo projeto na área, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

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