Investigação apura denúncia de erro médico em morte de bebê atropelada
Polícia aguarda laudo do Imol para determinar a causa do óbito da menina de 1 ano e 9 meses
A suspeita de falha no atendimento médico passou a ser investigada pela Polícia Civil no caso da morte da bebê de 1 ano e 9 meses atropelada em Campo Grande, dois dias após o acidente. A delegada responsável pelo caso, Jennifer Estevam de Araújo, afirma que a apuração agora tenta esclarecer se o óbito foi consequência direta da colisão ou se houve eventual negligência no atendimento hospitalar.
RESUMO
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A Polícia Civil investiga suspeita de falha médica na morte de uma bebê de 1 ano e 9 meses atropelada em Campo Grande. A criança recebeu alta após o acidente, mas voltou a passar mal e não resistiu. Familiares relatam que ela tinha uma costela quebrada não identificada no primeiro atendimento. Um adolescente de 17 anos, suspeito de causar o acidente, foi ouvido e liberado. A polícia aguarda laudo pericial para determinar a causa da morte.
De acordo com a delegada, a investigação avançou após a identificação dos envolvidos. Os policiais chegaram até a família e, por meio de conversas com os pais, identificaram o suspeito. Todos são adolescentes: o jovem apontado como responsável tem 17 anos; os pais da criança têm 18 anos; e as testemunhas têm 16 anos. Trata-se de um grupo de amigos de longa data.
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Na noite de quinta-feira (26), eles estavam reunidos em uma praça, consumindo tereré. O casal com a criança já deixava o local a pé, enquanto o adolescente conduzia uma motocicleta. Havia ainda outro rapaz de moto, possivelmente adolescente, que ainda não foi intimado.
Imagens de câmera de segurança mostram o motociclista em zigue-zague na Rua Cintra, próximo à Rua Passos de Ferreira, no Bairro Nova Lima. Ele tenta uma manobra, perde o controle da moto e atinge de frente o pai, que carregava a filha no colo.
Segundo os depoimentos, não havia consumo de álcool. As versões apresentadas pelo suspeito, pelas testemunhas e pelos pais da criança são semelhantes e coincidem com os vídeos analisados.
Após o acidente, o próprio adolescente prestou socorro. Uma adolescente de 16 anos pegou a criança e subiu na moto com ele para levá-la à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Nova Bahia. O pai buscou documentos em casa e seguiu para a unidade, enquanto a mãe, abalada, chegou depois em carro de aplicativo. O primeiro atendimento ocorreu com a presença de todos.
As imagens indicam que o motociclista pode ter perdido o controle após se aproximar do pai. Não há confirmação de colisão direta, mas há indícios de um leve contato. O pai teve apenas escoriações na perna.
Após o atendimento inicial, a bebê foi transferida para a Santa Casa, onde recebeu alta ainda na noite de quinta-feira. No dia seguinte, sexta-feira (27), voltou a passar mal. A família procurou a UPA Coronel Antonino, onde a criança foi intubada e novamente encaminhada à Santa Casa. Ela não resistiu, mesmo após tentativas de reanimação.
Familiares afirmam que a bebê apresentava uma costela quebrada, lesão que pode não ter sido identificada no primeiro atendimento.
O laudo pericial ainda não foi concluído. A polícia aguarda o resultado para avançar.
Segundo a delegada, a linha de investigação inclui a análise da relação de causalidade entre o acidente e o óbito, além da possível responsabilidade médica.
Ela afirma que o objetivo é esclarecer os fatos com isenção. A partir do laudo, será possível determinar se a morte foi consequência direta do acidente ou se houve eventual negligência no atendimento de saúde.
Adolescente é ouvido e moto apreendida - O adolescente foi ouvido e liberado, sendo inicialmente investigado por ato infracional análogo a lesão corporal. A motocicleta foi apreendida e encaminhada para perícia.
Em relação ao fato de o envolvido ser adolescente e estar pilotando o veículo, a responsabilidade recai, em princípio, sobre quem o conduzia. No entanto, segundo relato, o adolescente teria saído de casa sem que os responsáveis percebessem.
No momento, a mãe estava na igreja e o pai não estava no local. A motocicleta está registrada em nome de uma terceira pessoa, embora seja utilizada pela família e há indícios de que o veículo ainda não teve a transferência formalizada para o atual proprietário.
Santa Casa se manifesta e cita sigilo de dados - Procurada, a Santa Casa informou que, em cumprimento à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados ), não fornece informações individualizadas sobre pacientes, especialmente em casos que envolvem crianças menores de um ano ou situações de óbito. Segundo a instituição, a medida reforça o compromisso com a privacidade e a proteção de dados sensíveis.
A unidade também afirmou que conta com um Núcleo Interno de Segurança e Qualidade, responsável por avaliar os atendimentos realizados e verificar eventuais inconsistências nos processos. De acordo com a Santa Casa, o grupo atua de forma técnica e independente, com foco no cumprimento de protocolos e na identificação de possíveis falhas.
Ainda conforme a nota, o núcleo não tem caráter deliberativo ou punitivo, sendo voltado à análise e ao aprimoramento contínuo dos serviços, com ênfase na segurança do paciente e na qualidade do atendimento.
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