Justiça condena “Forasteiros” do jogo do bicho a 120 anos de prisão
Líderes pegam as penas mais duras em julgamento por crimes ligados ao jogo ilegal

O juiz da 6ª Vara Criminal de Campo Grande, Marcio Alexandre Wust, condenou a um total de 120 anos de prisão 22 dos réus por integrar a organização criminosa MTS, que explorou o jogo do bicho e máquinas caça-níquel na Capital por ao menos três anos. As sentenças pelos crimes de formação de quadrilha, exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro, agiotagem e corrupção chegam a 15 anos de prisão.
RESUMO
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Um juiz de Campo Grande condenou 22 réus por integrar a organização criminosa MTS, ligada ao PCC, que explorou o jogo do bicho e caça-níqueis na capital por ao menos três anos. As penas chegam a 15 anos de reclusão. O grupo era liderado por Henrique Abraão Gonçalves, apontado como braço de Marcola no estado. A organização movimentava R$ 5 milhões mensais em mais de mil bancas de apostas. A condenação é resultado da Operação Forasteiros, deflagrada em setembro de 2024 pelo Gaeco e pelo Dracco.
A decisão é resultado da Operação Forasteiros, desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), em setembro de 2024, e que desarticulou esquema ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Grupo comandado por Henrique Abraão Gonçalves da Silva, conhecido como “Macaulin” ou “Rico”, se instalou em Campo Grande, conforme a acusação, com objetivo de dominar o jogo do bicho no vácuo deixado pela Operação Omertà, que em setembro de 2019 levou Jamil Name e o filho, Jamilzinho, para a prisão e representou a derrocada da família que há décadas explorava a loteria ilegal na Capital.
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Henrique era considerado o "braço" de Marcos William Herbas Camacho, o “Marcola”, em Mato Grosso do Sul. Natural de São Paulo, o "forasteiro" pertenceria ao núcleo operacional do PCC da região Nordeste, tendo como missão a expansão da exploração dos jogos de apostas eletrônicas comandados pela facção, também de acordo com a investigação.
Na Capital, ele fundou a "nova era" do jogo do bicho, com o MTS, nome nada criativo com as iniciais de Mato Grosso do Sul, seguindo a linha da tradução de PCC, dado pelo grupo à loteria informal.
Apontados como integrantes do núcleo de comando do MTS, além de Henrique Abraão, condenado a 8 anos e 2 meses de reclusão, são três os réus que receberam as penas mais severas.
Ricardo Andrade Ferreira foi o mais penalizado, com condenação a 15 anos, 9 meses e 1 dia de reclusão. De acordo com a sentença, ele também ocupava posição de liderança dentro da organização e tinha papel relevante na engrenagem financeira do grupo. Ricardo utilizava identidade falsa, apresentando-se como “Jeferson”. Além dos mesmos crimes praticados pelo demais líderes, ele também foi condenado por falsidade ideológica.
Caio Borgheti Rino Guimarães também integrava o núcleo decisório, com atuação na coordenação das atividades ilícitas e na organização interna do grupo, participando diretamente das estratégias de funcionamento e manutenção dos pontos de apostas.
Já Odiney de Jesus Leite Júnior, o “Barba”, que conforme a acusação, exercia papel operacional de destaque, atuando como gerente da organização na Capital, foi condenado a 13 anos, 1 mês e 23 dias de reclusão. Ele era responsável por supervisionar os pontos de jogo, garantir o funcionamento da estrutura, controlar a arrecadação e coordenar os integrantes que atuavam na base do esquema.

Demais condenações – Outros réus foram condenados conforme o grau de participação no esquema. Estão na lista: Jorge Luiz de Jesus Júnior, Jair Antônio Ienco, Jeferson Eduardo Nardi, Ricardo França de Andrade, Willian Barbosa Dias Umar, Dayane Izabel dos Santos, Deni Marques da Conceição, Sandra Gamarra, Alexandre Martins Mendonça, Anderson Alves Camposano, Carlos Alves Dias, Daniel Ribeiro de Barros, Dilson Souza Vieira, Maycon Prado Batista da Silva, Paulo Augusto Alves da Silva, Ricardo Emanuel Machado da Costa Aragão, Solange Prado da Silva e Diogo Francisco.
Renata da Silva Gutierrez foi absolvida por ausência de provas suficientes de participação nos crimes.
Na decisão, o magistrado destacou que a materialidade dos crimes foi comprovada por meio de interceptações telefônicas, registros contábeis, apreensão de máquinas caça-níquel e talões de apostas. “A materialidade da prática delitiva encontra-se consubstanciada através das provas documentais produzidas”, registrou.
A sentença conclui que a atuação coordenada, com divisão de funções e liderança estruturada, caracterizou a organização criminosa e justificou a condenação dos envolvidos.
Os acusados ainda podem recorrer das condenações em primeira instância. O espaço está aberto também no Campo Grande News para a manifestação das defesas.
Movimentação de milhões – Apesar de parecerem inofensivos, os jogos de azar tiram milhões de circulação na economia local e estão associados também ao financiamento de outras atividades criminosas. Em setembro de 2024, quando deflagrou a Operação Forasteiros, o Gaeco apontava que a organização “alvo da vez” instalou mais de 1 mil bancas de apostas pela Capital, que arrecadavam pelo menos R$ 5 milhões por mês.
Para cumprir sete ordens de prisão e 30 de busca naquela quinta-feira, dia 26 de setembro, Gaeco e Dracco contaram com apoio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Havia alvos na Capital, em Aquidauana e em quatro cidades de fora do Estado: São Paulo (SP), Pompeia (SP), Marília (SP) e Araguaína (TO).
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