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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

28/03/2018 10:19

Medo de chuva forte faz moradores reforçarem barracos em área invadida

Tem mãe que preferiu sair de casa com filhos enrolados na coberta para ficar em ponto de ônibus até chuva passar

Liniker Ribeiro e Mirian Machado
Imóvel improvisado onde Marciele mora com o marido e filhos precisou receber reforço para água não invadir (Foto: Marina Pacheco)Imóvel improvisado onde Marciele mora com o marido e filhos precisou receber reforço para água não invadir (Foto: Marina Pacheco)

Famílias que moram em barracos improvisados em uma área invadida na região da avenida Guaicurus, na Capital, estão preocupadas com a chuva que atinge Campo Grande desde o início da tarde de ontem (27). Mesmo sem nenhuma ocorrência mais grave, o receio é de que as pancadas sejam mais fortes, vindo a prejudicar a estrutura das moradias e, até mesmo, móveis e roupas.

Há apenas 11 meses no local, a dona de casa Marciele da Silva Riquelme, de 18 anos, diz já ter enfrentado duas enchentes e garante ficar apreensiva toda vez que chove. “A porta da minha casa teve de ser reforçada com capô de um carro para impedir que água entre e leve tudo o que eu tenho, assim como aconteceu na primeira vez”, revelou.

Morando com o marido e dois filhos, um de 2 anos e outro 4 meses, a jovem contou já ter perdido roupas, fraldas e até o carrinho do bebê por conta da chuva. “Fico apreensiva, pretendo me inscrever na Emha, mas mesmo que eu não consiga, vou ter que me sacrificar e voltar a pagar aluguel, por que não aguento mais essa situação”, contou Marciele depois de confessar já ter enrolado as crianças em um cobertor e enfrentado a chuva debaixo de um ponto de ônibus.

Quem também se sente apreensiva é Elisabeth Araújo, 45 anos, que mora com três filhos, de 6, 14 e 25 anos. “Já perdi roupas, colchão e várias outras coisas em dias de chuva. Trabalho com reciclagem e tenho medo da água levar minhas peças ou estragar os produtos e o rapaz não querer comprar de mim” afirmou.

 

Dona Elisabeth sentada ao lado de materiais de reciclagem que vende (Foto: Marina Pacheco)Dona Elisabeth sentada ao lado de materiais de reciclagem que vende (Foto: Marina Pacheco)
Córrego próximo da barracos transborda em dais de chuva forte (Foto: Marina Pacheco)Córrego próximo da barracos transborda em dais de chuva forte (Foto: Marina Pacheco)

Segundo ela, toda vez que chove forte o córrego em frente à área invadida transborda, passa por cima da Avenida Guaicurus e invade os barracos. A preocupação de dona Elisabeth é ainda maior quando se trata de um buraco aberto no terreno onde mora, que vem aumentando cada vez mais. “Meu medo é que, mesmo chovendo fraco, a água acumule devido à quantidade de chuva e abra ainda mais esse buraco, o que pode engolir tudo o que tenho”, confessou.

De acordo com o meteorologista da Uniderp, Natálio Abrão, as chuvas registradas entre ontem e hoje (28), até às 6h, indicam acúmulo de ao menos 47 milímetros de chuva na Capital. Essa marca foi registrada na região do bairro Chácara Cachoeira, sendo seguida dos bairros Universitário (onde choveu 42,2 mm), e Carandá Bosque (41,8 mm).

Ainda na região da Guaicurus, quem tem comércio também sente receio quando o tempo muda. “Moro aqui há dois anos, hoje a chuva tá fraca, mas quando vem pra valer, todo mundo fica preocupado. A enxurrada já chega mais fraca, mas mesmo assim passa por dentro de casa. Os pés da minha cama já estão podres, o guarda-roupa está uma ‘miséria’”, revelou a comerciante Valdirene Batista Lima, de 50 anos.



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