MP denuncia homem que baleou adolescente durante briga por retrovisor
Thalison Martin Genovez alegou legítima defesa e teve a prisão mantida; garoto foi socorrido em estado grave
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) ofereceu denúncia contra Thalison Martin Genovez pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Ele foi preso em flagrante no dia 3 de outubro após balear um adolescente de 14 anos na cabeça e ainda atingir outro jovem de 19 de raspão. O caso aconteceu na Rua Francisco Antonio de Souza, no Bairro Portal Caiobá II, em Campo Grande.
RESUMO
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Thalison Martin Genovez por cinco tentativas de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo. Preso em flagrante em 3 de outubro, ele baleou na cabeça um adolescente de 14 anos e feriu de raspão um jovem de 19, após discussão por dano a um retrovisor, em Campo Grande. O MP pede júri e indenização mínima de 10 salários mínimos por vítima. A defesa alega legítima defesa e pede liberdade provisória.
Segundo a denúncia assinada pela promotora de Justiça Lívia Carla Guadanhim Bariani, a motivação do crime foi fútil, originada após um desentendimento em razão de danos causados a um retrovisor de veículo. Momentos antes do atentado, o adolescente e sua irmã, jovem de 20 anos, trafegavam pela rua quando o denunciado danificou parte do automóvel em que estavam.
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Após o ocorrido, a jovem e o adolescente se encontraram com outros três rapazes de 17, 19 e 22 anos, e relataram o dano. O grupo decidiu retornar ao local para conversar com Thalison sobre a reparação do prejuízo e houve uma discussão.
Thalison sacou uma arma de fogo e efetuou disparos contra o garoto de 17 anos, que conseguiu se esquivar e fugir a pé, embora o atirador tenha continuado a disparar em sua direção. Na sequência, as demais vítimas também iniciaram fuga: o jovem de 22 anos em uma motocicleta, enquanto a motorista, o adolescente de 14 anos e outro rapaz de 19 fugiram em um automóvel.
O denunciado dirigiu-se aos veículos e efetuou novos disparos, atingindo o adolescente de 14 anos na cabeça e rapaz de 19 de raspão na região do rosto. O garoto mais novo foi socorrido em estado grave com o projétil alojado no crânio. Não há informações do estado de saúde da vítima.
Para o MP, os crimes não se consumaram por circunstâncias alheias à vontade do denunciado, uma vez que os disparos não atingiram três vítimas, e porque o adolescente e o jovem ferido receberam atendimento médico efetivo. A acusação destaca ainda que a conduta gerou perigo comum, por ter ocorrido em via pública durante o período da tarde, próximo a um estabelecimento comercial e em direção a pessoas e veículos em deslocamento.
Thalison Martin Genovez, que já se encontra preso preventivamente, foi denunciado 5 vezes por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e por meio que resultou em perigo comum, além do crime autônomo de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, em concurso de crimes. O órgão ministerial requereu a citação do réu, a oitiva das testemunhas e vítimas, a pronúncia para julgamento perante o Tribunal do Júri e a fixação de valor mínimo de 10 salários mínimos para reparação de danos a cada uma das vítimas.
Legítima defesa - O advogado João Vitor Leite, entrou com pedido de liberdade provisória para Thalisson e alegou que a versão da acusação não deve ser tomada de forma definitiva. O defensor ainda pontuou que o acusado agiu em reação defensiva após ser confrontado e agredido por um grupo de cerca de cinco pessoas.
A petição encaminhada ao Juízo Plantonista aponta que o próprio boletim de ocorrência indica que, após o dano ao retrovisor, os ocupantes do veículo saíram do local e retornaram momentos depois acompanhados de mais pessoas, dando início ao confronto físico.
No pedido, o defensor sustenta que o custodiado reagiu a uma agressão praticada por grupo numericamente superior. “A tese defensiva é de que o custodiado se viu diante de agressão praticada por um grupo de aproximadamente cinco pessoas, em evidente superioridade numérica, tendo os disparos que lhe são atribuídos ocorrido em contexto de reação defensiva”, diz o advogado.
O advogado ainda aponta que Thalison foi localizado pelos policiais em sua própria residência, sem qualquer registro de tentativa de fuga, ocultação ou ameaça a vítimas e testemunhas e afirma que a decisão de permanecer em silêncio durante a abordagem policial é uma garantia constitucional que não pode ser interpretada de forma desfavorável.


