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Capital

Na retaguarda da covid, UTIs do hospital do trauma têm 100% de lotação

Enquanto HR recebe pacientes da covid, unidade do trauma na Santa Casa está voltada à segurar a demanda de outras doenças

Por Izabela Sanchez | 09/07/2020 11:14
Unidade de traumatologia da Santa Casa, conhecida como Hospital do Trauma (Foto: Kisie Ainoã)
Unidade de traumatologia da Santa Casa, conhecida como Hospital do Trauma (Foto: Kisie Ainoã)

Chamada agora de retaguarda da covid, a unidade de traumatologia da Santa Casa – conhecida como o hospital do trauma – atingiu lotação de 100% nos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na manhã desta quinta-feira (9).

Todos os 20 leitos de UTI, para pacientes graves, estão ocupados. Além desses, nessa unidade há 82% de ocupação dos 100 leitos clínicos. Na pandemia, enquanto o Hospital Regional Rosa Pedrossian recebe os pacientes de covid-19 por ter sido escolhido como referência, a Santa Casa tem recebido imensa demanda de pessoas com quadros de saúde que antes eram levadas para HR ou outros hospitais.

Apesar da lotação ser dinâmica, ou seja, enquanto essa reportagem é escrita pode-se piorar ou “melhorar” o quadro, especialistas da saúde na linha de frente em hospitais também relacionam os números variáveis à falta de medidas rígidas de quarentena.

Mais na rua, mais no trânsito... mais acidentes. Essa é uma das contas. Mas não só. Segundo o coordenador do NIR (Núcleo Interno de Regulação) da Santa Casa, o médico Fabiano Cançado, o hospital também tem recebido pacientes de uma especialidade da cardiologia, por exemplo, que costumavam ir para o HR.

Números – De modo geral, todas as UTIs da Santa Casa – prédio central e unidade do trauma – atingiram, nesta manhã, 99,9% de lotação. Já os chamados leitos clínicos estão, agora, 88% ocupados.

A Santa Casa dispõe hoje de 80 leitos de UTI, 77 voltados ao SUS (Sistema Único de Saúde) e 3 para pacientes do plano de saúde da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), mantenedora do hospital.

“Na prática, não cabe mais ninguém, mas é uma coisa dinâmica”, explica Fabiano. “Não temos pacientes covid, a retaguarda significa que ali temos clínicos, que possivelmente numa situação normal de não pandemia iriam para outros hospitais”, diz.

Estão hoje no trauma: pessoas internadas com quadros de pneumonia, AVC (Acidente Vascular Cerebral), infarto “e as mais variadas patologias”, conforme o médico. Continuam chegando, claro, os acidentados no trânsito, “cliente” padrão da Santa Casa, nas palavras do chefe do NIR.

“Olha, nós temos um fluxo muito grande de politraumatizados, acidentados de todos os tipos de trauma. Isso continua sendo nosso maior cliente, mas como nós ficamos como retaguarda, temos atendido todas as outras especialidades, absorvido da rede municipal e outros municípios”.

Para o médico, mesmo com a variação dos números a todo o momento, a lotação preocupa.

“Com certeza nos ajudaria, ajudaria a cidade, se pudesse conter um pouco mais outras patologias nesse momento”, opina Fabiano. “Isso preocupa não só nós como todas as autoridades, estamos viabilizando possibilidades, transferindo pacientes para tratamentos ambulatoriais, mudando medicação endovenosa para via oral, para que tenha aumento no giro [de leitos clínicos e de UTI]”, conclui.

Toque de recolher – Começou a funcionar com mais restrição, desde quarta-feira (8), toque de recolher a partir das 20h em Campo Grande. Nesta quinta-feira o prefeito Marquinhos Trad (PSD) disse que a mudança ocorreu especialmente pela pressão que o "estar na rua" provoca nos hospitais.

O prefeito citou que ao estarem em casa durante a noite, as pessoas acabam sofrendo menos acidentes e diminui, assim, o número de pacientes de internações por causas violentas.