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Capital

"Pensamento do atraso", diz líder de professores sobre exame toxicológico

Proposta está em tramitação na Câmara Municipal, mas é alvo de críticas, inclusive, de vereadores

Por Nyelder Rodrigues e Adriel Mattos | 20/10/2021 09:39
Presidente da Fetems criticou autor do projeto. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Presidente da Fetems criticou autor do projeto. (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

A proposta do vereador Tiago Vargas (PSD) para a realização de exames toxicológicos anuais e obrigatórios nos professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) foi de forma taxativa refutada por entidades ligadas à educação pública campo-grandense, em contato telefônico feito pela reportagem do Campo Grande News.

Ainda em fase inicial, a proposta de Vargas é polêmica e repete projeto que tramita desde 2020 na Câmara Federal, de autoria dos então deputados federais Marcelo Brum (RS) e Eduardo Bolsonaro (SP). Ambos são parlamentares do PSL.

"É um abuso esse projeto. Isso não é papel de vereador, que tem como principal papel fiscalizar o Executivo e propor uma organização melhor para a cidade. Questões trabalhistas não passam por ele", frisa o presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), Jaime Teixeira.

Professor de carreira, Jaime ainda destaca que considera a atuação de Vargas "um tanto quanto equivocada". "Não é só nesse projeto. Segue a mesma linha do Escola Sem Partido. O Vargas é o mesmo que defende escola cívico-militar. É o pensamento do atraso. Se for para fazer, comece pelos próprios vereadores, que são servidores".

Retirada de pauta - Presidente da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), Lucílio Nobre, frisa que a entidade desde já é contra tal projeto de lei e que vai pedir a retirada da questão da pauta dos vereadores.

"Não cabe esse tipo de teste, pois sequer há previsão legal para isso, seja nacional ou estadual. Nada justifica essa necessidade do exame toxicológico, sem contar que isso implica em aumento de custos. Essa é mais um tentativa de confundir e jogar a população contra os professores, levantando suspeitas infundadas", comenta.

Questionado sobre o projeto pela reportagem do Campo Grande News, na segunda-feira (18), após agenda pública, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) disse desconhecer o teor do projeto de Vargas, que faz parte de sua base aliada na Câmara Municipal.

"Tem que ver a análise jurídica, ver a fundamentação. Só vou me pronunciar quando o projeto chegar até mim, já com a votação em plenário na Câmara Municipal", comenta Marquinhos durante entrevista coletiva no Paço Municipal.

O propositor - Já Tiago Vargas, autor do projeto, foi questionado pela reportagem ainda na semana passada, mas se esquivou em comentar o mesmo. Contudo, após ser alvo de críticas dos próprios colegas de Casa, ele acabou falando sobre o texto.

Diante de adjetivos como inoportuno e sem lógica, usados por vereadores como Riverton de Souza (União Brasil) e Valdir Gomes (PSD) - ambos são professores, assim como João Rocha e Juari Lopes (ambos do PSDB), que também se manifestaram, ele frisou que nunca foi contra a educação e que tal questão tem cunho de saúde pública.

Segundo sua fala na tribuna na Câmara, Vargas disse que pretende realizar audiências públicas para discutir melhor a medida e também propõe que outros vereadores façam emendas e participem, abrindom inclusivem a possibilidade de ampliar a obrigatoriedade dos exames toxicológicos para todos os servidores públicos.

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