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Capital

Por falta de UTI no SUS, marido quer que prefeitura pague conta de R$ 129 mil

O pedido é de pagamento de R$ 125.048,59 diretamente ao hospital e de R$ 4 mil ao marido

Por Lucia Morel | 25/07/2021 11:28
Uma das unidades do Proncor, em Campo Grande. (Foto: Divulgação Proncor)
Uma das unidades do Proncor, em Campo Grande. (Foto: Divulgação Proncor)

Mais uma família busca a Justiça Estadual para tentar reparação pela falta de leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em Campo Grande para pacientes com covid-19. Mulher de 37 anos faleceu vítima da doença em 10 de abril e o marido, da mesma idade, quer que a Prefeitura de Campo Grande se responsabilize pelo pagamento da conta hospitalar, contabilizada em R$ 129.048,59 após 13 dias de internação.

Valéria dos Santos Rodrigues foi diagnosticada com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em 22 de março deste ano, período crítico do sistema público de saúde com a covid-19. Os primeiros atendimentos foram da rede pública de saúde, onde foi medicada e solicitado que ficasse em repouso e isolamento em casa.

O quadro foi se agravando e mais atendimentos foram buscados nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), mas “sob a escusa de superlotação do sistema público de saúde, em todas as ocasiões foi enviada para seguir com o “tratamento” e isolamento em sua residência”, diz trecho da petição.

Em todas as ocasiões, a esposa nem sequer passou por exames de raio-x e diante disso, com ajuda financeira de amigos da igreja, conseguiu R$ 4 mil para pagar atendimento em hospital privado. Eles foram então ao Proncor, onde, já quase não conseguindo respirar, a mulher foi imediatamente internada, em 29 de março.

Dias depois, em 2 de abril, ela foi encaminhada para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), “em razão do tratamento tardio (eis que deixou de recebe-lo adequadamente na rede pública) e do estágio de evolução avançado da doença”, cita o processo de obrigação de fazer acionado contra a prefeitura.

O marido, Luis Henrique Alves Rodrigues, manteve a esposa internada no Proncor, mas em 3 de abril solicitou vaga na rede pública, mas não obteve resposta. Em 5 de abril, acionou a Justiça para tentar vaga em UTI pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e conseguiu a vaga. No entanto, não houve tempo hábil para o cumprimento da decisão judicial, sendo que a mulher morreu em 10 de abril.

Conforme a petição, “a internação e permanência da esposa do autor em hospital particular se deu em razão da não disponibilização de vagas nos hospitais vinculados ao Sistema Único de SaúdeSUS, é a presente para que o ente público seja compelido a arcar com os custos decorrentes dessa internação, junto ao Hospital PRONCOR”.

O pedido é de pagamento de R$ 125.048,59 diretamente ao hospital e de R$ 4 mil ao marido. Ainda não há manifestação do município no caso. Esta é a segunda ação registrada de reparação de danos contra a prefeitura por falta de leito de UTI. Outra foi impetrada pelos familiares de Benedita Antônia Silveira de Almeida, que faleceu aos 75 anos. Eles pedem indenização de R$ 200 mil também, ainda não há resposta do município.

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