ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, TERÇA  20    CAMPO GRANDE 21º

Capital

Protesto contra buracos termina em confusão e sessão encerrada na Câmara

Guardas municipais retiraram à força homem que quebrou placa de comerciante

Por Kamila Alcântara e Mylena Fraiha | 20/10/2026 10:40


RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Um tumulto durante protesto contra os buracos nas ruas de Campo Grande levou ao encerramento da sessão da Câmara Municipal, nesta terça-feira (20), quando o secretário de Infraestrutura, André Moura Brandão, prestava esclarecimentos sobre o tapa-buraco. Um servidor quebrou a placa de isopor de um comerciante e foi retirado por guardas. O secretário reuniu-se depois com vereadores a portas fechadas. Ele reconheceu a situação complicada das vias e afirmou que o Executivo tomará providências. Vereadores articulam uma CPI sobre os contratos.

Um tumulto durante protesto contra os buracos nas ruas de Campo Grande levou ao encerramento da sessão da Câmara Municipal nesta terça-feira (20), quando o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, prestava esclarecimentos sobre o serviço de tapa-buraco. Um servidor identificado como Antônio de Jesus, o Charupá, quebrou uma placa de isopor levada por um comerciante e foi retirado à força por guardas.

Com o encerramento da sessão, o secretário passou a se reunir com os vereadores a portas fechadas. Havia moradores no local para acompanhar os esclarecimentos sobre a manutenção das ruas.

A confusão começou durante a manifestação do comerciante Gustavo Eifler, de 36 anos. Ele levou uma maquete de isopor que simulava um buraco no asfalto, pintada de preto e marrom, para cobrar melhorias nas vias da Capital.

Segundo Gustavo, pessoas que acompanhavam a sessão pediram que ele abaixasse a placa ou saísse da frente. O comerciante afirma que se deslocava para o lado quando foi abordado pelo homem que quebrou o material.

“Outro também pediu, e eu estava indo para o lado quando o rapaz que ocasionou esse problema chegou e falou: ‘Se você não sair da minha frente, vou quebrar isso daí’. Eu falei: ‘Então quebra aí’. Foi quando ele partiu para cima”, relatou.

O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), determinou a retirada do homem. Vários guardas participaram da ação para levá-lo para fora do local. Gustavo afirmou que a intenção era protestar contra as condições do asfalto e contestou a responsabilização pela confusão.

Protesto contra buracos termina em confusão e sessão encerrada na Câmara
Gustavo Eifler usou um isopor para simular buraco no asfalto e protestar na Câmara, mas a placa foi quebrada (Foto: Juliano Almeida)

“Disseram que sou o culpado porque estava simplesmente com a placa ali. Mas tenho convicção de que a conversa tem que vir muito antes da agressão”, declarou.

Ao se manifestar sobre o episódio, Charupá defendeu que o secretário tivesse espaço para apresentar suas explicações e atribuiu o problema do asfalto a gestões anteriores. “Aqui é um lugar público onde as pessoas devem ter seus pensamentos respeitados”, afirmou. Ele também questionou a ausência de protestos anteriores sobre a situação das ruas.

Audiência - A presença de André Moura Brandão na Câmara atendia a uma convocação aprovada pelos vereadores para esclarecer custos, contratos, prazos e execução do tapa-buraco. O requerimento foi apresentado por Professor Riverton, Dr. Lívio, Carlos Augusto Borges, o Carlão, e Papy.

Antes da confusão, o presidente da Câmara havia afirmado que cada parlamentar poderia fazer até duas perguntas ao secretário. A expectativa era que as respostas também ajudassem a embasar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre os contratos e os serviços.

“É uma oportunidade que ele tem hoje de falar não só conosco, mas, principalmente, com a sociedade campo-grandense. Os vereadores estão preparados para fazer perguntas”, disse Papy à imprensa.

O presidente informou que pretendia questionar o vencimento de contratos sem nova licitação e o esgotamento dos saldos disponíveis para os serviços. Segundo ele, esses problemas contribuíram para que a cidade ficasse quase quatro meses sem tapa-buraco ativo.

Protesto contra buracos termina em confusão e sessão encerrada na Câmara
Charupá sendo contido por pessoas e GCMs da Câmara Municipal (Foto: Juliano Almeida)

Papy também levantou a hipótese de que as decisões buscavam transferir os contratos para o Consórcio Central. A afirmação foi apresentada por ele como uma interpretação sobre a condução dos serviços.

O presidente disse que o requerimento da CPI reunia, segundo sua estimativa, 24 assinaturas e ainda seria encaminhado à Procuradoria da Câmara. A proposta é da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e pretende investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução do tapa-buraco.

“Estou argumentando que a CPI tem uma finalidade evidente: buscar responsáveis, mas, mais do que isso, soluções para esse problema. As pessoas não querem uma CPI de 120 dias; querem os buracos tapados, só isso”, afirmou.

Ao Campo Grande News, o secretário André Moura Brandão afirmou que o Executivo tomará providências, mas não detalhou quais medidas serão adotadas. “Abominamos qualquer tipo de manifestação ofensiva que possa cercear o direito do outro. O Executivo vai tomar as providências cabíveis em relação à situação ocorrida aqui na Câmara. Nós nos mantemos à disposição para, sempre que formos chamados ou convocados, prestar todos os esclarecimentos solicitados”, declarou.

Já sobre a situação das ruas da cidade, André reconheceu que a situação das ruas está complicada nas sete regiões de Campo Grande e afirmou que duas equipes de tapa-buraco atuam para estabilizar o problema. Segundo ele, cerca de 1,7 mil quilômetros da malha asfáltica têm mais de 30 anos. “Precisamos, agora, de um trabalho efetivo de tapa-buracos e, na sequência, entrar com o recapeamento”, declarou.

Protesto contra buracos termina em confusão e sessão encerrada na Câmara
Secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão (Foto: Juliano Almeida)

O secretário disse que já há contratos licitados para recapeamento nas sete regiões, mas condicionou o início dessas frentes à estabilização do tapa-buraco. Ele não informou uma data para essa etapa.

Sobre a CPI, Brandão afirmou que respeita a iniciativa dos vereadores e que estará à disposição para prestar esclarecimentos. Ele citou uma auditoria municipal e a atuação do Ministério Público na secretaria, com referência à Operação Buraco Sem Fim, em maio. “Vejo que a CPI vem para colaborar nessa mesma linha. Nós respeitamos e estaremos à disposição para esclarecer toda essa situação”, termina.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.