Terceirização da saúde em Campo Grande fica para 2027, afirma secretário
Marcelo Vilela cita eleições e CPI do tapa-buraco como obstáculos para retomar projeto rejeitado em maio

A discussão sobre a terceirização de unidades de saúde em Campo Grande deverá ficar para 2027. A avaliação é do secretário municipal de Saúde, Marcelo Luiz Brandão Vilela, que considera o atual cenário político desfavorável à retomada do debate. Segundo ele, a disputa do segundo turno das eleições presidenciais e a movimentação na Câmara Municipal para instalar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do tapa-buraco dificultam a discussão de propostas mais complexas ainda neste ano.
RESUMO
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O secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, avalia que a discussão sobre a terceirização de unidades deve ficar para 2027, devido ao segundo turno das eleições presidenciais e à articulação da CPI do tapa-buraco na Câmara. Em maio, os vereadores rejeitaram, por 17 votos a 11, o projeto que previa a gestão privada de dois Centros Regionais de Saúde. Vilela também citou a crise da Santa Casa e a adesão ao programa federal Mais Especialistas para reduzir filas.
Em entrevista ao Campo Grande News, neste domingo (18), durante as finais da Copa Sabadão, no Rádio Clube, Vilela afirmou que a prioridade da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) continua sendo a melhoria dos serviços prestados à população, mas reconheceu que o momento exige cautela para tratar de mudanças na gestão das unidades.
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“Então, ainda é um momento conturbado. Na política, a gente tem que esperar o momento certo para discutir. O que eu digo é o seguinte: estamos buscando a melhoria do serviço para quem o utiliza. Minha preocupação é que a pessoa tenha acesso de qualidade, um bom atendimento e se sinta segura. Estamos nesse desafio”.
A proposta de terceirização provocou resistência em Campo Grande ao longo de 2026. Em maio, a Câmara Municipal rejeitou, por 17 votos a 11, um projeto de lei apresentado pela prefeitura que previa a transferência da gestão de duas unidades para a iniciativa privada: os CRSs (Centros Regionais de Saúde) Aero Rancho e Tiradentes.
As unidades foram escolhidas pela administração municipal por concentrarem grande volume de atendimentos e terem o custeio mantido exclusivamente pelo município. A proposta, entretanto, enfrentou oposição de servidores da saúde, representantes sindicais e integrantes do Conselho Municipal de Saúde.
A resistência continuou após a votação. Em setembro, o CES/MS (Conselho Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul) manifestou apoio ao conselho municipal e se posicionou contra a terceirização da gestão das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e dos CRSs da Capital.
Eleições e CPI ampliam tensão política
O secretário relaciona a dificuldade de retomar o assunto ao calendário eleitoral e ao ambiente de fiscalização da administração municipal.
O segundo turno das eleições será realizado no próximo domingo (25), tanto para a Presidência da República quanto para os governos estaduais onde a disputa não foi definida na primeira votação. Em Mato Grosso do Sul, os eleitores voltarão às urnas apenas para escolher o presidente, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL).
Na Câmara Municipal, outro assunto passou a concentrar as atenções dos vereadores. Na sexta-feira (16), um requerimento para abertura da CPI do tapa-buraco reuniu 24 assinaturas, ampliando a pressão política sobre a prefeitura.
A iniciativa é da vereadora Luiza Ribeiro (PT), que defende a investigação dos problemas na manutenção das ruas de Campo Grande. Segundo ela, apenas no primeiro semestre, os parlamentares apresentaram mais de 10 mil indicações solicitando serviços de tapa-buracos.
A proposta de investigação considera o volume de reclamações da população, as solicitações encaminhadas pelos vereadores e a redução dos recursos destinados à manutenção das vias públicas.
Apesar do apoio de 24 parlamentares, a CPI ainda não foi oficialmente instalada. O requerimento deverá passar pela Procuradoria Jurídica da Câmara, responsável por avaliar o cumprimento das exigências legais e regimentais. Após o parecer, caberá à Mesa Diretora encaminhar a constituição da comissão e a definição de seus integrantes, respeitando a proporcionalidade partidária.
O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), afirmou que a proposta recebeu apoio de praticamente toda a Casa. Segundo ele, vereadores que não participaram da reunião também demonstraram disposição favorável à investigação.
É nesse ambiente, marcado pela disputa eleitoral e pelo avanço de uma investigação sobre a gestão municipal, que Vilela considera pouco provável a retomada da discussão sobre a terceirização da saúde antes do próximo ano.
Crise da Santa Casa também está entre os desafios
A dificuldade de avançar em mudanças na saúde não se limita à terceirização. Vilela também citou a situação da Santa Casa de Campo Grande, que enfrenta problemas financeiros e mantém uma relação complexa com o poder público em razão dos serviços prestados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
O secretário reconheceu a existência de diferentes problemas na rede, mas afirmou que a administração municipal continua trabalhando para buscar soluções. “São vários problemas. A Santa Casa é um deles, mas estamos lá, firmes e fortes. Sou um guerreiro do , então vamos tentar melhorar. Acho difícil discutir alguma coisa este ano, por causa da eleição e do momento político da cidade. Mas acredito que, no ano que vem, vamos voltar a trazer ideias”.
A expectativa de Vilela é que 2027 abra espaço não apenas para a retomada de propostas locais, mas também para uma discussão mais ampla sobre o funcionamento do , especialmente em relação ao acesso da população aos serviços especializados.
“Acho que, no ano que vem, haverá uma rediscussão no país sobre vários aspectos, principalmente no Sistema Único de , que precisa ser rediscutido. Há questões como as filas e a transparência dessas filas. Enfim, vários aspectos precisam melhorar para trazer benefícios à população”.
Tabela do e redução das filas
Outro ponto considerado prioritário pelo secretário é a revisão dos valores pagos pelo aos prestadores de serviços. A defasagem da tabela de procedimentos é uma preocupação de gestores de e de hospitais que atendem pacientes da rede pública, diante da diferença entre os valores de remuneração e os custos dos atendimentos.
Vilela afirmou que o assunto já foi tratado diretamente com o ministro da , Alexandre Padilha, e destacou a participação de Campo Grande no programa Mais Especialistas, iniciativa federal voltada à ampliação da oferta de consultas, exames e outros procedimentos especializados.
“Já estive duas vezes com o ministro Padilha. Essa é uma preocupação nacional, e a discussão não começou agora. Mas chegou a um momento de discussão séria porque está afetando todos os serviços. Ele trouxe esse programa Tem Mais Especialistas, que paga uma tabela diferenciada, e a gente entrou nisso de cabeça. A equipe do Ministério já veio aqui duas vezes e se reuniu com a gente. Estamos tentando acompanhar os estados que estão mais à frente”.
A estratégia busca ampliar a participação de hospitais e clínicas privadas no atendimento de pacientes encaminhados pelo , utilizando condições diferenciadas de remuneração para aumentar a oferta de procedimentos e reduzir a demanda reprimida.
Segundo Vilela, a adesão de prestadores privados já começa a apresentar resultados na Capital, com a perspectiva de ampliar a realização de exames de diagnóstico por imagem, como ressonância magnética e ultrassonografia.
“Campo Grande está bem. Graças a Deus, conseguimos trazer algumas clínicas. Vai ter clínica de ressonância e ultrassom. Os hospitais e as clínicas privadas estão aderindo. É uma boa ferramenta para tentar atacar a fila”.

