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Capital

"Quando não atendeu ligação, morreu", desabafam os que choram a morte de Venuz

Vítima morreu 3 meses depois de ser atacada pelo ex-marido a socos, chutes e garrafadas

Por Viviane Oliveira e Ana Oshiro | 21/03/2021 13:15
Venuzina durante uma de suas apresentações (Foto: reprodução / Facebook)
Venuzina durante uma de suas apresentações (Foto: reprodução / Facebook)

Com muita revolta e pedido de justiça. Foi assim que familiares e amigos se despediram, na manhã deste domingo (21), da dançarina Venuzina de Fátima Mendes Leite, de 44 anos, conhecida por Venuz. Ela morreu na manhã de ontem (20), após ser atacada a garrafadas pelo ex-namorado, Nílson Castro Siqueira, 35 anos, e ficar três meses internada na Santa Casa de Campo Grande. O corpo foi sepultado por volta das 9h30 no cemitério Santo Amaro.

Durante o velório numa pax da Avenida Presidente Ernesto Geisel, os familiares relataram a dor de perder um familiar de forma tão violenta. “Ela morreu porque não atendeu uma ligação dele. Ele perseguia ela, nesse dia ela esqueceu o celular em casa e não atendeu a ligação, aí ele foi lá e fez o que fez”, contou.

Venuz deixou dois filhos, um rapaz de 19 anos e uma menina de 8 anos.

Segundo Fátima, os dois ficaram 7 meses separados, sem nenhuma "recaída", mas depois Nílson começou a perseguir a ex. “Eu era muito amiga dela, a gente morava no mesmo bairro, eu sou madrinha do filho dela. Ela se afastou por um ano, por causa dele, mas se separou e foi pedir ajuda. Vivia na minha casa fugindo dele”, contou.

No dia do crime, conforme Fátima, Nílson atacou a vítima usando uma garrafa. “Eu tentei tirar ele de cima dela, dei soco, chute, mas não consegui, ele é muito grande, não dei conta”, rememora.

Nílson foi preso no dia seguinte (Foto: reprodução / Facebook)
Nílson foi preso no dia seguinte (Foto: reprodução / Facebook)

Apelo - Os familiares querem que Nílson permaneça preso por muitos anos para pagar pelo crime. Segundo relatos de parentes, ele é muito violento e tem vários boletins de ocorrência.

“A gente não conseguia alertar porque ela se afastou, mas depois da separação ela falou que um dia ele ia matá-la. Ela sabia. Ele tem que pagar pelo crime. Durante o relacionamento ele já batia nela, ela tinha medida protetiva, mas ficava com ele por medo das ameaças”, comentou.

Durante o período que esteve internada, Venuz foi acompanhada pelo amigo Paulo Rodrigues de Sá Júnior. “A gente era amigo havia 24 anos, mas ela ficou um ano sem falar comigo por causa dele. Queremos expor ele, porque daqui uns anos ele vai sair da prisão e fazer isso com outra mulher. Tentamos alertá-la, algumas vezes, sobre o relacionamento abusivo, mas ela não gostava de comentar”, revelou.

Paulo durante o velório de Venuz na manhã deste domingo (21) (Foto: Paulo Francis)
Paulo durante o velório de Venuz na manhã deste domingo (21) (Foto: Paulo Francis)

A família teme que o caso de Venuzina caía no esquecimento. “Queremos que este caso nunca seja esquecido. Ela era professora de dança, muito alegre. Se sobrevivesse ia ficar em estado vegetativo. Infelizmente, ele está lá de boa, fumando o cigarro dele no Centro de Triagem. Virou normal o cara matar por não aceitar o término do relacionamento? Não dá para ser assim. Ele tem mais de 40 passagens pela polícia, batia na ex-mulher dele antes da Venuzina”, lamentou Paulo.

Caso -  No dia 19 de dezembro do ano passado, Venuz voltava para casa com Fátima, quando foi abordada pelo autor na Rua Etelvina do Nascimento. A vítima foi agredida pelo ex a garrafadas, socos e chutes. As agressões só cessaram quando a comadre se jogou em cima do homem e o filho dela apareceu com uma barra de ferro. O autor fugiu, mas foi preso horas depois pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). A vítima desmaiou e foi socorrida ainda desacordada pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

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