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Campo Grande, Sexta-feira, 26 de Abril de 2019

09/01/2019 10:04

Rachaduras em casas de residencial são tão grandes que dá pra espiar rua

Há mais de 7 anos são inúmeros os problemas que moradores tentam resolver na base da gambiarra, mas só aumentam

Mirian Machado
Espessura da rachadura na parede do banheiro dá pra ver o lado de fora da casa (Foto: Mirian Machado)Espessura da rachadura na parede do banheiro dá pra ver o lado de fora da casa (Foto: Mirian Machado)

Moradores do Residencial Tarsila do Amaral, região norte de Campo Grande, há 7 anos viraram notícia pelos problemas na estrutura das casas. O tempo passou, nada foi feito e as rachaduras nas paredes, o chão cedendo, entre outros problemas, aumentam o medo de que o teto caia na cabeça das famílias que vivem no lugar.

Na casa do borracheiro Sérgio Rodrigues, de 56 anos, a calçada foi feita no improviso para que o buraco em volta da fossa não engolisse a frente da casa. Há um oco que vai desde o banheiro até a sala, hoje “maquiado” por uma fina camada de concreto no chão.

Desde que se mudou para a casa própria, há cerca de 15 anos, o problema existe. “Fiz uma pequena reforma, mas só vou segurando mais o problema, porque tá em juízo né. Aí a gente fica assim esperando um prazo que nunca deram”, reclama. “Eu estou é com medo desse chão ceder, porque eu sei que tem um buracão aí embaixo. Tá oco”, disse.

Sérgio explicou que a situação estava ainda pior. Toda a água que deveria cair na fossa não  era direcionada para lá e ficava empossada embaixo da casa, esse seria o motivo do buraco que foi se formando sob a casa. Ele chegou a fazer alguns ajustes, mas nada que resolva de vez a situação.

O problema persegue vários outros moradores do residencial.

A dona de casa Michele Aparecida Dias, 32, mora com os três filhos e o esposo. Segundo ela, a situação piorou após a pavimentação das ruas. “Aquela quebradeira balançou tudo e aumentou ainda mais as rachaduras. Quando chove e venta muito forte eu fico com medo”, conta.

Em algumas das rachaduras, a dona de casa ainda tentou passar massa para poder segurar um pouco mais, mas no banheiro o chão também está cedendo. Michele chegou a colocar piso para adiar o prejuízo, mas o ralo do banheiro não foi colocado da forma correta e por isso vaza água para baixo da casa.

Moradora mostra rachaduras na parede da cozinha. (Foto: Mirian Machado)Moradora mostra rachaduras na parede da cozinha. (Foto: Mirian Machado)
O mesmo problema ocorre na casa de Sérgio (Foto: Mirian Machado)O mesmo problema ocorre na casa de Sérgio (Foto: Mirian Machado)

Com tetos ainda mostrando os tijolos da laje, a casa da Rosana Cíntia Dias Ferreira de 41 anos está "toda solta", diz. As janelas também estão soltas, as portas de ‘folha, como ela mesma se refere, já se foram, por isso dentro de casa todos os cômodos até o banheiro são fechados com panos. A porta da frente foi doação. "Até mesmo a casa está se soltando do chão", garante.

Segundo ela, quando chove, molha mais dentro do que fora. No banheiro o mesmo problema dos outros dois moradores, o chão já cedeu três vezes. Nas paredes, com as rachaduras dá para ver o lado de fora da casa. Na sala, parte da laje já caiu e por tudo isso o medo prevalece. “Estou com uma bebê de um mês e essa casa pode cair na nossa cabeça a qualquer momento. Tem dias que escuto o telhado se mexer”, afirma.

A mãe de Rosana, Evanir Albuquerque Dias, aposentada, que também mora no bairro, explicou que antes moravam em barracos e por isso foi feito um mutirão para construir as 250 casas no residencial. “Não foi pedreiro profissional que construiu isso aqui, mas precisamos de uma casa para morar. Do jeito que tá é mais seguro morar no barraco”, explica.

“Aqui praticamente todas as casas estão desse jeito. A gente tem que esperar sem prazo, porque ninguém nunca mais falou nada. O pouco que a gente gasta fazendo pequenos reparos aqui é dinheiro de outras coisas como alimentos e ninguém vai nos ressarcir”, conclui.

Diferença de nível onde inicialmente o padrão da casa de Rosana foi instalado (Foto: Mirian Machado)Diferença de nível onde inicialmente o padrão da casa de Rosana foi instalado (Foto: Mirian Machado)

Em nota, a Agência Municipal de Habitação (EMHA) informou não ter conhecimento e que não foi informada sobre os problemas do residencial, mas enviará uma equipe para fazer uma vistoria no local. Confira a nota na íntegra:

"O Residencial Tarsila do Amaral, foi entregue em meados de 2009, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-I) do governo federal.

Os beneficiários deste empreendimento, que antes viviam em ocupações irregulares, realizaram vistoria na ocasião da entrega dos imóveis. Consta nos contratos a garantia que seria estendida até 5 anos, a contar da data da assinatura da vistoria pelo mutuário.

O trabalho da EMHA, assim como da Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul (Agehab), em relação a este empreendimento, foi de triagem, seleção e reassentamento das famílias. A empreiteira responsável pela obra foi contratada diretamente pelo agente financeiro habilitado à época pelo Ministério das Cidades.

Mesmo que os problemas estruturais dos imóveis não sejam de responsabilidade da Agência Municipal de Habitação, cabe ressaltar que a EMHA não tinha conhecimento, tampouco foi comunicada pelos beneficiários sobre a situação mencionada nesta demanda em momento algum.

Entretanto, equipe técnica da Diretoria de Habitação e Programas Urbanos (DHPU/EMHA) realizará uma vistoria no local, emitirá laudo técnico e, caso sejam constatados problemas em relação à obra entregue em 2009, oficiará a empreiteira para as medidas cabíveis."




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