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Capital

Santa Casa retém macas do Samu por 146 horas e é investigada pelo MPMS

Situação é alvo de inquérito do Ministério Público e hospital alega superlotação decorrente da pandemia

Por Lucia Morel e Paula Maciulevicius | 30/10/2020 18:52
Samu leva pacientes à Santa Casa e sai de lá sem poder levar as macas das ambulâncias de volta. (Foto: Marcos Maluf)
Samu leva pacientes à Santa Casa e sai de lá sem poder levar as macas das ambulâncias de volta. (Foto: Marcos Maluf)

Entre os final de setembro e 19 de outubro, a Santa Casa de Campo Grande reteve 133 macas usadas nas ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), prejudicando o atendimento da população. A situação é investigada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Provocado, o hospital confirmou a retenção dos itens, alegando que isso ocorre diante do aumento do fluxo de pacientes decorrente do uso da unidade hospitalar na retaguarda dos atendimentos da pandemia do novo coronavírus, concentrados no Hospital Regional.

A denúncia chegou ao MPMS em 8 de outubro e transformada em inquérito no último dia 28. Nesse ínterim, tanto a Santa Casa, quando o Samu e a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) encaminharam respostas a ofícios mostrando a gravidade da situação.

Para se ter uma ideia, entre os dias 4 e 5 de outubro, conforme dados do Samu, de 58 ocorrências de atendimento com uso de ambulâncias de resgate, 21 não puderam ser realizados porque os veículos estavam sem macas.

“O prejuízo ao atendimento é incalculável, sendo que pacientes aguardaram por mais de 6 horas, outros nem chegaram a ser atendidos e outros recorreram a ambulâncias privadas devido a demora”, ressaltou a coordenação do Samu ao ministério.

Relatório do serviço revelou que entre 30 de setembro e 5 de outubro, 58 macas ficaram retidas na Santa Casa, sendo que às 13h10 do dia 4 de outubro, o objeto ficou no hospital por mais de 146 horas, sendo devolvida quase uma semana depois.

Em outro relatório, dessa vez da Sesau, o período analisado é entre 9 e 19 de outubro, quando a retenção de macas alcançou 75 unidades, havendo devolução de algumas apenas depois de 90 horas.

Macas deixadas por ambulâncias do interior são usadas para substituir às do Samu. (Foto: Marcos Maluf)
Macas deixadas por ambulâncias do interior são usadas para substituir às do Samu. (Foto: Marcos Maluf)

No último dia 28 de outubro, quando o inquérito foi efetivamente aberto, o Samu entrou em contato com a 76ª Promotoria informando que 12 macas estavam sendo usadas pela Santa Casa, prejudicando o atendimento.

Resposta – Ao MPMS, a Santa Casa informou que “infelizmente, mesmo sendo indesejável assistencialmente, nos últimos dias, têm sido utilizadas macas das ambulâncias por períodos esporádicos e determinados.”

O hospital disse ainda que “tem provocado discussão e realizado negociações junto ao Sistema de Regulação para melhor distribuição nos horários de transporte dos pacientes encaminhados para Santa Casa, evitando assim concentração de pacientes em apenas alguns horários, o que ocasiona superlotação momentânea e entraves logísticos para transferência para os leitos.”

À reportagem, o coordenador do Núcleo Interno de Regulação da Santa Casa, Fabiano Cançado, disse que “temos recebido uma grande quantidade de pacientes, acima da nossa capacidade, e não temos onde colocar. Então, o paciente chega na maca e ele fica ali mesmo”, argumenta.

Para ele, há necessidade de uso das macas para que os pacientes sejam acomodados, já que não com a superlotação,  não há leitos disponíveis no hospital.

Outro ponto ressaltado por Cançado é quanto ao uso das macas do interior, que chegam nas ambulâncias municipais e são deixadas no hospital. São essas que muitas vezes são usadas em substituição às do Samu, para que sejam devolvidas ao serviço.

No próximo dia 4 de novembro, reunião entre as partes deve ocorrer no Ministério Público para tentar chegar a uma solução.

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