“Se apresente”, pede mãe de mulher atropelada em apelo a motorista foragido
Filha teve perna amputada e segue internada; família faz pedido por doações de sangue
RESUMO
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O caso do atropelamento da comerciante Jamile Domingues, de 42 anos, em Campo Grande, ganhou novos desdobramentos. A mãe da vítima, Elyane Maria Domingues, fez um apelo público para que o suspeito, o mecânico Reinaldo Henrique da Silva Pamplona, se apresente à polícia. O caso, inicialmente tratado como lesão corporal culposa, passou a ser investigado como tentativa de homicídio. A mudança ocorreu após análises indicarem que o veículo trafegava em alta velocidade em faixa exclusiva de ônibus. A vítima teve a perna esquerda amputada e permanece internada na Santa Casa.
Seis dias após o atropelamento que deixou a comerciante Jamile Domingues, de 42 anos, em estado grave, a mãe da vítima, Elyane Maria Domingues, fez um apelo direto ao suspeito do crime. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela pede que o mecânico Reinaldo Henrique da Silva Pamplona se apresente à polícia e explique o que aconteceu.
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A publicação foi feita no perfil criado pela família, “Justiça por Jamile”, que também tem sido usado para mobilizar pedidos de doação de sangue. Jamile permanece internada na Santa Casa, após ter a perna esquerda amputada em decorrência da violência do impacto.
“Eu como mãe só peço para você se entregar. Nós não queremos fazer justiça com as próprias mãos. Nós só precisamos saber o porquê”, disse Elyane, em tom emocionado.
No vídeo, a mãe relata a dor de acompanhar a filha no hospital e as consequências irreversíveis do atropelamento. “Hoje eu estava lá com ela. A dor que a minha filha está sentindo. Como vai ser difícil para a gente se adaptar,” afirmou.
Ao longo do apelo, Elyane tenta sensibilizar o suspeito ao comparar a situação com a própria família dele. “Você tem duas filhinhas, eu também tenho. Imagina se acontece isso com uma filha sua. Como você reagiria?”, questiona.
Ela também cita a rotina que Jamile tinha antes do acidente, marcada pelo cuidado com a família. “Até você aparecer na nossa vida, minha filha fazia tudo por mim. E agora? Ela não tem mais essa oportunidade”, disse.
Mesmo diante da revolta, a mãe reforça que não busca vingança. “Nós não somos animais, não somos bichos. Só apareça. Eu só preciso ouvir de você por que a minha filha merece isso”, declarou.
O atropelamento aconteceu na madrugada de sábado (14), na Rua Brilhante, quando Jamile atravessava a via ao lado do marido, o comerciante Dorival Ribeiro, de 47 anos, após o casal fechar a conveniência da família.
Segundo a Polícia Civil, o caso deixou de ser tratado como lesão corporal culposa no trânsito e passou a ser investigado como tentativa de homicídio. A mudança de enquadramento ocorreu após análise da conduta do motorista.

De acordo com o delegado responsável, Sam Ricardo Suzumura, há indícios de dolo eventual. Entre os fatores considerados estão a velocidade muito acima do permitido, o fato de o veículo trafegar em faixa exclusiva de ônibus e o comportamento do suspeito após o atropelamento.
A suspeita é de que o carro estava mais que o dobro da velocidade permitida na via. “Não é que ele estava pouco acima. Ele estava muito além”, afirmou o delegado anteriormente.
Após o atropelamento, o mecânico fugiu do local sem prestar socorro. Dias depois, o carro dele, um Citroën C3 de cor escura, foi encontrado escondido no quintal da casa onde mora, no Bairro São Conrado, coberto por panos e com diversas avarias.
Entre os danos, estavam o retrovisor quebrado, a ausência do protetor do para-lama dianteiro direito e o vidro do passageiro completamente estilhaçado. A polícia localizou o veículo após denúncias anônimas.
No imóvel, os policiais encontraram apenas a esposa do suspeito. Ela relatou estranhar o comportamento do marido após o acidente e disse que o casal deixou de frequentar a residência, passando a ficar na casa de familiares.
A hipótese de racha também é investigada. Imagens de câmeras de segurança mostram dois veículos em alta velocidade na região, embora ainda não haja confirmação da participação de outro motorista.
Reinaldo segue foragido. A Polícia Civil já representou pela prisão dele, que também poderá responder por fuga do local do acidente.
Enquanto isso, a família de Jamile tenta lidar com a nova realidade e segue mobilizada. Além do apelo por justiça, continua pedindo doações de sangue para ajudar no tratamento da vítima.
“Nosso coração está despedaçado”, resume a mãe.
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