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Capital

Sem ir ao próprio júri, réu pega 7 anos por morte de jovem desaparecido

Josias sumiu por 3 dias antes de ser achado morto no Jardim Los Angeles

Por Gustavo Bonotto | 30/09/2026 21:16
Sem ir ao próprio júri, réu pega 7 anos por morte de jovem desaparecido
Plenário do Tribunal do Júri vazio. (Foto: Arquivo/TJMS)

Sem ir ao próprio júri, Rafael Correia da Silva, de 38 anos, foi condenado nesta quarta-feira (30) a 7 anos de prisão em regime semiaberto pela morte de Josias Rocha Espinosa, de 20 anos, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. O julgamento ocorreu 6 anos depois do crime e terminou com os jurados reconhecendo Rafael como autor do golpe que atingiu o jovem no coração, mas afastando a acusação de homicídio para enquadrar o caso como lesão corporal seguida de morte.

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Rafael Correia da Silva, de 38 anos, foi condenado a 7 anos de prisão em regime semiaberto pela morte de Josias Rocha Espinosa, de 20 anos, ocorrida em julho de 2020, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. Ausente do júri, ele teve a acusação de homicídio afastada e respondeu por lesão corporal seguida de morte. Os jurados rejeitaram a tese de legítima defesa, e o juiz determinou a prisão imediata e indenização mínima de R$ 10 mil à família.

A ausência do réu ganhou peso na sentença porque Rafael havia confessado a agressão durante a investigação, quando sustentou que agiu para se defender, mas não apareceu diante do juiz nem dos jurados para repetir a versão. A sessão seguiu mesmo sem ele, e, ao final, o juiz Aluizio Pereira dos Santos determinou o início imediato do cumprimento da pena e a expedição de ordem de prisão, válida até 29 de setembro de 2038.

Rafael chegou ao Tribunal do Júri acusado de homicídio pela morte ocorrida em 19 de julho de 2020. Durante os debates, porém, a promotora de Justiça Luciana do Amaral Rabelo pediu que a acusação fosse reduzida para lesão corporal seguida de morte por considerar que Josias recebeu apenas um golpe.

Os jurados rejeitaram as duas teses de absolvição e mantiveram Rafael como responsável pela agressão. A mudança ocorreu apenas na definição do crime: o Conselho de Sentença concluiu que o golpe provocou a morte, mas afastou o homicídio. “Isso quer dizer que os Jurados afastaram as teses de absolvição por negativa de autoria e legítima defesa”, registrou o juiz ao explicar o resultado.

Com a nova classificação, o magistrado passou a definir a pena e voltou a analisar a alegação de que Rafael teria atacado Josias para se defender. A versão também foi rejeitada nessa etapa. “Não há provas que a vítima o agrediu, ficando apenas na palavra isolada do acusado”, escreveu o magistrado, que considerou a autoria confirmada pelos jurados, pela confissão feita na investigação e pelas demais provas reunidas no processo.

Dosimetria - A pena começou em 8 anos porque o juiz considerou especialmente grave a forma como Josias foi ferido. A sentença aponta que o golpe atingiu o coração com força e profundidade suficientes para causar a morte ainda no local e acrescenta que a agressão ocorreu durante uma discussão considerada de pouca importância. Rafael não tinha antecedentes, enquanto o magistrado concluiu que a vítima não contribuiu para o crime.

A confissão feita à polícia reduziu a punição em 1 ano, chegando aos 7 anos definitivos. O abatimento não foi maior porque Rafael admitiu o golpe apenas durante a investigação, acrescentou à versão a alegação de legítima defesa e não compareceu posteriormente à Justiça nem ao julgamento. A sentença ressalta ainda que câmeras registraram os fatos, de modo que a confissão não foi essencial para apontar quem havia cometido a agressão.

Além da prisão, Rafael foi condenado a pagar indenização mínima de R$ 10 mil aos familiares de Josias. O valor será corrigido a partir da sentença e terá juros de 1% ao mês desde a data do crime. O objeto usado para atingir o jovem nunca foi encontrado.

Desaparecimento - Josias saiu da casa onde morava com a avó, no Jardim Canguru, na tarde de sábado, 18 de julho de 2020, dizendo que visitaria uma tia no mesmo bairro. Ele não chegou à residência da parente nem voltou para casa, o que levou a família a iniciar buscas e divulgar fotografias nas redes sociais. Três dias depois, os parentes descobriram que o corpo encontrado no Jardim Los Angeles era do jovem que procuravam.

Na manhã seguinte à identificação, a mãe, Elenice Rocha Fonseca, contou ao Campo Grande News que estranhou o sumiço porque o filho não tinha o hábito de desaparecer sem avisar. Josias fazia trabalhos como servente e também ajudava um tio que trabalhava com ar-condicionado. Durante o velório, ela resumiu o que esperava da investigação: “Quero Justiça. Ele era um menino bom”.